SEBRAE -Semana do Mei - 1000_313 - maio
Aracaju (SE), 28 de maio de 2026
POR: Comunicação Povos das Águas
Fonte: Comunicação Povos das Águas
Em: 28/05/2026 às 08:47
Pub.: 28 de maio de 2026

Tecnologias sociais surgem como alternativa para a falta de acesso a água potável no Baixo São Francisco

Tecnologias sociais surgem como alternativa para a falta de acesso a água potável no Baixo São Francisco - Foto: Comunicação Povos das Águas

O acesso à água potável ainda é um desafio para muitas famílias das comunidades tradicionais do Baixo São Francisco. Em localidades como Brejo Grande e Pacatuba, moradores convivem diariamente com água imprópria para consumo e com os impactos da degradação do Rio São Francisco, que afeta diretamente atividades como a pesca, a agricultura e a mariscagem.

Diante dessa realidade, entre os dias 16 e 19 de abril, a equipe do Projeto Povos das Águas, realizado pela Associação dos Pequenos Agricultores do Estado de Sergipe (APAESE), com o apoio do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, participou junto a famílias das comunidades de Brejo Grande e Pacatuba de um intercâmbio no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), em Juazeiro (BA).

Durante a programação, os participantes conheceram tecnologias sociais voltadas ao reuso da água e práticas agroecológicas adaptadas à realidade do semiárido. As experiências apresentadas demonstram formas eficientes de reaproveitamento das águas domésticas, permitindo a produção de alimentos e fortalecendo a autonomia das famílias mesmo em contextos de escassez hídrica.

“A gente compreende que até hoje no campo ainda é um grande desafio o saneamento rural e, dentro desse eixo de tratamento de esgoto e reuso agrícola, o projeto vem contribuir no saneamento rural das comunidades rurais, tradicionais e camponesas, trabalhando a partir de tecnologias sociais. O intercâmbio é uma ferramenta pedagógica, onde as pessoas conhecem a partir da experiencia existente no território. Outro elemento central que trazemos é a soberania hídrica. Tudo que a gente viu no intercâmbio está interligado com as lutas dos povos tradicionais, dos camponeses para conquistar a soberania hídrica. Que é uma luta pelo acesso à água para fazer a gestão, compreendendo que a água não é mercadoria, é um bem comum dos povos”, contou Elielma Vasconcelos, coordenadora pedagógica do projeto.

Com atuação consolidada no semiárido brasileiro, o IRPAA é reconhecido por desenvolver tecnologias sociais voltadas à convivência com a seca, unindo conhecimento técnico e saberes populares.

“O IRPAA, que fez 36 anos, trabalha a proposta de convivência com o semiárido, que é um paradigma novo frente ao combate à seca que prevaleceu por tantos anos, que causou tanto atraso e demora da garantia de direitos sociais. Visitamos o Centro de Formação Dom José Rodrigues, e nosso percurso foi focado no saneamento rural e nas tecnologias de reuso de água, que é um tema latente ao meio rural”, disse André Rocha, colaborador do IRPAA que acompanhou a equipe durante o intercâmbio.

Para Roseli Santos, moradora do povoado Tigre, em Pacatuba, conhecer as tecnologias trouxe esperança para a realidade das comunidades. “Foi uma experiência incrível, conheci muita coisa nova e me chamou a atenção o sistema da fossa e como as famílias conseguem manter hortas e outros espaços de plantações com essa água de reuso. É uma experiência que eu ficaria muito feliz em ter na minha casa”, afirmou.

Como desdobramento da ação, o Projeto Povos das Águas inicia a implementação de sistemas de reuso de água em comunidades de Brejo Grande e Pacatuba. Ao todo, 50 famílias serão beneficiadas diretamente com estruturas adaptadas à realidade local, fortalecendo a segurança alimentar e ampliando as condições de permanência nos territórios.

“Seguindo o cronograma idealizado pelo projeto, após o intercâmbio, que foi essa experiência rica para nós e para as famílias, agora é hora de colocar a mão na massa. Vamos ter a formação com os pedreiros das próprias comunidades, que serão responsáveis pelas construções dos sistemas”, relatou João Luiz, técnico de campo do projeto e responsável pelo andamento da ação.

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque


Notícias Indicadas

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação