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Aracaju (SE), 21 de outubro de 2026
POR: Giulia Meneses
Fonte: Ascom UFS
Em: 21/10/2026 às 12:09
Pub.: 21 de outubro de 2026

UFS e MinC criam incubadora para fortalecer cultura popular em Sergipe

Projeto une estudantes e saberes tradicionais para apoiar organizações na captação de recursos do Governo

UFS e MinC criam incubadora para fortalecer cultura popular em Sergipe - Foto: Divulgação

A Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), deu início à implantação de uma incubadora voltada ao fortalecimento das organizações sociais de cultura popular no estado. 

A ação tem como finalidade ampliar a participação de grupos culturais sergipanos nos editais de fomento do Governo Federal, espaço em que o estado enfrenta dificuldades de atuação há cerca de duas décadas.

A criação da incubadora decorre da identificação, pelo próprio MinC, de uma lacuna no apoio institucional à cultura popular. Nesse cenário, a UFS assume papel estratégico de mapeamento e identificação das especificidades do cenário local. 

A iniciativa nasceu de um convite intermediado pela coordenadora-geral do Programa Nacional de Comitês de Cultura, Mirella Araújo, que previa a implementação de uma ação de fortalecimento da cultura popular, com um diagnóstico inicial para identificar as principais carências do setor em Sergipe e orientar investimentos por meio dos editais de fomento. 

Para Mirella Araújo, a parceria com a universidade é fundamental para ajudar a construir uma incubadora voltada ao fortalecimento das organizações sociais de cultura popular no estado de Sergipe. 

A gestora explica que a iniciativa se baseia em uma união entre educação e cultura, visando valorizar e reconhecer mestres, mestras, culturas indígenas, quilombolas e populares. 

“Primeiro foi feito uma análise dos bancos de dados já existentes, do mapa da cultura, de outras fontes estaduais, e dos editais de mestres e mestras tanto do estado quanto da universidade. 

Em seguida, a equipe visitou as organizações sociais, coletivos, instituições e grupos que já atuam em rede, realizando um diagnóstico para identificar necessidades e a maturidade institucional de cada um. 

A partir das demandas levantadas nesse mapeamento e diagnóstico, iniciou o processo de formação voltado ao fortalecimento dessas instituições e ao acesso às políticas públicas de cultura e sociais”, detalha. 

Docente do curso de Museologia do Campus Laranjeiras, a Profª Drª Ana Karina Calmon foi membro da Comissão Especial de Seleção do Edital Modernização de Museus do Ministério da Cultura em 2009 e hoje lidera o projeto encabeçado pela Universidade. 

Após receber um convite do MinC por conta de suas atuações antigas, a professora iniciou uma articulação para identificar as principais carências da cultura popular sergipana para os investimentos nos editais de fomento do MinC.

“O que eu fiz foi ligar os estudantes da Arquitetura, da Museologia e da Arqueologia, que são os três cursos que têm sede lá, à atuação mais forte que a gente tem no campus, que é o Trapiche, um projeto de extensão sempre renovado, em que os estudantes saem para atender a comunidade. 

A partir dele, a gente fez essa estrutura e eu dei uma esticada de braço para São Cristóvão e trouxe um aluno da Engenharia da Computação, que vai nos auxiliar a compor o banco de dados que a gente vai entregar para o Ministério e para a Universidade, e uma aluna de Turismo, área afim da Museologia. 

Pensando em articulação política, minha primeira preocupação foi como estabelecer isso para que não seja uma ação que eu deflagre agora e depois acabe, mas que a universidade abrace, para que a gente atue diretamente com essas instâncias políticas.” afirma Ana Karina.

Desde o início, a coordenação buscou garantir a continuidade da ação, de modo que não se encerrasse com a fase inicial. Para isso, a professora Ana Karina convidou Josefa Lisboa, pró-Reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Sergipe, para aderir ao projeto. 

