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Aracaju (SE), 10 de agosto de 2026
POR: Comunicação Povos das Águas
Fonte: Comunicação Povos das Águas
Em: 10/08/2026 às 07:02
Pub.: 10 de agosto de 2026

A comunicação popular como uma ferramenta de organização das juventudes do Baixo São Francisco no Projeto Povos das Águas

A comunicação popular como uma ferramenta de organização das juventudes do Baixo São Francisco no Projeto Povos das Águas - Foto: Comunicação Povos das Águas

Desde o início do Projeto Povos das Águas: produzindo vida e preservando o mar, as juventudes do Baixo São Francisco são primordiais para a realização das ações propostas, tendo como foco a educação popular ambiental e a comunicação popular. Com cerca de 40 participantes do curso de comunicação popular, os jovens de Brejo Grande, Pacatuba e Neópolis foram formados para utilizar as ferramentas de comunicação para a organização popular e para resguardar a história e a memória dos territórios tradicionais.

A iniciativa do projeto é da Associação dos Pequenos Agricultores de Sergipe (APAESE), com o apoio do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental.

A formação com metodologia participativa

A utilização da comunicação popular visa o engajamento da juventude e o uso das redes sociais das associações para a visibilidade das pautas de cada comunidade tradicional ribeirinha, de pescadores artesanais, de agricultores, quilombolas e indígenas, públicos historicamente invisibilizados socialmente. As oficinas versaram sobre a educomunicação, o uso de aplicativos de edição de imagem e vídeo, a produção de design pelo celular, a produção de texto em escrita criativa e as noções básicas de fotografia.

“A juventude tem mais facilidade em acessar diferentes aplicativos e redes sociais, é interessante que essas ferramentas sejam utilizadas para contribuir com as comunidades, seja nas associações, nos movimentos ou nas atividades religiosas. A proposta é que as pautas dos territórios ganhem mais visibilidade e que a organização popular possa ser mais potente com o envolvimento dos jovens que, futuramente, vão assumir os lugares de lideranças também”, explicou Marília Souza, jornalista do projeto e responsável por ministrar os cursos de formação.

Novas oportunidades e vivências

A maioria dos participantes fazem parte de comunidades de agricultores e pescadores de Pacatuba, também da Aldeia Indígena Fulkaxó e do Território Quilombola Brejão dos Negros, em Brejo Grande. Jovens de Neópolis foram incluídos nas oficinas pela relação já estabelecida com o MPA nas comunidades, sendo mais um espaço de construção coletiva que futuramente serão aplicados nas lutas camponesas do Baixo São Francisco.

Para Renata Oliveira, do povoado Oitizeiro, em Pacatuba, o curso foi além do aprendizado esperado em comunicação.

“Eu me interessei pelo curso de comunicação popular porque sempre gostei da área e queria aprender mais sobre. No curso, aprendi coisas novas e que vou levar para a vida. Além do aprendizado, também conheci pessoas novas e pude trocar experiências com elas, o que tornou essa vivência ainda mais especial. Foi uma oportunidade muito importante para mim, e sou muito grata por ter participado. Espero que mais jovens tenham a oportunidade de fazer esse curso, porque ele realmente faz a diferença e proporciona muito aprendizado”, declarou Renata.

“Fazer o curso de comunicação foi abrir os olhos para o poder que as histórias do nosso povo têm. Não só aprendi teorias ou regras, aprendi a ouvir primeiro, a escutar o que a gente sente, o que a comunidade diz. Não é só falar bonito, é falar com verdade, com respeito, com o coração. É dar a voz a quem muitas vezes não é ouvido. Aprendi que a comunicação nasce da gente, do nosso jeito, da nossa cultura, da nossa terra. Levei do curso muito mais do que o conhecimento. Levei consciência, coragem de me expressar, e a certeza de que comunicar é, acima de tudo, cuidar do outro e fazer valer a nossa voz”, disse Maria Ivânildes Santos, do povoado Aracaré, em Pacatuba.

Coletivo de Comunicação Popular Lentes das Águas

Também foi previsto no projeto que o curso de comunicação popular gerasse como fruto um coletivo de comunicação. Hoje está ativo o Coletivo de Comunicação Popular Lentes das Águas, com a participação de alunos dos dois municípios, que auxiliam nas atividades do dia a dia do projeto e dentro das suas comunidades.

“Comecei a ter interesse pela comunicação para comunicar o meu olhar dentro da minha comunidade, com isso veio a iniciativa de olhar as coisas ao redor e poder registrar para deixar memória para que outras pessoas possam ver como eu imagino o mundo ao meu redor. Fazer parte do Coletivo de Comunicação Popular Lentes das Águas é poder mostrar para a sociedade que em nosso território tem riquezas que são nossas e que eles não podem simplesmente chegar e acabar com elas, porque aqui não é deles é nosso. Eu gostei muito do fato de o Povos das Águas ter tomado essa iniciativa de incentivar os jovens de nosso território a entender que a comunicação não é difícil, ela é possível”, comentou Aniely Santos, comunicadora do Quilombo Santa Cruz, no Território Quilombola Brejão dos Negros, em Brejo Grande.

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