25ª Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe acontece no próximo domingo
Evento celebra os 25 anos de fundação da ASTRA Direitos Humanos e consolida o mês de agosto como marco das mobilizações de cidadania e diversidade em todo o Estado
No próximo domingo, 30 de agosto, a Orla de Atalaia será o cenário da 25ª Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe. Realizado pela ASTRA – Direitos Humanos e Cidadania LGBTQIA+, em parceria com diversas entidades aliadas, o evento terá início às 13h, no Palco Sobre(Viver), localizado no estacionamento da Cinelândia. Nele acontecem shows de artistas locais, com apresentações de cantores, performances de drag queens e grupos de dança, marcando a saída dos trios elétricos na avenida. A expectativa para esse ano é que o evento reúna cerca de 200 mil pessoas para cobrar políticas públicas de visibilidade e inclusão para a comunidade LGBTQIA+, além de movimentar também o turismo da cidade.
Com o tema “A História Continua, a Luta Não Para”, a edição deste ano celebra 25 anos de mobilização ininterrupta e resistência pacífica em defesa da diversidade e dos direitos da população LGBTQIAPN+ em Sergipe. Como parte desse marco histórico de um quarto de século, a mobilização repetiu a dinâmica de anos anteriores e não ficou restrita apenas ao dia da Parada principal. Durante todo o mês de agosto, está sendo realizada uma programação repleta de atividades voltadas aos direitos humanos em diversos municípios.
A vice-presidente da ASTRA, Maria Eduarda Marques (Duda), destaca as conquistas obtidas, ao mesmo tempo em que aponta para os desafios urgentes para a população LGBTQIAPN+. “Nos últimos 25 anos de movimento no Brasil e em Sergipe, a maior conquista foi retirar a população LGBTI+ da invisibilidade. Conseguimos direitos fundamentais, tais como o casamento, o direito à retificação de nome e gênero, doação de sangue e a criminalização da LGBTfobia”, afirma Duda.
Programação
30 de agosto, domingo: 25ª Parada LGBT+ de Sergipe
A partir das 13h, na Orla de Atalaia - Passarela do Caranguejo
Atração nacional:
- Melody
Apresentadoras do palco Sobre(Viver):
- Duda Marques
- Markíbia Mazort
Palco Sobre(Viver):
- Ally Olibt; Ana Paula Leite Franco; Angel & Lauryn; Audry da Pedra Azul; Batala Sergipe; Bree Bradshaw; Cherry Alex; Cia The Mob; Drag d’Arc; Emilly Laysser; Essência Sublime; Fernanda Bravo; Keythy Latoya; Kharolyne Prínscipal; DJ Lana Vergara; Leokádia; Lu Xodó; Marcita Wimbledon; Marla Suellen; Samarah Tornado; Sarah Capetinne; Vanúbia The Queen.
Trios:
- DJ Arkilax; Chrislops; DJ Cyrus; DJ GOTA; DJ Julie; Leones; DJ Meli; Natti Barcelox; Pérola Negra; DJ Pretassa; DJ Sky; DJ Whisk_Yagogo.
Melody
Quem comanda o trio principal deste ano é a cantora e compositora Melody, fenômeno de internet que virou meme e ganhou milhões de seguidores com versões e músicas autorais. Filha do funkeiro MC Belinho, começou a cantar e lançar singles ainda na infância. Seu estilo musical estava inicialmente associado ao funk, mas passou a adotar uma sonoridade pop misturada a vários gêneros.
Dentre os principais sucessos e parcerias destacam-se: "Assalto Perigoso", versão em piseiro de "Positions" da Ariana Grande que estourou nas paradas nacionais; "Pipoco", parceria de enorme sucesso com Ana Castela e DJ Chris no Beat, alcançando o topo do Spotify Brasil; "Love, Love", hit em colaboração com Naldo Benny, que usa elementos da música "Kiss Kiss" de Chris Brown; "Mil Veces (Remix)", parceria oficial lançada ao lado de Anitta, selando a paz entre as duas após anos de alfinetadas; e, mais recentemente, o remix de "Mi Chico", parceria internacional com o cantor americano Jason Derulo e o DJ Goja; os hits "Jet Ski" (com Pedro Sampaio) e "Desliza (Ólhinho no Corpinho)" (com Léo Santana).
Mulheridade LBTI
A 25ª Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe contará aindacom um marco histórico: pela primeira vez, as Mulheridades LBTI terão um trio elétrico próprio. Organizado para celebrar a existência, a luta e a visibilidade de lésbicas, bissexuais, travestis, mulheres trans e pessoas intersexo, o espaço promete muita representatividade, orgulho e festa com apresentações de DJ Julie Rapozinha, DJ Meli, Pérola Laviny e Natty Barcelox.
