Quando a dor vira compromisso: o Instituto Luciano Barreto Júnior completa 23 anos
Algumas histórias institucionais não começam quando são oficializadas. Começam antes. No silêncio. Em 23 de janeiro de 2003, data em que o Instituto Luciano Barreto Júnior (ILBJ) foi formalmente constituído, a decisão mais importante já havia sido tomada há algum tempo. Transformar uma perda íntima em ação pública.
O Instituto nasce da perda de um filho e da escolha consciente de Luciano Barreto e de sua esposa, Maria Celi Barreto, de não permitir que o luto se encerrasse em si. Não como gesto simbólico, mas como compromisso prático.
Desde o início, o ILBJ seguiu por um caminho pouco comum no campo social brasileiro. Não apostou em ações pontuais nem em respostas imediatas. Optou pela educação como instrumento de autonomia. O foco sempre foi claro: a infoinclusão social de adolescentes e jovens sergipanos. Cursos, palestras, atividades socioeducativas, artes, formação cidadã e preparação para o mundo do trabalho foram sendo incorporados ao longo do tempo, gradualmente, sem atalhos.
Após 23 anos, os números ajudam a dar dimensão ao trabalho, ainda que não expliquem tudo. Registros institucionais indicam mais de 18 mil jovens impactados pelas ações do Instituto, em diferentes formatos. Em outro recorte, cerca de seis mil alunos concluíram formações estruturadas, voltadas à inserção no mercado de trabalho. São números que apontam alcance, mas o efeito real aparece nas trajetórias individuais.
O Instituto Luciano Barreto Júnior é uma entidade sem fins lucrativos. Todos os recursos necessários à manutenção e à execução de suas atividades são garantidos integralmente pela Construtora Celi, que sustenta diretamente o braço social do grupo. Essa relação garante continuidade, algo raro no setor, e preserva coerência entre discurso e prática.
Sob a presidência de Maria Celi Barreto, o Instituto manteve uma característica central. O cuidado com o indivíduo não se dissocia da dimensão coletiva. Não se trata apenas de ensinar uma habilidade técnica ou preparar para uma vaga específica. Trata-se de ampliar repertórios, de cidadania, de convivência e de responsabilidade. O trabalho vem depois. Como consequência.
Celebrar 23 anos, neste caso, não é autopromoção. É memória. E é reafirmação. O Instituto existe porque uma família decidiu que a ausência não seria estéril. E permanece relevante porque, em um país acostumado a soluções improvisadas, escolheu permanecer. Ano após ano.
O tempo, aqui, não funciona apenas como marco cronológico. Funciona como prova. A de que a dor, atravessada pelo compromisso, pode se transformar em legado.