O que se sabe sobre os vírus que podem gerar surtos em 2026
Cientistas de todo o mundo acompanham com atenção o comportamento dos casos de doenças provocadas por vírus de grande circulação e proeminência no planeta. Em um artigo publicado no dia 15 de janeiro no portal científico The Conversation, o pesquisador norte-americano Patrick Jackson, da Universidade de Virginia (Estados Unidos), apontou três vírus com potencial de desencadear novas crises e epidemias globais neste ano de 2026: o mpox, o Oropouche e o subtipo H5N1 do Influenza A (causador de uma gripe aviária que pode ser transmitida para humanos). No texto, o cientista cita que eles têm infectado mais viajantes no trânsito entre países e regiões nos quais eles registram maior circulação, como África Central, Estados Unidos e América do Sul, respectivamente.
No Brasil, alguns balanços de casos registrados pelo Ministério da Saúde parecem indicar vagamente esta tendência. A febre do vírus Oropouche, transmitida através do mosquito conhecido como “maruim”, já teve mais de 11 mil casos no Brasil em 2025, inclusive em estados fora da Região Amazônica. Quanto ao mpox, foram 88 casos confirmados, dois em análise e outros 171 suspeitos apenas nos dois primeiros meses deste ano. Quanto ao Influenza, não há maiores preocupações quanto ao H5N1, que até o momento só teve um surto registrado apenas em aves comerciais na região de Montenegro (RS), sem confirmação ou suspeita de que pessoas tenham sido contaminadas.
No entanto, um segundo subtipo do vírus, o Influenza A H3N2 subclado K chegou ao Brasil no ano passado e já fez pelo menos quatro casos, sendo um no Pará e três no Mato Grosso do Sul. Todos eles ainda estão em investigação quanto à origem das infecções. “O vírus Influenza, causador da gripe, tem uma grande capacidade de mutação. Atualmente, foi detectada essa nova mutação de uma variante já conhecida, o Influenza A H3N2. Essa nova subvariante, apelidada de “gripe K”, foi detectada no final do ano passado e já foram registrados surtos atribuídos a ela pelo mundo. Como trata-se de vírus de fácil transmissão e que a população ainda não tem proteção, espera-se que se espalhe ao longo deste ano”, explica o infectologista Matheus Todt, professor do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit).
Ele afirma que o mpox, o Oropouche e os tipos do Influenza têm se sobressaído como as maiores preocupações pelo fato de já circularem entre os humanos há algum tempo, gerando epidemias ou mesmo se tornando endêmicos em algumas regiões. No entanto, o professor não acredita na possibilidade de que algum deles venha a ser protagonista de alguma nova pandemia, em nível semelhante ao coronavírus, que teve quase 800 milhões de casos e mais de 7,1 milhões de mortes provocadas em todo mundo (716 mil apenas no Brasil) entre 2020 e 2025. “Isso é pouco provável. Um microrganismo, para gerar uma pandemia da amplitude da Covid-19 precisa ter uma série de características simultâneas. Felizmente esses vírus não preenchem esses requisitos”, tranquiliza Todt.
Como é a transmissão
Ainda de acordo com o professor, os vírus Influenza estão relacionados com quadros respiratórios e são transmitidos pelas vias aéreas. O Oropouche é uma Arbovirose (assim como a Dengue e a Zika), transmitida pela picada de mosquitos infectados, ocasionando sintomas semelhantes à Chikungunya. E o mpox é uma variante menos grave da varíola, ocasionando vesículas dolorosas e sendo transmitida pelo contato interpessoal (sobretudo o contato íntimo).
“A população deve estar informada sobre a forma de transmissão e os principais sintomas dessas doenças. De forma geral, podemos orientar que as pessoas evitem o contato com pessoas sabidamente doentes e, ao apresentar sintomas suspeitos, procurem atendimento médico”, falou Matheus, a respeito do tipo de prevenção que deve ser adotada deve ser adotada para impedir ou mitigar a circulação destes vírus.
A preocupação se estende em relação a outras doenças, como o sarampo, em razão da queda na cobertura vacinal; e até mesmo o HIV (causador da Aids), cuja ameaça de “ressurgir” é atribuída no artigo de Patrick Jackson “a interrupções na ajuda internacional”, isto é, a ordem do presidente Donald Trump para cortar as contribuições dos EUA a programas de enfrentamento contra o vírus em países pobres, principalmente na África.
A dengue e a chikungunya, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, também aparecem como as doenças mais proeminentes no mundo e no Brasil. “Essas doenças são endêmicas, portanto sempre haverá casos (sobretudo nos períodos chuvosos, quando os mosquitos transmissores se multiplicam). A vigilância deve ser constante”, conclui Todt.