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Aracaju (SE), 04 de março de 2026
POR: Lotti e Calda Comunicação
Fonte: Lotti e Calda Comunicação
Em: 04/03/2026 às 10:04
Pub.: 04 de março de 2026

I Encontro Sergipano de Famílias T21

         Xô, solidão: Sergipe une famílias T21 em rede de afeto e informação
Com participação de referências na área, encontro fortaleceu a troca de experiências

I Encontro Sergipano de Famílias T21 / Foto: Divulgação

O auditório lotado, os abraços demorados e as conversas que se estendiam pelos corredores davam o tom do que seria o I Encontro Sergipano de Famílias T21. Não era um evento científico, a iniciativa cumpriu o seu objetivo de ser um espaço de acolhimento, troca e construção coletiva.

Realizado com a proposta de conectar famílias, profissionais e pessoas com Trissomia 21, o encontro marcou o início oficial da campanha de conscientização de 2026 em Sergipe, sob o lema “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!”. O evento aconteceu no último sábado, 28 de fevereiro, no auditório do Centro Médico Jouberto Uchôa.

Idealizado pela pediatra Kércia Alcântara, o encontro nasceu da necessidade de romper o isolamento que ainda atinge muitas famílias após o diagnóstico e mostrar a importância da inclusão para o desenvolvimento do T21. “Esse encontro nasceu de um propósito muito claro, que foi transformar o isolamento em pertencimento coletivo. Muitas vezes, as famílias e as pessoas com T21 se sentem sozinhas na jornada, e o que vimos ali foi a quebra desse ciclo”, destacou Kércia.

O evento reuniu especialistas de referência nacional e estadual, entre eles, o médico Zan Mustacchi, considerado uma das maiores autoridades do país na área, que abordou os fatores genéticos e ambientais relacionados à Trissomia 21. Além dele, participaram também o geneticista Emerson Santana, o pediatra Marco Valadares, a cardiopediatra Michelle Loyola e a psicóloga Araceli Matos, que compartilharam suas experiências no acompanhamento destas famílias em todo o estado.

A fisioterapeuta Roberta Mustacchi trouxe uma abordagem prática e sensível ao apresentar diversos casos que evidenciam a importância da fisioterapia desde os primeiros anos de vida. Ela explicou que crianças com T21 frequentemente apresentam hipotonia muscular, condição em que os músculos são mais flácidos, dificultando movimentos como segurar objetos ou caminhar com firmeza.

“A fisioterapia é essencial para fortalecer os músculos e melhorar a mobilidade. Exercícios físicos são recomendados para aumentar a resistência física e a postura”, destacou. Segundo ela, o acompanhamento adequado impacta diretamente na autonomia e na qualidade de vida ao longo dos anos.

Jovens que ocupam o próprio espaço

Se a ciência apontou caminhos, foram os próprios jovens com T21 que mostraram, no palco, a potência da inclusão vivida na prática. Natália Magalhães, 21 anos, emocionou o público ao apresentar um manifesto sobre trabalho e autonomia. Ao compartilhar sua trajetória, ressaltou a transformação em sua rotina a partir da autoconfiança e da capacitação para assumir responsabilidades.

“Não precisamos de pena, e sim de oportunidades, amizades verdadeiras, acolhimento e inclusão social. Com isso, a autonomia cresce, a autoestima aumenta e a solidão diminui”, afirmou. Ao final, deixou uma reflexão que ecoou no auditório: “Quantas pessoas com deficiência permanecem invisíveis? Quantos poderiam estar aqui ocupando um espaço, decidindo seu próprio caminho?” E finalizou ressaltando que não é impossível quebrar barreiras quando há respeito e inclusão.

Outra presença marcante foi a de Beatriz Casali, 26 anos, modelo e influenciadora que integra a agência Bauer e representa marcas locais e nacionais. Para ela, o apoio familiar foi determinante na realização do sonho profissional. “Acreditar é o primeiro passo para realizar. Eu desejo que a minha história seja a prova de que não existem limites para quem tem oportunidades”, declarou.

O protagonismo de crianças e jovens com T21 esteve presente em toda a programação. Da recepção dos convidados à composição da mesa e apresentações artísticas, reafirmando que inclusão não é concessão, mas direito à participação plena na escola, no trabalho e na vida comunitária.

Entre os relatos que traduzem o impacto do encontro está o de Andréia Sales Fernandes, mãe de Lucas, de 33 anos. Para ela, momentos como esse são fundamentais, especialmente para famílias que estão no início da jornada. “Mesmo hoje em dia, quando nasce uma criança com síndrome de Down, os pais ainda têm muitas perguntas e dúvidas. Tudo isso que aconteceu aqui é ensinamento para nós, pais de pessoas com T21, como serviu para mostrar à sociedade que os nossos filhos têm capacidade para fazer parte de tudo”, afirmou.

Lucas Fernandes tem uma vida comum como qualquer outro jovem da mesma faixa etária. Trabalha como hostess em uma grande rede de restaurantes, pratica esportes como a corrida e é faixa preta de jiu-jitsu. Além disso, também integra como fotógrafo profissional do projeto IncluZoom, há mais de cinco anos. Durante o encontro, ele atuou como fotógrafo oficial do evento.

Esporte, profissionalização e cidadania

Iniciativas implementadas em nosso estado, como o Projeto Estrela do Mar e o IncluZoom,
estiveram presentes ao encontro e destacaram como a inclusão, acolhimento e oportunidades contribuem para o desenvolvimento e socialização das pessoas com T21. O Estrelas do Mar é um projeto filantrópico que visa trabalhar a inclusão de pessoas com deficiência através da prática do bodyboarding.

Já o IncluZoom apresenta uma proposta de profissionalização por meio da fotografia. O projeto acolhe jovens com T21 e os capacita para atuar em eventos como shows musicais e apresentações de dança, além de exposições. A iniciativa amplia horizontes e demonstra que o mercado de trabalho pode, e deve, ser um espaço de diversidade e competência.

Uma rede que se fortalece

Para Suely Maria Magalhães Moura Rodrigues, presidente da Associação Sergipana do Cidadão com Síndrome de Down (Cidown), o evento alcançou plenamente seus objetivos. “Além das palestras, destacou-se a relevância da troca de experiências entre os participantes, aspecto particularmente significativo para os pais de crianças, que puderam acompanhar o protagonismo exercido pelos jovens ao longo de toda a programação”, avaliou.

Ela ressaltou o papel da entidade na promoção da inclusão social e da cidadania plena, por meio do compartilhamento de informações, do acolhimento às famílias e do fortalecimento da autodefensoria, instrumento fundamental para o desenvolvimento da autonomia.

A Dra. Kércia também destacou o impacto desse intercâmbio geracional. “Vimos mães de bebês que acabaram de receber o diagnóstico conversando com mães de jovens adultos que já estão no mercado de trabalho. Essa ponte traz esperança e segurança”, afirmou.

Construído em parceria com a Cidown, o encontro marcou o início de uma nova etapa para a comunidade T21 em Sergipe. “Quando temos o mesmo propósito, tudo se conecta e se transforma em algo maior. Sergipe mostrou que sabe cuidar e, principalmente, que sabe incluir”, concluiu Kércia.

 


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