FLUTUANTE 970 250 ALESE JUNHO
Aracaju (SE), 01 de junho de 2026
POR: Governo de Sergipe
Fonte: Governo de Sergipe
Em: 01/06/2026 às 15:00
Pub.: 01 de junho de 2026

Perímetros irrigados do Governo de Sergipe impulsionam produção de alimentos típicos do São João

No Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, produtores se organizaram para ampliar a oferta de milho, amendoim e macaxeira durante o período junino, uma das épocas de maior demanda do ano
Perímetros irrigados do Governo de Sergipe impulsionam produção de alimentos típicos do São João - Foto: Erick O'Hara/Governo de Sergipe

Ao longo de três anos e meio, o Governo do Estado tem investido no fortalecimento da agricultura dos cinco perímetros irrigados de Sergipe  (são seis, ao total, sendo cinco com vocação agrícola e um com vocação pecuária), a fim de impulsionar, entre outras culturas, a produção de milho verde, macaxeira e amendoim, especialmente com a aproximação do período junino e o aumento da demanda turística no estado nesta época do ano. 

Dados da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), apontam que a produção do milho irrigado deve crescer entre 12% e 15% este ano, alcançando cerca de oito mil toneladas, o equivalente a 24,2 milhões de espigas. Quanto à macaxeira, entre janeiro e março de 2026, a produção foi de 909,6 toneladas, volume 9,3% maior que o mesmo período de 2025. A produção de amendoim deve manter a tendência de alta ao longo de 2026, sendo que, nos primeiros três meses deste ano, a produção somou 242,3 toneladas, crescimento de 4,3% sobre o mesmo período do ano passado. 

O agricultor Antônio Barbosa, de 23 anos, é morador do Povoado Brejo, em Lagarto, e sua propriedade integra o Perímetro Irrigado Piauí, o que, segundo ele, garante maior segurança para o plantio durante o verão. “A irrigação tem sido fundamental na produtividade. Em períodos comuns, a produção gira em torno de dez toneladas de milho, com faturamento médio de cerca de R$ 20 mil. No São João, a demanda dobra e a comercialização fica entre 30 e 40 toneladas, aumentando para até R$ 50 mil”, especificou, ao acrescentar que, depois do São João, o mercado volta à normalidade, mas a produtividade segue ao longo do ano graças à irrigação. “O acesso à água do sistema é essencial para garantir a continuidade da produção”, completou. 

O produtor Genivaldo de Azevedo destacou os avanços proporcionados pelo perímetro irrigado na agricultura familiar da região. Numa área de quatro tarefas (pouco mais de um hectare), ele cultiva, atualmente, macaxeira e amendoim, mas disse que a irrigação permitiu ampliar significativamente a diversidade de culturas ao longo do ano. No caso da macaxeira, o produtor disse que o ciclo é mais longo, variando entre oito e dez meses, e que uma tarefa pode render cerca de mil quilos do produto. Atualmente, o quilo da macaxeira é comercializado por cerca de R$ 1,50, ainda na roça, gerando para o produtor uma renda aproximada de R$ 10 mil no período junino. Ele também destacou a importância de programas governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que adquire do pequeno agricultor os insumos que são distribuídos. “O perímetro irrigado mudou completamente a nossa realidade. Além do período junino, outro fornecimento que merece destaque é o programa do governo, o PAA. Vendemos quase toda a nossa produção de macaxeira para o governo”, frisou.

O agricultor Adelmo Bispo da Silva, de 40 anos, também de Lagarto, comemora os avanços trazidos pelo perímetro irrigado. Dono de uma propriedade de um hectare e meio no município, ele cultiva amendoim, batata-doce, milho verde, maracujá e quiabo. Segundo ele, a chegada da irrigação transformou completamente a realidade das famílias produtoras. “Melhorou cem por cento”, reconheceu. 

O produtor destaca que a procura pelo amendoim cresceu significativamente, fazendo a produção praticamente dobrar, antes mesmo do início do mês de junho. Adelmo revelou que, antes do São João, a média de venda ao mês é de 30 a 40 toneladas, enquanto que, na época junina, o volume pode chegar a 100 e até 120 toneladas. “O amendoim continua sendo a principal cultura da minha propriedade e a principal fonte de renda da família. Moramos aqui e comercializamos a produção na Ceasa de Sergipe, em Aracaju. Sem a irrigação, seria mais complicado”, reconheceu.

Vendas

Conhecido como Gago do Amendoim, o comerciante Sebastião Santos de Souza mantém, há mais de 30 anos, a tradição familiar de um ponto de venda na Ceasa. Segundo ele, a oferta de amendoim neste ano está maior em comparação ao ano passado, impulsionada pela boa produção agrícola e pela demanda das festas juninas. “Graças a Deus, não vai faltar amendoim para ninguém”, afirmou, revelando, ainda, que, somente na véspera de São João de 2025 foram comercializados cerca de 1.500 sacos de amendoim, volume equivalente a um caminhão e meio do produto. A expectativa para este ano é repetir ou até superar as vendas.

