03 de setembro de 2018
POR: Almeida Lima
Fonte: Almeida Lima
Em: 03/09/2018 às 17h31

A saúde nua e crua - Parte III :: Por Almeida Lima


...Ademais, é fundamental ter clareza do ambiente a intervir. A carência de ações na atenção básica, tanto preventiva quanto curativa, em todos os nossos municípios, tem causado perplexidade e vexames...


Almeida Lima*


Almeida Lima - (Foto de arquivo: Rosevelt Pinheiro/Agência Senado)

Almeida Lima - (Foto de arquivo: Rosevelt Pinheiro/Agência Senado)

Apesar do caos em que vive, pode-se dar um jeito na saúde pública em Sergipe e, em pouco tempo, torná-la excelente. Já demonstrei que isso é possível, e, nos dois artigos anteriores (A saúde nua e crua – I) e (A saúde nua e crua – II) provei que dinheiro tem. Agora eu passo a apresentar, com fundamentos, uma política de saúde estruturada por regiões e por níveis de complexidade a partir da Atenção Básica, da Média Complexidade Ambulatorial e Hospitalar até a Alta Complexidade Hospitalar, incluindo-se as ações preventivas, curativas, de educação em saúde, de readaptação e de oferta de medicamentos. Ou seja, um projeto inteligente para acabar o sofrimento do povo, diferente da patifaria que Rogério Carvalho fez, e que agora está sendo feito pelo governador Belivaldo, atabalhoado e medíocre.


É claro que esse projeto depende de acordo a ser feito entre o estado e os municípios, após tramitação nas instâncias do SUS, e, só a partir daí, se tornará a expressão máxima do planejamento em saúde, com a divisão dos recursos do SUS e a forma de execução de todos os serviços de saúde nos municípios e nas regiões, a fim de abranger o atendimento a toda a população de maneira efetiva, organizada e facilitada.


Mas é imprescindível que essa nova política de saúde seja construída na forma aqui preconizada, por não se admitir planejamento e execução de ações de saúde de modo individualizado a partir do estado ou de cada município, isolados um do outro. Sabemos que essa postura autoritária e isolacionista foi introduzida pela arrogância de Rogério Carvalho, e ela faliu, deixando como consequência o caos e o sofrimento do povo.


Essa é uma proposta de planejamento estratégico e de execução coletiva, devendo-se levar em consideração circunstâncias e fatores que preponderam na tomada das decisões. Refiro-me, entre outros aspectos, ao território sergipano que é pequeno, com apenas setenta e cinco municípiose com suas sedes bem próximas umas das outras, daquelas que não chegam a 20km de distância; à falta de médicos em número suficiente nas diversas especialidades; e à falta de recursos financeiros para a contratação do quadro de especialistas, da estrutura física, dos equipamentos e aparelhos.


Ademais, é fundamental ter clareza do ambiente a intervir. A carência de ações na atenção básica, tanto preventiva quanto curativa, em todos os nossos municípios, tem causado perplexidade e vexames. Os programas de imunização da população e de controle dos parasitas e vetores não têm sido eficientes, tornando endêmicas, em nosso meio, as chamadas doenças tropicais negligenciadas. Até mesmo a sífilis está em processo de propagação pela precariedade dos programas de saúde da família que não realizam, com eficiência e controle, o pré-natal em todas as gestantes, ocorrendo inúmeros casos em que não se registra uma única consulta médica durante a gestação.


Bem mais vexatório acontece na Média e Alta Complexidades Ambulatorial e Hospitalar. Não há ordenamento; não há fluxos nem referenciamento; quase sempre não há serviços à disposição dos usuários. Filas e filas enormes para uma consulta, um exame, um tratamento ou cirurgia. Enquanto isso o povo morre à míngua, nessa indigência criminosa sem a assistência do estado. Afinal, essa foi a herança maldita decorrente de uma política inadequada patrocinada pelo então secretário Rogério Carvalho e que tem continuidade com Belivaldo Chagas. Como já afirmei, foram milhões e milhões de reais para o lixo por conta da mediocridade, irresponsabilidade e arrogância dessas figuras.


No próximo artigo apresentarei a equação final desta política de saúde pública para o estado de Sergipe.
 


*É advogado, ex-deputado estadual e federal, ex-prefeito de Aracaju, ex-senador e ex-secretário de Estado da Saúde de Sergipe.
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