17 de fevereiro de 2020
POR: SSP/SE
Fonte: SSP/SE
Em: 17/02/2020 às 09h40

Perícia faz alerta sobre os riscos da ingestão descontrolada de anabolizantes no corpo humano


A ingestão inadequada pode levar a diversas doenças, inclusive câncer.


Perícia faz alerta sobre os riscos da ingestão descontrolada de anabolizantes no corpo humano (Foto: SSP/SE)

Perícia faz alerta sobre os riscos da ingestão descontrolada de anabolizantes no corpo humano (Foto: SSP/SE)


Os anabolizantes são um risco para a saúde pública. No verão, as academias ficam lotadas e a busca por um corpo definido leva várias pessoas a optarem por um caminho supostamente fácil, mas que pode gerar diversos danos letais para quem os ingere. Por isso, esses estão na mira das análises periciais feitas pelo Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF). Apenas no ano passado, mais de 16 mil comprimidos foram enviadas para a instituição. Além desses, mais de 2,1 mil ampolas foram recebidas no IAPF.


Segundo o levantamento feito pelo IAPF, durante todo o ano de 2019, a instituição recebeu 16.220 comprimidos para que fossem realizados os exames periciais. Em paralelo, o instituto recolheu 2.199 ampolas de anabolizantes. O material é analisado e, em seguida, são emitidos os laudos periciais.


Esses laudos fornecem informações sobre a composição química, produtos envolvidos no preparo dessas substâncias e quais os efeitos tóxicos eles podem causar no organismo humano. Essas informações serão encaminhadas para os inquéritos policiais que serão remetido para a Justiça.


Segundo o perito criminal, Carlos Eduardo, os anabolizantes podem ser utilizados de acordo com recomendação adequada feita pelos profissionais de medicina e da área de educação física. “Precisamos deixar claro que existe indicação terapêutica para esses medicamentos. No Brasil, existe algumas substâncias que são comercializadas sobre a forma de medicamentos injetáveis ou por via oral”, citou.


O perito explicou que os anabolizantes possuem a Testosterona como hormônio presente na fórmula. “A Testosterona é uma substância produzida pelo corpo humano tanto pelo homem, quanto pela mulher. Mas nos homens essa concentração é muito maior. Essa substância é responsável pelos efeitos masculinizantes e anabolizantes, buscados pelos jovens”, apontou.


“O uso correto, após uma avaliação médica, os anabolizantes são indicados para alguns tipos de doenças, a exemplo de atrofia ou perda da função muscular, caso de queimaduras e traumas. O grande problema é que as pessoas acabam buscando esses medicamentos para fins estéticos”, complementou Carlos Eduardo.


Há substâncias derivadas desse hormônio que já são encontradas para venda. “Hoje já existem diversas substâncias sintéticas que foram produzidas a partir da Testosterona e que apresentam um ganho muscular muito maior. Como em sua grande maioria não são comercializadas no Brasil, as pessoas vão buscá-las fora do país. A maioria das substâncias apreendidas é formada por medicamentos de possível origem estrangeira”, frisou.


Esses anabolizantes não passaram por testes que confirmaram a aptidão para serem utilizados. “Fazemos consulta ao banco de dados da Anvisa, porque é necessário o registro do Ministério da Saúde e esses medicamentos que vem de fora não o possuem. A partir do ponto que não tem o registro, não foi submetido a uma análise rigorosa sobre sua qualidade, os critérios exigidos para serem comercializados”.


Com a aplicação desses medicamentos de forma inadequada há diversos riscos à saúde. “Podem inclusive serem falsificados. É comum o desenvolvimento de agressividade, de dependência ao medicamento, no coração é comum o aumento de pressão arterial, arritmia, infarto, aumento do colesterol ruim. Pode causar trombose, câncer. Nos homens, impotência sexual, aumento das mamas, da próstata. Na mulher, é comum o crescimento de pelo, alteração do ciclo menstrual, infertilidade, mudança na voz”, alertou o perito.


“A automedicação pode levar à morte, por isso nossa recomendação é que essa prática não seja continuada, principalmente pelos jovens, que muitas vezes não tem a informação adequada. A busca pelo ganho muscular requer exercício e boa alimentação”, concluiu.

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