Mês de junho encerra com mais uma atividade do projeto Caminhos para a Dignidade
Atividades vão continuar durante todo o mês de julho na Vila do Forró, proporcionando teoria e prática para os seus assistidos
O mês de junho vai terminando, mas o clima festivo e as oportunidades de mudança de vida continuam. O Projeto Caminhos para a Dignidade segue com as ações de produção e comercialização de comidas típicas juninas e geração de renda durante todo o mês de julho na Feira de Economia Solidária na Vila do Forró, na Orla de Atalaia, em Aracaju. A iniciativa, que une capacitação teórica e prática, busca transformar a vida de pessoas em situação de rua e migrantes.
Os assistidos do Projeto Caminhos para a Dignidade passam por cursos de capacitação profissional e, logo em seguida, colocam o aprendizado em ação com a comercialização de seus produtos. Nesse mês junino, os assistidos estão vendendo comidas típicas na Vila do Forró, mas já participaram também da Vila da Páscoa e Vila do Natal Iluminado.
O projeto teve início após um processo de escuta humanizada de demandas das populações vulneráveis. Uma Audiência Pública, realizada pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), em 2023, reuniu pessoas em situação de rua e migrantes para debater com representantes de instituições públicas e entidades da sociedade civil organizada. De acordo com o procurador do Trabalho, Adroaldo Bispo, a união de esforços é o que garante a eficiência e a sustentabilidade das ações.
"Nós nos reunimos e pensamos nesse projeto, para que fosse garantido a essas duas populações tanto a qualificação profissional, como a empregabilidade, seja a partir de um registro em carteira ou a partir de uma atividade empreendedora. Não temos a menor dúvida que é a partir do trabalho, junto com a moradia, que eles realmente passarão a ter uma mudança de vida e o retorno à atividade produtiva e retorno àquela condição de cidadão. Vamos passar do assistencialismo e, junto com o assistencialismo, levar dignidade para a pessoa humana a partir da qualificação e inserção no mercado formal de trabalho”, afirmou o procurador.
Esse é o caso de Simone Gonçalves, que veio de São Paulo para Aracaju e enfrentou a dura realidade das ruas antes de ter sua vida transformada. "É gratificante estar fazendo essas comidas juninas aqui e levar para a orla para comercializar. Não só eu, como outros moradores de rua que já passaram pelo curso, hoje em dia estão trabalhando, outros estão na sua casa própria. O curso está abrindo vagas de emprego e várias oportunidades para a população de rua trabalhar", disse Simone.
Luiz Evandro também está em busca da sua estabilidade financeira. Após seis anos vivendo em situação de rua na capital sergipana, ele conseguiu uma saída por meio do projeto Banho para Todos e, posteriormente, qualificou-se pelo projeto Caminhos. "Minha vida se transformou. Antes, eu estava numa vida tão desastrada. Foi quando eu conheci esse projeto e hoje eu me tornei uma outra pessoa. Antigamente eu não tinha 1 real no bolso, hoje eu já me encontro com um salário, e vou buscar até mais, com fé em Deus", relatou Evandro.
Para os migrantes, as barreiras são ainda maiores. Aprender um novo idioma e entender a cultura local são desafios que Leila Arellano conhece bem. No Brasil há três anos com o marido e a filha, ela encontrou no projeto o apoio que precisava. "Aprendi muitas coisas, o que é o milho, bolo de macaxeira, comemos coisas muitos diferentes. Gostei muito porque é tudo diferente. O projeto é uma oportunidade muito grande para a gente. Por conta do idioma, eu não estou trabalhando. Mas com a ajuda do projeto Caminhos, a gente começou a trabalhar e ter uma renda", explica Leila.
A coordenadora do Projeto Cirineus, Evânia Andrade, destacou como o Projeto Caminhos para a Dignidade promove autonomia para os seus assistidos. "Todos que participam do projeto começam a ter autonomia. Eles ganham uma bolsa, que vem da produção do que é vendido aqui no evento e podem, através do que aprenderam no curso, começar a vender para eles mesmos. Quem participou do curso já conseguiu vender comidas típicas no mês de junho, já produziram alimentos para vender nos eventos da Páscoa e, também, nos eventos do Natal", finalizou a coordenadora.