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Aracaju (SE), 10 de abril de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 10/04/2026
Pub.: 10 de abril de 2026

Olhando a Igreja Hoje :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*

Pe. José Lima Santana - Foto: Acervo pessoal

Fala-se, pelo mundo afora, que os católicos somam cerca de 1 bilhão e 400 milhões de fiéis. Acreditam alguns estudiosos que o aumento em cerca de 300 milhões, nos últimos anos, deveu-se, em grande parte, à figura do Papa Francisco, com o seu jeito simples, franco e direto. Eu confesso que sou suspeito para falar sobre o Papa que foram “buscar no fim do mundo”, como ele o disse em seu primeiro pronunciamento como sucessor de São Pedro. O argentino deixou marcas indeléveis na cristandade. Que figura humana! Que santo homem o Espírito Santo deu à Igreja! 

É evidente que ninguém agrada a todos. Francisco não agradou a uma parcela conservadora dos católicos, que ainda teimam em ver uma Igreja hermética em si mesma, com o Papa entronizado, igual a um monarca deste mundo. “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36), disse Jesus a Pilatos. Nem todos querem entender as palavras do Nazareno. Querem uma Igreja triunfal, porém, triunfando como se fosse uma instituição dentre tantas outras deste mundo, poderosa, agarrada ao poder temporal. Refutam a Igreja sinodal, aberta aos seus fiéis, em diálogo com outras entidades religiosas, com os bispos sendo ouvidos, para apresentar as necessidades pastorais de suas dioceses etc. 

Por outro lado, a Igreja precisa de bispos que compreendam o seu clero e o seu povo, que ajam como pais e irmãos, apoiando e, ao mesmo tempo, corrigindo, na forma canônica. 

A Igreja tem crescido na África e na Ásia, mais do que nos outros continentes. A Europa há muito estagnou. A América está estagnando. No Brasil, a perda de fiéis vem se acentuando. Há quem diga que houve, contudo, uma certa estabilidade, nos últimos três, cinco anos, mais ou menos isso. 

Quais são as ações concretas que dioceses e paróquias estão levando a efeito, para melhorar a catequese, para anunciar a Palavra de Deus, para fazer o Evangelho de Jesus penetrar no coração das pessoas, como o orvalho que cai sobre as flores no silêncio das madrugadas?  Claro que há ações isoladas, aqui ou ali. Mas, é muito pouco. É preciso muito mais. E é preciso muito mais exemplos dignificantes da atuação de todo o clero. 

Como anda a formação dos seminaristas? E como estão chegando aos Seminários os jovens que buscam, em tese, a ordenação?  Como têm se comportado, em termos morais e de estudos, os jovens que almejam, por vocação, e não por mera atividade laboral, servir no presbitério? E eis o mote: SERVIR. Ele, o Mestre, disse: “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28 e Mc 10,45).  Que todos sirvam. Que dignamente, sirvam. 

O Papa Leão XIV tem uma missão grandiosa pela frente. Suceder ao Papa Francisco não seria para qualquer um. O norte-americano tem tudo para exercer o papado com maestria. Simples, bem-formado, buscando bom assessoramento, lúcido diante da missão e dos problemas que a Igreja enfrenta e enfrentará, não se escusando de dizer o que é preciso diante dos poderosos deste mundo, como aconteceu na semana passada quando ele contestou uma fala do “secretário da guerra” de Trump, contestando também o próprio presidente de seu país de origem. 

A resposta do governo norte-americano veio pelo Pentágono, que ameaçou o embaixador do Papa, cardeal Christophe Pierre, com um recado arrogante e despropositado: “Os EUA são livres para fazer o que quiserem, e a Igreja Católica que cuide das suas próprias regras”. O poder “absoluto” desse imbecil chamado Trump e de sua trupe nefasta, repete a arrogância de Josef Stalin, que perguntou: “Quantas divisões de exército o Papa tem”? Todo autoritário é igual. Todo imbecil se parece. 

Pela ascensão do bispo Robert Francis Prevost, do Peru a Roma, eu acho que o Papa Francisco o quis preparar para estar, um dia, no seu lugar. Foi o que aconteceu. 

Estamos completando o quarto Papa seguido de fora da Itália: um polonês, um alemão, um argentino e um norte-americano. Pois sim, a Igreja é universal, ou seja, católica, dispersa pelo mundo inteiro. 

Ah, alguns dizem, de forma ridícula, que o Papa Francisco dividiu a Igreja! Dividiu coisa nenhuma. Vozes ultraconservadoras, que desde o Concílio Vaticano II, não admitem os ventos novos soprando, não engoliram o Papa da simplicidade. Coitados! E têm insuflado, ou tentam insuflar, as pessoas através das mídias digitais, usadas de modo inescrupuloso.  Daqui a pouco, vão fazer o mesmo com Leão XIV. Aliás, há os que se denominam “sedevacantistas”, isto é, não aceitam os Papas pós-conciliares. Meu Deus! 

O que importa mesmo é que a Igreja possa crescer para cumprir a exortação de Jesus Cristo: “Ide pelo mundo inteiro” (Mc 16,15). Que ela vá, sem temer cobras ou escorpiões. 

*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.

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