Há mais de três décadas trabalhando exclusivamente com milho na Ceasa de Aracaju, o comerciante Tarcísio dos Santos afirmou que o período junino representa a fase mais lucrativa do ano para o setor. Ele revelou que a irrigação e o acesso ao crédito rural permitiram crescimento contínuo da produção. “Nunca houve escassez, sempre houve aumento de produção por, pelo menos, quatro anos”, destacou.

Em dias comuns, em meses que antecedem o período junino, como em maio, Tarcísio disse que comercializa cerca de cinco mil espigas. Durante o São João, esse número pode facilmente ultrapassar dez mil unidades diárias. O aumento nas vendas chega a, aproximadamente, 90%, impulsionado pela procura de consumidores, mercados, delicatessens, escolas e estabelecimentos comerciais. “É como um décimo terceiro para o comerciante de milho”, comparou.

O comerciante Jackson Acioli Nascimento Filho, conhecido como Jackson do Inhame, espera que a comercialização de macaxeira cresça ainda mais. “No ano passado, chegamos a vender entre duas e quatro toneladas por dia. Ainda no mês de maio, chegamos a trazer menos mercadoria porque a saída ainda não havia aumentado, mas acreditamos que o comércio dará uma aquecida”, pontuou. 

Comparativo

O estado de Sergipe conta com cinco perímetros irrigados voltados à produção agrícola: Califórnia (Canindé de São Francisco), Jacarecica I (Itabaiana), Jacarecica II (entre Areia Branca, Malhador e Riachuelo), Poção da Ribeira (Itabaiana) e Piauí (Lagarto). Em 2025, eles produziram 7.110,5 toneladas de milho, volume 13% superior ao registrado em 2024. Parte significativa da safra é destinada às festas juninas, período em que a expectativa é ultrapassar cinco milhões de espigas colhidas. Além do abastecimento do mercado sergipano, a produção também é comercializada em estados vizinhos, como Alagoas e Bahia.

Outro produto que se expandiu foi a macaxeira irrigada. Entre 2023 e 2025, eles produziram 11.636,8 toneladas da raiz, numa área de 611,46 hectares, movimentando cerca de R$ 22,9 milhões. Segundo a Coderse, fatores como irrigação, solo fértil e altas temperaturas favorecem o desenvolvimento da cultura, permitindo colheita em até 180 dias.

Já o amendoim irrigado tem uma trajetória de crescimento e valorização no estado. Em 2025, os agricultores produziram 870,3 toneladas, avanço de 9,5% em relação a 2024. O valor estimado da produção chegou a R$ 5,3 milhões, aumento de 20%.

Além do crescimento da produção agrícola, os perímetros irrigados também fortalecem outras cadeias produtivas. No caso do milho, restante da colheita é utilizada na fabricação de silagem para alimentação animal, contribuindo para a pecuária leiteira em propriedades próximas às áreas irrigadas. Já no amendoim, etapas como seleção, beneficiamento e cozimento agregam valor ao produto antes da distribuição para feiras e mercados. 

Com crescimento sustentado nas principais culturas tradicionais do período junino, a agricultura irrigada segue ampliando a geração de emprego, renda e abastecimento alimentar em Sergipe.

Abastecimento

A Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa), em Aracaju, já registra aumento no movimento de comercialização de produtos típicos da época, como milho, amendoim e macaxeira. De acordo com o gestor da unidade, Roberto Marques, a expectativa é de crescimento nas vendas em 2026, impulsionada pela produção agrícola irrigada e pela tradição das festas de São João no estado.

Segundo ele, os preços tiveram reajuste moderado em relação ao ano passado, variando entre 10% e 12%. Apenas no início de maio, a Ceasa recebeu cerca de 45 mil quilos de milho, o equivalente a aproximadamente 142 mil espigas comercializadas no período. Municípios como Lagarto, Malhador e Riachuelo concentram parte da produção de milho destinada ao abastecimento do mercado sergipano. “Além de a produção local ser fortalecida pelos perímetros irrigados mantidos pelo Governo do Estado, a entrega de sementes no período adequado e o suporte técnico aos agricultores contribuíram diretamente para o bom desempenho da safra deste ano”, informou.

Além do aumento na movimentação comercial, a Ceasa também ampliou a geração de empregos temporários durante o período junino. A administração registrou crescimento de 20% no cadastro de carregadores, em comparação com 2025. Atualmente, o espaço reúne cerca de 291 permissionários e passa por investimentos em infraestrutura e segurança coordenados pela Coderse.

Entre as melhorias implantadas na Ceasa citadas pelo gestor estão a ampliação do sistema de monitoramento com câmeras de alta resolução, reforço na limpeza e coleta de resíduos e o anúncio de obras de reestruturação da pavimentação da Ceasa, previstas para começar após o período junino.

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