Europa e Ásia Reagem a Trump :: Por José Lima Santana
José Lima Santana*
A Espanha deu o alerta. Trump tenta convencer os europeus, através da OTAN, para defender o estreito de Ormuz, que vem sendo bloqueado pelo Irã, e por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo do mundo. Mas, tanto os aliados europeus quanto os aliados asiáticos têm resistido em enviar navios, aviões e tropas ao golfo pérsico. Se enviassem, significaria que entravam em guerra, situação que ninguém mais quer.
A guerra foi fabricada por um sanguinário, o primeiro-ministro de Israel, que, segundo tem dito a imprensa, inclusive, com defecção no próprio governo Trump, enganou os ianques, arrastando-os para uma guerra, em que os assassinatos de líderes iranianos têm sido a tônica da sanha perversa de Benjamin Netanyahu, que tenta escapar da Justiça de seu país. E a guerra, claro, é um ótimo pretexto para desviar a atenção dos israelenses e do mundo para os problemas internos que ele enfrenta.
As reações europeias são muitas, contrárias aos interesses do endiabrado presidente norte-americano, que pensa que pode fazer tudo o que ele quer. Bem. Até certo ponto, pode mesmo. Não pode tudo contra todos, mas pode tudo contra os mais fracos, militarmente. Entretanto, de tanto querer, ele poderá cair do cavalo.
Enquanto Nini, o israelense, está de braços dados com o alaranjado ianque, a China, por exemplo, tudo assiste ao largo. A China, esta, sim, será o nó górdio, um dia, para os norte-americanos, para a quebra do poder desenfreado que eles ainda mantêm.
É bem verdade que o fechamento do estreito de Ormuz traz um problemão para o mundo. Inegável. Porém, o Irã jamais causaria esse problemão se não tivesse sido atacado pelos israelenses e pelos norte-americanos. Uma questão paroquial entre Israel e Irã, com o dedo furioso dos EUA, lascou com tudo.
Quem começou sua guerra, que acabe, deve ser o pensamento de europeus e asiáticos, aliados dos norte-americanos. As alianças são feitas por países, por governos, e não por pessoas que as fazem ou as querem desfazer, como é o caso do republicano mais enlouquecido da história da presidência dos States.
A guerra está aí, cada vez mais brutal. O regime iraniano dos aiatolás é sanguinário e merece o repúdio de todo o mundo. Todavia, há outros regimes iguais, ou quase, dos quais Washington é aliado, e, nem por isso, estão sendo atacados pelos ianques. Tudo é uma questão de geopolítica? Nem tanto. Há muitas mais situações debaixo dos panos do que supõe a nossa vã filosofia.
Acima, eu falei em defecção no governo Trump. Pois bem. Na terça-feira, 17, o chefe do setor de contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, renunciou ao cargo por divergências sobre a guerra do Irã. Ele disse que o regime do Irã não representava ameaça iminente, o que era uma justificativa do governo norte-americano para os ataques.
“Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje”, escreveu Kent. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representa nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”, acrescentou Kent.
Em outras palavras, Trump mentiu ao povo americano e ao mundo. Não é de estranhar, tratando-se de um sujeito com o perfil tão deformado quando o dele. Que o digam os arquivos do caso Epstein.
Na quarta-feira, dia 18, ele disse que os seus especialistas não o tinham alertado para o poder de reação do Irã. E na quinta-feira, pediria ao Senado um reforço orçamentário de 200 bilhões de dólares, para continuar a guerra. Ufa!
*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.