"Meu Amigo Lorenzo" estreia em Aracaju nesta quinta, 21
Documentário sobre autismo e música terá sessão debate no próximo sábado, às 18h30, no Cinema do Centro
Aracaju entra no roteiro de um dos documentários brasileiros mais sensíveis dos últimos anos. ‘Meu Amigo Lorenzo’, dirigido por André Luiz Oliveira, chega à capital sergipana nesta quinta, 23, com uma programação especial que inclui sessão com legendas acessíveis, debate aberto ao público e a presença da musicoterapeuta Clarisse Prestes. As exibições acontecem no Cinema do Centro (@cinemadocentro) e integram o Circuito Inclusivo Petrobras, iniciativa nacional que promove a circulação de obras com temáticas sociais e ações concretas de acessibilidade.
Com 96 minutos e classificação livre, o documentário acompanha ao longo de 15 anos a relação entre o diretor André Luiz Oliveira e Lorenzo Barreto, jovem autista, a partir de sessões de musicoterapia conduzidas por Clarisse Prestes. O que começou como um simples convite para registrar esses encontros se transformou em algo raro no cinema brasileiro: um acompanhamento íntimo e continuado de uma vida — da infância à juventude —, revelando a musicalidade de Lorenzo, suas formas próprias de comunicar e sua trajetória de desenvolvimento e autonomia.
Sem narrações explicativas ou condução didática, o filme aposta no olhar direto e no tempo como matéria narrativa. A música, ali, não é apenas ferramenta terapêutica — é linguagem, é vínculo, é o fio que une todos os personagens da história.
O reconhecimento veio também de fora do Brasil: Meu Amigo Lorenzo recebeu o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Festival Primavera do Cine, em Vigo, na Galícia, confirmando uma obra que atravessa fronteiras e interessa a públicos muito além do universo do autismo.
Clarisse Prestes
A grande atração da passagem do filme por Aracaju é a presença de Clarisse Prestes, musicoterapeuta e um dos pilares da história contada pelo documentário. Não se trata de uma convidada externa ao filme — Clarisse é parte constitutiva dele. Foi ela quem abriu as portas das sessões com Lorenzo para a câmera, ela quem construiu, ao longo de anos, a relação terapêutica que o filme acompanha com tanta delicadeza.
Tê-la no debate, de acordo com os produtores, é uma oportunidade rara de ouvir, em primeira pessoa, como se dá o trabalho da musicoterapia com pessoas autistas, o que significa acolher sem explicar, e de que forma a câmera e a música coexistiram naquele espaço de cuidado por mais de uma década.
Distribuição
A circulação de Meu Amigo Lorenzo faz parte de um projeto aprovado entre mais de 8 mil inscritos no último edital cultural da Petrobras — um dos 140 selecionados. A proposta é uma distribuição independente e regionalizada, que passa pelas capitais Recife, João Pessoa, Aracaju, Maceió, Fortaleza, Palmas, Cuiabá e Goiânia. Uma aposta deliberada em levar o cinema brasileiro a territórios que o circuito tradicional frequentemente ignora.