Segundo Josefa, abraçar a incubadora a partir de um grupo com ampla experiência em cultura fortalece sua elaboração, e a boa relação de Ana Karina com o Ministério contribui nesse processo. A articulação envolveu ainda a gestão da UFS e contou com o escritório do MinC como parceiro.

“A criação da incubadora é estratégica, pois há um vazio de busca de apoio do MinC para a cultura popular. Queremos ampliar isso para o estado inteiro, quanto mais sujeitos da cultura popular sergipana vierem para a universidade, se certificarem e conseguirem trabalhar conosco, mais a universidade avança. Passamos a ter mais sujeitos críticos, pensantes na sociedade sergipana. Isso nos fortalece de todas as formas”, reforça. 

O grupo liderado por Ana Karina é composto por estudantes de cursos como Arquitetura e Arqueologia, cujos estudantes foram reunidos por meio do Trapiche, projeto de extensão permanente do campus em que discentes realizam atendimentos às comunidades. 

O grupo, formado majoritariamente por estudantes de Arquitetura, hoje também inclui discentes de Museologia, Engenharia da Computação e Turismo para auxiliar na composição de um banco de dados voltado para o Ministério e a Universidade.

Na avaliação dos estudantes, a participação no projeto favorece a integração entre áreas do conhecimento, amplia a compreensão sobre o patrimônio imaterial, além de aproximar a formação acadêmica das demandas sociais e comunitárias. 

A graduanda de Arquitetura e Urbanismo do Campus Laranjeiras e integrante do Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo, Alana de Araújo, destaca a ligação do projeto com a implementação da Incubadora.

“O escritório tem o foco em assessoria popular, assessoria técnica. Geralmente a gente já trabalha com comunidades aqui de Sergipe, como a Praia da Fibra, no Bairro Industrial, e a Mucuquinha, que é um quilombo lá em Laranjeiras. 

A gente também trabalha com a Rede de Assessoria Técnica Popular do Nordeste, e é um trabalho muito importante, trabalhamos com essas comunidades e aí vamos com um novo olhar. A arquitetura fica muito voltada para o patrimônio edificado, onde mexemos muito com o imaterial, é uma visão nova e importante, principalmente na situação do nosso território”, afirma.

O Trapiche, projeto de extensão permanente do Campus Laranjeiras, é a base da atuação estudantil na incubadora. Reunindo discentes de diferentes cursos que realizam atendimentos às comunidades, o grupo atua na articulação cultural e na valorização das tipologias de patrimônio, material e imaterial, em diálogo direto com os territórios. 

É o que explica a estudante de Museologia Monielle Fonseca, membro do projeto. “A gente tenta trabalhar com essa articulação cultural, as tipologias de patrimônio, seja material e imaterial, e também com a comunidade. Esse movimento social é o que nos mantém ativos enquanto membros, e também o que nos traz o resguardo enquanto futuros profissionais”, afirma.

A interdisciplinaridade que caracteriza o Trapiche também amplia o horizonte de formação de seus integrantes. Estudante de Engenharia de Computação e membro do grupo, Samuel Guimarães destaca que a iniciativa em parceria com o Ministério da Cultura aproxima sua área de formação das demandas sociais. 

“Enquanto estudante de Computação, a gente às vezes esquece do quão importante a nossa área pode ser para o avanço da sociedade e de movimentos sociais também. A gente raramente encontra iniciativas que tragam o lado social para a computação. E tanto o Trapiche quanto essa iniciativa têm permitido isso e me feito ver novas possibilidades de atuação que antes eu não enxergava”, diz.

Como parte das ações de valorização dos saberes tradicionais, a UFS encerrou recentemente o período de inscrições do edital de Mestres e Mestras, que permitirá a certificação de novos detentores desses saberes. 

A expectativa é ampliar a iniciativa para todo o território sergipano, aproximando a universidade dos sujeitos da cultura popular e fortalecendo sua função social e a formação de sujeitos críticos na sociedade.

 

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