Projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe promove Segurança Alimentar e Nutricional como pilar de transformação
A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é um dos eixos centrais do Projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe, uma iniciativa realizada pela Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai), com apoio da Petrobras e da Universidade Federal de Sergipe (UFS), sendo trabalhada de forma integrada e contínua, desde a produção dos alimentos até a sua chegada à mesa das famílias sergipanas.
O projeto Rede atua respeitando o Direito Humano à Alimentação Adequada, valorizando a economia solidária, a agricultura familiar e, sobretudo, os saberes tradicionais que atravessam gerações nas comunidades envolvidas. Segundo a engenheira de alimentos Stephane Santos, a proposta vai muito além de garantir o acesso ao alimento. “O projeto atua em várias frentes, incentivando a produção de alimentos seguros e de qualidade, priorizando produtos minimamente processados ou feitos artesanalmente com ingredientes da região. Isso fortalece a agricultura familiar e a economia solidária local”, destaca.
Dentro desse processo, são trabalhadas de forma constante as Boas Práticas de Manipulação e Fabricação, com atenção especial à higiene, ao controle dos processos, ao armazenamento e à conservação adequada dos alimentos, prevenindo riscos físicos, químicos e microbiológicos. As oficinas também abordam escolhas alimentares conscientes, o resgate de receitas tradicionais e a valorização dos alimentos do território. “O alimento não é só nutrição. Ele carrega identidade, cultura, saúde e memória”, reforça Stephane.
Outro ponto fundamental é o apoio à comercialização solidária dos produtos elaborados pelas mulheres. Essa estratégia garante geração de renda, fortalece o trabalho coletivo e constrói uma rede de apoio mútuo entre as participantes. Como engenheira de alimentos, Stephane Santos atua oferecendo assessoria técnica aos grupos produtivos, auxiliando na implantação das boas práticas, no desenvolvimento de novos produtos, na padronização dos processos, no controle de qualidade e nas orientações sobre a legislação sanitária. Todo esse trabalho tem como objetivo o empoderamento das mulheres e o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional nos territórios onde o projeto atua.
Para Alicia Salvador, Catadora de Mangaba do povoado Pontal, em Indiaroba, as oficinas e assessoria técnica que o projeto oferta vem para fortalecer a cadeia produtiva das mulheres de Sergipe. “A oficina de processamento de alimentos, por exemplo, para nós, catadoras de mangaba, é uma das fundamentais, uma das principais oficinas que a gente trabalha com esses produtos, com esses derivados e a gente entende que sem essa oficina a gente não tem a qualidade adequada que o nosso público merece, que nós pretendemos passar para o público. Então, ela vem para reforçar esse conhecimento tradicional que a gente desenvolve nas cozinhas comunitárias, passando um produto de qualidade para os nossos clientes”, reforçou.
Segurança Alimentar como caminho para autonomia, saúde e renda
A Segurança Alimentar e Nutricional é essencial para transformar a realidade das mulheres da Rede Solidária. Ela fortalece a autonomia ao impulsionar o protagonismo feminino, permitindo que as mulheres dominem os processos de produção e transformação dos alimentos, valorizem o próprio trabalho e tomem decisões com mais segurança.
No campo da saúde, o acesso a alimentos seguros e de qualidade reduz vulnerabilidades e melhora diretamente as condições de vida, ampliando a participação social e produtiva dessas mulheres. Já no aspecto econômico, a produção de alimentos com qualidade sanitária e nutricional agrega valor aos produtos, facilita a comercialização, abre novos mercados e garante uma renda mais estável.
E foi pensando nisso, que a equipe técnica do projeto desenvolveu as oficinas de Processamento de Alimentos, realizadas de forma participativa e prática, combinando momentos de diálogo, troca de experiências e atividades “mão na massa”. As participantes são incentivadas a compartilhar conhecimentos, dificuldades e soluções do dia a dia, unindo saberes tradicionais aos conhecimentos técnicos.
Silvana Correa, Catadora de Mangaba do povoado Capuã, em Barra dos Coqueiros, e culinarista voluntária do projeto, começou como aluna e atualmente passa os seus conhecimentos a outras mulheres. “Para mim, assim, é muito gratificante ter aprendido tudo e hoje está passando para outras mulheres não sabiam o que fazer com mangaba e hoje, através das oficinas que eu vou dar junto com Stephane, elas aprenderam. Então, para mim, é uma importância grande isso aí. De ter o meu conhecimento e estar passando o meu conhecimento para outras mulheres, para que elas também sigam o caminho delas”, disse.
Geralmente realizadas nos próprios locais de trabalho das mulheres, as oficinas abordam temas como boas práticas de manipulação e fabricação, conservação e armazenamento dos alimentos, padronização de processos, legislação sanitária, segurança alimentar e valorização dos alimentos regionais. Mais do que ensinar técnicas, esses encontros fortalecem vínculos, constroem soluções coletivas e ampliam a autonomia dos grupos.
Fortalecimento das associações e das mulheres
O trabalho técnico desenvolvido junto às associações é sempre adaptado à realidade de cada grupo. A partir de diagnóstico próximo da rotina produtiva, são identificados desafios e oportunidades de melhoria. Em conjunto, reorganizam-se fluxos de trabalho, definem-se procedimentos simples e aplicáveis, realizam-se treinamentos sobre uso de equipamentos e escolha adequada de insumos.
Segundo Katiane de Jesus, Catadora de Mangaba do povoado Manoel Dias, em Estância, após a implementação das orientações e formações em Segurança Alimentar e Nutricional, os impactos nas associações são nítidos. “Aprendemos a deixar o espaço mais organizado, os processos mais seguros, padronizados e atrativos. Aprendemos a aprimorar as receitas e esse fim de ano com a inovação, a exemplo da receita de panetone, que foi um sucesso. Para mim, tem sido maravilhoso. Sempre aprendendo coisas novas para a vida profissional, como catadora, como doceira, mas também aprendizado para a vida pessoal”, refletiu.
Na organização interna, as associações passam a planejar melhor a produção, dividir tarefas com mais clareza e registrar suas atividades, fortalecendo a gestão coletiva. As mulheres também ganham mais segurança para dialogar com órgãos de vigilância sanitária, reduzindo inseguranças e riscos de interrupção das atividades.
A coordenadora geral do projeto, Mirsa Barreto, ressalta que no aspecto social, os resultados são ainda mais significativos. “Com as oficinas de processamento de alimentos, notamos um aumento da autonomia, da autoestima e do protagonismo feminino. As mulheres passam a valorizar ainda mais seus saberes e seu trabalho, ampliam a comercialização, acessam novos mercados e geram mais renda”, pontuou.
Assim, o Projeto Rede Solidária de Mulheres de Sergipe cumpre seu papel de fortalecer as associações, promover justiça social e contribuir de forma concreta para a segurança alimentar e nutricional das comunidades.