Medo do desemprego aumenta entre os brasileiros, diz pesquisa da CNI
O índice alcançou 64,8 pontos. E a preocupação com o emprego é maior no Nordeste do que nas demais regiões brasileiras.
Segundo pesquisa trimestral realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Medo do Desemprego voltou a subir, registrando 64,8 pontos em dezembro, indicador 3,6 pontos maior que o de setembro. Na comparação com dezembro de 2015, o índice também aumentou 3,6 pontos. O indicador varia de zero a cem pontos e, quanto mais alto, maior é o medo do desemprego.
Após o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o índice apresentou uma queda, chegando a marca de 61,2 pontos em setembro, refletindo uma melhoria da confiança na economia. Porém com a demora na retomada da atividade econômica, o aumento do desemprego e da inflação no país, os brasileiros voltaram a ficar pessimistas em dezembro. E o resultado disso é que o Índice de Medo do Desemprego fechou o ano bem acima da média histórica de 48,4 pontos.
De acordo com a pesquisa, os nordestinos demonstraram uma maior preocupação com a possibilidade de perder o emprego do que as demais regiões brasileiras, onde o indicador subiu em dezembro, o que mostra um aumento de 11,3 pontos se comparado com os 58,7 pontos registrados no mesmo mês de 2015. Já o Sul apresentou uma retração, passou de 63,2 em dezembro de 2015 para 57,8 em dezembro de 2016, uma queda de 5,4 pontos e é o menor entre as regiões. No sudeste, o índice aumentou de 63,5 para 64,9 e, no Norte/Centro-Oeste, de 56,5 para 62 pontos.
“A economia nordestina, por questões estruturais históricas, é mais sensível aos ciclos econômicos que ocorrem no país, sentindo com maior intensidade tanto os resultados positivos (gerando crescimento acima da média do Brasil), como também os momentos menos favoráveis (deterioração mais aguda que nas regiões mais desenvolvidas). Por este histórico, que se transforma em realidade pela redução, mais acentuada e contínua, da renda e dos postos de trabalho, é natural que a população nordestina tenha mais medo do desemprego que as pessoas de outras regiões”, explica o economista e Superintendente do Instituto Euvaldo Lodi em Sergipe (IEL/SE), Rodrigo Rocha.
Satisfação com a vida
A pesquisa da CNI também apresenta o Índice de Satisfação com a Vida, que fechou o ano em 66,8 pontos, 0,9 pontos acima do verificado em dezembro de 2015, mas continua abaixo da média histórica de 70 pontos. O índice varia de zero a cem pontos. Quanto maior o índice, mais alta é a satisfação com a vida.
Em dezembro, o Índice de Satisfação com a Vida foi maior no Sul, subiu para 69,1 pontos, registrando um aumento de 4,5 pontos em relação ao último mês de 2015. O Nordeste foi a única região que apresentou queda no índice, fechou o ano em 66,9 pontos, valor 1,4 pontos menor que o mesmo período de 2015. No Sudeste, o índice aumentou de 65,1 para 66,4 e, no Norte/Centro-Oeste, de 65,1 para 66,4. O levantamento trimestral da Confederação Nacional da Indústria foi feito com 2.002 pessoas em 141 municípios entre 1º e 4 de dezembro de 2016.