Segundo informações de Kika Salomão, militante desde os primeiros anos do movimento LGBTQIAPN+ em Sergipe, hoje reside em Joinville/SC, o Trio Elétrico da Mulheridade LBTI nasce para celebrar a diversidade das mulheridades lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, intersexo e pessoas dissidentes de gênero que transformam a resistência em presença, arte, liberdade e orgulho. “A feminilidade não é padrão, não é obrigação, não é performance para agradar o machismo. Das sapatões femme às mulheres masculinas, das travestis às mulheres trans, das pessoas intersexo às identidades que rompem com as normas impostas, todas as expressões têm espaço, voz e potência nesse movimento. Em um país onde mulheres LBTI ainda enfrentam violências diárias, transformar a rua em espaço de acolhimento, visibilidade e alegria também é um ato político”, revela a Kika.
SEMINÁRIO
O Circuito do Orgulho “Agnaldo Augusto” 2026 vem promovendo seminários, simpósios, rodas de conversa, workshops e ações solidárias de doação de sangue, integrando a capital e o interior sergipano na pauta de promoção da igualdade. Esta semana será realizada a 17ª edição do Seminário Estadual de Direitos e Cidadania LGBTQIAPN+, com a presença de lideranças locais e nacionais convidadas para sugerir e traçar estratégias no combate à LGBTfobia e na garantia de direitos.
A vice-presidente da ASTRA chama a atenção para a importância política do seminário dentro da programação da Parada. “Militantes e convidados/as/es tem a oportunidade de levar provocações aos seus respectivos municípios e a cobrança de políticas públicas mais efetivas para nossa população. Assim, nós mostramos que a parada também é um momento de capacitação política”, pontua Maria Eduarda.
O Seminário acontece nos dias 28 e 29 de agosto como parte da Programação do Circuito do Orgulho 2026, que tem o objetivo de desmistificar preconceitos e conscientizar a população sobre temas ligados à cidadania, direitos humanos e sexualidade. O Circuito do Orgulho foi criado em 2003 e tem se estabelecido como um importante espaço de diálogo e afirmação das pautas LGBT+.
Apesar das conquistas, a vice-presidente reforça que a luta real está longe de acabar. “Falta eficácia nas políticas públicas. Falta acesso à saúde, à educação, segurança, cultura e ao mercado de trabalho para pessoas trans e travestis. A violência ainda é o nosso maior problema. Para os próximos 25 anos, eu desejo e trabalho para que a gente avance da lei para a garantia de direitos na vida real. Meu sonho é ver pessoas LGBTI+ vivendo com orgulho, sem precisar escolher entre ser quem são e sobreviver”, revela a vice-presidente.
ASTRA LGBTQIAPN+
A ASTRA é uma instituição não-governamental fundada em 2001, em Aracaju, que atua desenvolvendo atividades na busca da cidadania e garantia dos Direitos Humanos. A Astra foi reconhecida como entidade de utilidade pública, através da Lei nº 5.918, de 9 de junho de 2006. Desde 2002, a ASTRA coordena a realização da Parada LGBT de Sergipe, agregando entidades do movimento LGBTQIAPN+ de Sergipe e membros voluntários, organizados em comissões específicas.
Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe
A primeira Parada LGBT de Sergipe foi realizada há mais de vinte anos, como um evento desacreditado pelos gestores públicos, que desejavam que a festa fosse fechada, que associavam a mesma a um baile de Carnaval. Em julho de 2002, contra toda ignorância e tentativas de boicote, a primeira Parada LGBT de Sergipe aconteceu na Passarela do Caranguejo, na Orla de Atalaia, com a adesão de algumas dezenas de pessoas marchando atrás do trio na avenida.
Hoje a Parada é a maior manifestação de rua do Estado de Sergipe e faz parte do calendário cultural do município de Aracaju, pela Lei nº 3730, de 30 de junho de 2009. O evento movimenta o turismo da cidade e promove políticas públicas de visibilidade e inclusão a cada ano. Ao longo de sua história de 25 anos, a Parada de Sergipe cresceu e passou de um público inicial de quase 5 mil pessoas, em 2002, para mais de 150 mil participantes, em 2025. Além da consolidação social, o Estado obteve uma conquista legislativa histórica recente, tornando-se o primeiro do Brasil a incluir expressamente a identidade de gênero em sua Constituição Estadual, por meio da Emenda Constitucional nº 59/2025.