Prefeitura fortalece apoio à amamentação com capacitação de Agentes Comunitários de Saúde
A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), promoveu nesta sexta-feira, 14, uma roda de conversa com Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para fortalecer a atuação desses profissionais na promoção do aleitamento materno e no cuidado com a primeira infância. A iniciativa integra a programação do Agosto Dourado e reuniu profissionais para atualização de conhecimentos, troca de experiências e discussão de estratégias que possam ser aplicadas nos territórios.
De acordo com a assessora estratégica das linhas de cuidado, Elídia Domingos, o envolvimento dos ACS é essencial no acompanhamento das famílias. Ela detalha que os agentes têm contato direto com os pacientes e pessoas da comunidade. Diante do envolvimento com os diversos contextos familiares, estes profissionais são o principal ponto de contato da população com as ações e serviços de saúde.
“Trazer o agente comunitário de saúde para perto da gestão e das equipes faz com que a gente evidencie o protagonismo desse profissional e ofereça informações pertinentes para que ele possa atuar de forma qualificada no território. Ele tem um papel fundamental na vinculação da criança e da família aos serviços de saúde, sendo muitas vezes o primeiro contato com a rede”, destacou Élida.
Durante o encontro, foram abordadas orientações sobre amamentação, identificação de dificuldades e possíveis complicações, além da importância do acolhimento às gestantes e lactantes. A médica pediatra da SMS, Danielle Moisés, ressaltou que os profissionais precisam estar preparados para escutar dúvidas, dificuldades e angústias das mães, além de reconhecer situações que demandem avaliação de enfermeiros ou médicos.
“A gente precisa identificar onde está essa barreira. Saber se é uma barreira orgânica, física, cultural ou emocional. Muitas vezes, essa mãe está desamparada, sem uma rede de apoio, cansada. Tudo isso dificulta a amamentação”, ponderou.
A assessora técnica da Saúde da Mulher, Vanessa Simões, destacou que a capacitação também teve como propósito reforçar a importância e promover o estímulo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses.
“A amamentação não acaba na introdução alimentar. O desafio é grande, principalmente quando se está vivendo a experiência pela primeira vez. Muitas acham que não produz leite o suficiente, outras querem recorrer a fórmulas, entre outros fatores. É fundamental que eles conheçam os benefícios para a criança e também para a mãe, para que possam levar essas informações às famílias durante as visitas”, explicou.
Para quem atua diretamente nos territórios, a atualização contribuiu para qualificar as orientações oferecidas às famílias. Erivalda Pereira, que atua no território da UFS Roberto Paixão, bairro 17 de Março, avalia que a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas de trabalho reforça a importância desse acompanhamento. “É muito lindo você ver aquela criança que estava morrendo de fome e você orientar a forma de amamentar, os cuidados principais, e ver aquela criança engordar. Para mim, é gratificante demais”, contou.
A capacitação também possibilitou a revisão de práticas e conceitos relacionados à amamentação. Também da USF Roberto Paixão, a ACS Marilene Santos compreende a necessidade de atualização permanente dos profissionais. “Apesar de a gente ter muitos anos de trabalho, sempre é bom estar se atualizando. As coisas vão mudando, e é bom estar informado, porque a gente está lá na ponta e precisa passar a informação correta e ajudar essas mães”, ressaltou.
Na vivência do território, o ACS Gilson Francisco de Jesus, da USF Manuel de Souza Pereira, no bairro Jabotiana, destacou as mudanças nas orientações sobre a pega durante a amamentação e ressaltou a importância de combater mitos presentes nas comunidades.
“A medicina evolui e a gente também tem que estar se adequando. Diariamente encontramos muitos tabus, como o de que existe leite fraco, e a capacitação nos ajuda a contornar essa situação. Eu fazia orientação para que a mãe colocasse a mãozinha no seio em forma de V. Hoje, a gente coloca em forma de C, para facilitar a conexão da boca da criança com a auréola do peito da mãezinha”, relatou.
Com a iniciativa, a SMS busca fortalecer o protagonismo dos Agentes Comunitários de Saúde na promoção do aleitamento materno e no acompanhamento da primeira infância, período que compreende os primeiros seis anos de vida.
A estratégia amplia a capacidade das Equipes de Saúde da Família de orientar, acolher e identificar precocemente situações que possam interferir no desenvolvimento saudável das crianças e na experiência de amamentação das mães.