UFS reconhece trajetória de Ana Côrtes e Bosco Rolemberg com Doutor Honoris Causa
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) realizou, na tarde da última segunda-feira, 26, a solenidade de entrega dos títulos de Doutor Honoris Causa a João Bosco Rolemberg Côrtes e Ana Maria Santos Rolemberg Côrtes. O evento aconteceu no Auditório Libório Firmo, no prédio da Reitoria, no Campus de São Cristóvão, e reuniu autoridades, familiares, servidores, estudantes e representantes de movimentos sociais.
A homenagem reconhece duas trajetórias profundamente ligadas à história da resistência à Ditadura Militar no Brasil, à luta pela democracia e à construção de políticas públicas voltadas à justiça social. Militantes históricos, Ana e Bosco tiveram suas vidas marcadas pela atuação política, pela organização popular e pela defesa intransigente dos direitos humanos.
Durante a solenidade, o professor André Maurício, reitor da UFS, destacou o simbolismo da homenagem. Segundo ele, a trajetória de Ana e Bosco representa a defesa inegociável da democracia e a importância da memória histórica.
“São pessoas que tiveram suas vidas interrompidas, foram presas e torturadas simplesmente por defender a democracia. Manter essa história viva é fundamental para que a universidade reafirme, todos os dias, que democracia não se discute. Além disso, suas trajetórias são exemplo de uma atuação comprometida com o pensamento crítico, com os sistemas públicos e com a construção de uma sociedade mais justa”, afirmou.
Emocionado, João Bosco Rolemberg, que falou em nome de sua esposa, por motivo de saúde, ressaltou o caráter coletivo da honraria.
“É um momento de muita alegria e orgulho, não apenas pelo reconhecimento pessoal, mas pelo gesto da universidade em defesa da verdade, da memória, da justiça e da democracia. Em tempos de ameaças ao pensamento crítico e à autonomia universitária, conceder a maior honraria a dois militantes históricos é um ato de coragem. Este título não é um mérito individual, mas de toda uma geração que, com ousadia e coragem, reagiu em defesa de seus ideais e sonhos”, declarou.
Filha dos homenageados e servidora da UFS, Joana Côrtes destacou o significado histórico da solenidade. Para ela, o reconhecimento vai além do âmbito familiar.
“Essa celebração tem um sentido coletivo. Como servidora da UFS e como filha, é uma honra ter pais que dedicaram mais de 60 anos de suas vidas a projetos públicos de justiça social, democracia e solidariedade. Este título é também um ato efetivo de memória, verdade e reparação em um país que não realizou plenamente sua justiça de transição”, afirmou.
A proposta da concessão do título partiu do Departamento de Serviço Social (DSS/UFS). A professora Maria Cecília Leite explicou que a iniciativa surgiu durante as comemorações dos 70 anos do curso.
“Pensamos em homenagear pessoas que ajudaram a construir a história do curso e da vida política do nosso estado. Ana e Bosco foram estudantes de Serviço Social e tiveram uma atuação fundamental no movimento estudantil e na construção dos espaços políticos em Sergipe. A ditadura interrompeu trajetórias, retirou direitos e projetos de vida. Hoje, a universidade faz essa reparação histórica, não apenas para lembrar o passado, mas para dizer às novas gerações, de forma pedagógica e política, que a ditadura nunca mais deve se repetir”, ressaltou.