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Aracaju (SE), 25 de setembro de 2026
POR: Sheyla Morales
Fonte: Assessoria de imprensa
Em: 25/09/2026 às 09:56
Pub.: 25 de setembro de 2026

Animação sergipana "Parafusos de Sergipe" ganha projeção pelo país ao unir técnica e memória viva

Animação sergipana "Parafusos de Sergipe" ganha projeção pelo país ao unir técnica e memória viva - Imagem: Divulgação

A força e a singularidade da cultura popular sergipana ganham visibilidade no circuito audiovisual brasileiro. O curta-metragem de animação em stop motion "Parafusos de Sergipe" (2024), concebido e realizado a partir do olhar autoral de Shéron Joyce Díaz Morales, discente do Departamento de Música da Universidade Federal de Sergipe (DMU/UFS), conquistou duas importantes seleções neste mês de setembro: o 4º EducAção - Festival Internacional de Cinema, Educação e Preservação, em Curitiba (PR), e a edição comemorativa de 10 anos do Festival Curta Canedo, em Senador Canedo (GO).

Criada e dirigida com sensibilidade por Shéron Morales, a obra de dois minutos nasceu em 2024 como um exercício prático na oficina ministrada pelo realizador Samir Mourad no 4º Festival Educa Claquete Ação. Realizado em uma parceria familiar, com assistência de produção de seu pai, Genaro Morales (88 anos), e assessoria da jornalista Sheyla Morales, o curta ganhou fôlego próprio e hoje leva a história desse rico patrimônio cultural sergipano a diferentes regiões do país.

MEMÓRIA VIVA E RESISTÊNCIA AFRO-BRASILEIRA

A animação tem como eixo a história do Grupo Parafusos, manifestação de forte identidade cultural originária de Lagarto (SE) e única do gênero no país.
Criado oficialmente no século XIX, sob a liderança de figuras como o Padre José Saraiva Salomão, o grupo é composto exclusivamente por brincantes homens que dançam rodopiando vestidos com camadas sobrepostas de anáguas brancas rendadas. 

Trata-se de uma tradição secular que remonta aos atos de resistência de escravizados, que usavam peças íntimas das sinhás coloniais tanto para camuflar o corpo nas fugas noturnas quanto para satirizar a elite senhorial. Ao traduzir esse legado em uma narrativa visual poética e acessível, o curta articula memória afro-brasileira, formação escolar e salvaguarda do patrimônio imaterial.

TRAJETÓRIA NO CIRCUITO DE MOSTRAS

A dupla seleção em Curitiba e Senador Canedo amplia a trajetória do curta, que vem conquistando espaço no circuito audiovisual de diferentes regiões brasileiras. A obra soma participações em mostras e festivais com curadoria como:

  • 8º Festival e Mostra de Audiovisual do NUPEPA/ImaRgens (ICNOVA/LAPS): Selecionado e premiado com o troféu de Júri Popular na categoria Animação;
  • Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa (RN);
  • Festival Miaêro 2026 (RN);
  • 1ª Virada Cinematográfica da Biblioteca Pública de Ouro Preto (MG);
  •  Mostra de Inovação Cultural e Artística de Maricá (RJ);
  • 1ª Mostra de Cinema de Cocalzinho de Goiás (GO).

EXIBIÇÕES EM GOIÁS E PARANÁ

Em Goiás, a obra sergipana ficou entre as 30 selecionadas de um total de mais de 700 inscrições de várias partes do Brasil. Celebrando uma década de atividades voltadas à difusão comunitária e à itinerância cultural, o 10º Festival Curta Canedo incluiu o filme na grade da Escola Municipal Luzia Maria de Siqueira na noite de quarta-feira (23 de setembro). 

Na programação, o curta foi a única obra de animação da mostra temática sobre igualdade racial, fomentando debates sobre questões étnico-raciais e combate ao preconceito junto a estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Já no Paraná, a exibição conecta-se ao perfil pedagógico e preservacionista do 4º EducAção, sediado na Cinemateca de Curitiba. Com acesso livre ao público e voltado à integração entre audiovisual, ensino e preservação de registros culturais, o evento incluiu o curta em sua sessão internacional do dia 25 de setembro, no período da tarde. 

Representando o Departamento de Música da UFS, a obra divide tela com produções nacionais e estrangeiras, em uma edição marcada também pelo intercâmbio com a produção latino-americana, simbolizado pela presença da realizadora peruana María Barea.

A passagem pela capital paranaense marca ainda um retorno à Cinemateca, espaço onde Shéron apresentou, em setembro do ano passado pelo Festival Metrô, o fotofilme "Brasil, entre cores, cantos e desencantos: a natureza de Rugendas e Villa-Lobos".

Ao circular por salas e escolas de diferentes estados, o curta leva a cultura sergipana para novos públicos e cumpre o papel fundamental de manter em constante movimento a história e a dignidade de uma das manifestações mais autênticas do país.

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