Socorro sedia, pela segunda vez, a Mostra Albertina Brasil de Artes sem Barreiras
Evento reuniu profissionais da saúde mental, especialistas nacionais e internacionais e fortaleceu o debate sobre inclusão, acessibilidade e cuidado em liberdade
A Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), realizou nesta quarta-feira, 13, a XIX Mostra Albertina Brasil de Artes sem Barreiras. O evento aconteceu no Centro Cultural Gilson Prado, na sede do município, e reuniu profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialistas, artistas e convidados de diversas regiões do Brasil e da América Latina para discutir saúde mental, acessibilidade, arte e políticas públicas inclusivas.
Realizada pela segunda vez consecutiva em Socorro, a Mostra integrou as ações alusivas à luta antimanicomial, celebrada nacionalmente no próximo dia 18 de maio, e contou com palestras, rodas de conversa, apresentações culturais e exposição de trabalhos produzidos por usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
De acordo com o coordenador de Saúde Mental do município, Cleston Soares (Blade), o encontro representa um importante espaço de aprendizado e fortalecimento das práticas desenvolvidas no território. “Receber novamente a Mostra Albertina Brasil em Socorro é motivo de orgulho para todos nós. Este é um momento de troca de experiências, de aprendizado e de fortalecimento do cuidado em saúde mental. Reunimos aqui profissionais de diferentes áreas que atuam diariamente nos equipamentos da rede, além de palestrantes de referência nacional e internacional, para discutir inclusão, acessibilidade e estratégias de cuidado humanizado”, destacou.
Blade também ressaltou a importância das exposições artísticas presentes no evento. As peças expostas foram confeccionadas por usuários dos Caps durante oficinas terapêuticas e atividades de geração de renda desenvolvidas nas unidades.
Referência nacional em saúde mental
Uma das convidadas da programação foi a psiquiatra, escritora e professora Ana Pitta, referência nacional na reforma psiquiátrica brasileira e homenageada pelo município com o nome do Caps AD Ana Pitta, localizado no bairro Marcos Freire I.
Durante sua participação, Ana relembrou a trajetória de Socorro na consolidação das políticas públicas de saúde mental e destacou o protagonismo do município no processo de desinstitucionalização em Sergipe. “Socorro é um ícone da reforma psiquiátrica brasileira. A cidade construiu uma trajetória marcada pelo cuidado em liberdade, pela inovação e pela acolhida às pessoas em sofrimento psíquico. É emocionante acompanhar, ao longo dos anos, o fortalecimento dessa rede e perceber que o município continua investindo em políticas públicas humanizadas”, afirmou.
Debate internacional sobre inclusão
A programação também contou com a participação do uruguaio Martin Nieves, que abordou as políticas inclusivas na América Latina e elogiou as experiências desenvolvidas em Sergipe. “Já conhecíamos a trajetória de Sergipe na relação entre arte e saúde mental, mas ver de perto o trabalho realizado nos Caps e a integração entre cultura, cuidado e inclusão é algo muito significativo. É uma experiência inspiradora”, ressaltou.
Além das palestras, o público acompanhou debates sobre acessibilidade comunicacional, construção do projeto terapêutico singular, cidadania e desafios do cuidado em saúde mental.
Cuidado humanizado
A oficineira de artes do Caps Infantojuvenil São Domingos Sávio, Lauremberg Matos, destacou a importância do encontro para o aprimoramento do trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes. “É uma oportunidade muito rica de aprendizado e troca. A saúde mental exige um olhar individualizado e humano. Precisamos pensar o sujeito além dos rótulos e fortalecer práticas de cuidado que valorizem a escuta, a inclusão e a singularidade de cada pessoa”, comentou.
Quem também participou da Mostra pela primeira vez foi a supervisora institucional do Caps AD Ana Pitta, Ellen Freire. “É um evento extremamente potente, que promove reflexões importantes para o cotidiano dos serviços. A Mostra reforça a necessidade de enxergar o outro como sujeito de direitos e de ampliar cada vez mais os espaços de inclusão e cuidado”, afirmou.
Programação cultural e acessibilidade
A XIX Mostra Albertina Brasil de Artes sem Barreiras contou ainda com apresentações culturais de artistas e grupos de diferentes estados, entre eles Marília Mangueira, Tambores do Sertão, Cia Loucurarte, Cia Nosso Jeito, Solidariedança e ADFEGO.
O evento teve apoio e realização da Federação Nacional de Arte Albertina Brasil, Mostra de Cultura Albertina Brasil, Cultura Viva, Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), Sistema Nacional de Cultura (SNC), Programa Funarte Ações Continuadas, Ministério da Cultura e Governo Federal.