Aracaju (SE), 04 de dezembro de 2020
POR: Assessoria de Imprensa Unit
Fonte: Assessoria de Imprensa Unit
Em: 20/07/2020 às 08h01
Pub.: 20 de julho de 2020

Carreira e sucesso: como uma decisão de mudar de curso revelou um dos mais promissores biomédicos do país


O curso de Biomedicina não era a primeira opção, mas uma decisão mudou a história do egresso da Unit que hoje faz sucesso na ciência. 


Biomédico Afonso Celso Silva Dórea (Foto: Assessoria de Imprensa Unit)

Biomédico Afonso Celso Silva Dórea (Foto: Assessoria de Imprensa Unit)


Da graduação do curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes, em Aracaju (SE), direto para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP). Essa foi a trajetória de sucesso de Afonso Celso Silva Dórea, construída à base de muito estudo, dedicação e uma boa dose de vocação. 


Atualmente, o biomédico Afonso Dórea é atua no laboratório da instituição de saúde e enfrenta uma desafiadora rotina diante da pandemia com uma abordagem indireta no trato com o novo coronavírus. “Isso acontece porque a detecção do próprio patógeno em amostras do trato respiratório são feitas por RT-PCR, realizada em um outro setor específico do laboratório, responsável pelos exames de biologia molecular. Ainda assim, contribuímos atuando na detecção de vestígios do contato do hospedeiro com o Sars-coV-2, realizando a pesquisa de imunoglobulinas por testes imunocromatográficos, o que permite uma melhor compreensão do estágio da doença em que o paciente se encontra. Esses exames, em conjunto com imunoensaio, marcadores bioquímicos, hematológicos e achados de imagem, quando somados, se tornam uma importante ferramenta para o diagnóstico, esse que forma um dos pilares da tríade do enfrentamento da Covid-19 pela saúde, juntamente com a área da assistência e a pesquisa”, conta Afonso.


O biomédico, egresso da Unit, confessa que o atual momento ainda é mais cercado por dúvidas que certezas. Segundo ele, um vírus totalmente novo, embora com alguma similaridade genotípica ao vírus causador da Sars, apresenta particularidades e coloca toda comunidade, médica e científica, em aprendizado, em tempo real, como ocorre a evolução natural da doença. “Por isso não é estranho que com o passar do tempo o perfil da enfermidade vá assumindo algumas mudanças, quando comparamos com as primeiras informações fornecidas no princípio de tudo. Aprende-se um pouco a cada dia. Os esforços científicos para compreender todas essas questões é tão intenso, que nem conseguimos dar conta de todo fluxo de informações que surgem a todo momento”, fala.


“Infelizmente a Covid-19 não facilita: apresenta um quadro de sinais e sintomas muitas vezes inespecíficos e que se confundem facilmente com a fase prodrômica de outras tantas infecções. Além disso, é possível perceber que se manifesta sob um espectro clínico bastante variável: qualquer pessoa testada positivo com quem você conversar vai relatar diferentes apresentações e evoluções dos quadros. Tudo isso por si só acaba exigindo, muitas vezes, diagnóstico diferencial. Por isso, é comum contribuirmos com a realização de painéis moleculares de patógenos respiratórios, que permitem detecção de diferentes vírus e algumas bactérias causadoras de pneumonias atípicas, além de testes rápidos para pesquisa de Influenza e Vírus Respiratório Sincicial”, completa.


Em análise, ele conta que apesar de muito se voltar a atenção para novo coronavírus, a microbiologia tradicional ainda se faz necessária em função, sobretudo, dos casos de pacientes internados. “Classicamente, o artifício da ventilação mecânica promove interferência nos mecanismos primários de defesa do trato respiratório, permitindo a oportunização de bactérias que podem vir a causar pneumonia bacteriana secundária, sendo a infecção hospitalar uma realidade das instituições de saúde. E nesse quesito, embora o mundo tenha parado diante da pandemia, o fenômeno da resistência bacteriana continua seu curso a todo vapor exigindo não tão somente a realização de culturas de amostras respiratórias, como secreção traqueal e lavado broncalveolar, aliadas aos testes de sensibilidade aos antimicrobianos, como a busca ativa pela disseminação de mecanismos de resistência através das culturas de vigilância”.


Para Afonso, um fato incontestável a respeito da pandemia é que a Covid-19, certamente, veio trazer mudanças. Não somente a forma de nos relacionarmos, a convivência dentro dos lares, e as dinâmicas de trabalho, mas segundo ele, há de servir também para impactar os hábitos sanitários e sobretudo nosso modo de conduzir a biossegurança nos diferentes procedimentos que realizamos rotineiramente.


“Tudo a partir de agora deverá ser repensado em hospitais e centros de assistência à saúde, partindo até mesmo de coisas menores como, por exemplo, a substituição em setores mais críticos de maçanetas por portas de abertura automática sem a necessidade de acionamento de botões ou outros recursos que exijam contato com as mãos: a palavra de ordem será minimizar meios de transmissão de microrganismos tão contagiosos. Medidas como essas sempre foram pensadas para centros de referência ou setores com níveis mais elevados de biossegurança, num contexto histórico em que era possível isolar casos pontuais de doenças bastante infecciosas a serem conduzidas para esses lugares”.


“Em cenários como o que estamos enfrentamos neste momento, a ameaça chega de todos os lugares, de todo tipo de paciente. Portanto, mudanças nesse âmbito não seriam um investimento exagerado mesmo diante de uma crise possivelmente temporária. Afinal, se existe a chance de que diante do presente contexto mundial outras pandemias dessa magnitude venham se tornar realidade, esta que estamos vivendo deve então ser encarada como um treinamento para enfrentamento de doenças até mesmo ainda mais complexas no futuro”, observa.


A mudança
A biomedicina não foi a primeira opção de carreira profissional, mas a mudança de área do conhecimento foi decisiva, não somente para Afonso, como também para Prof. Dra. Lívia Amorim, biomédica e docente da disciplina Microbiologia.


“Tive o privilégio de acompanhá-lo durante toda a graduação. Lembro claramente daquele aluno transferido de um curso que não era da área da saúde e o entusiasmo que tinha em buscar as respostas e conhecer mais o mundo da Biomedicina. Sempre foi muito dedicado, desde o primeiro momento. Sentava-se na frente da sala, tinha um caderno cheio de anotações, com várias perguntas que iria fazer durante aquela aula”, recorda.


Depois do segundo período, Afonso passou a atuar como monitor na disciplina de microbiologia básica. Avançou no curso e conquistou outras monitorias. Foi quando o laboratório 11, definitivamente, passou a ser sua segunda casa. “Juntos, nós fundamos a Liga Acadêmica de Microbiologia. Ele se tornou meu aluno de iniciação cientifica e o orientei no Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. Era pura determinação, habilidade, entusiasmo, estudo, um aluno que todo professor sonha em ter. Hoje, somos colegas de profissão. Muito orgulho ter feito parte de tudo isso”, celebra Lívia.


A professora e coordenadora do curso de Biomedicina, Patrícia Almeida, lembra de um dos primeiros e surpreendentes momentos de atuação do aluno. “Para o segundo período, eu ministrava a disciplina Embriologia e Histologia. Orientei sobre um trabalho para turma, uma pesquisa comum sobre junções intercelulares. Afonso deu um show com metodologias ativas quando nós nem trabalhávamos com metodologias ativas. Ele criou o tecido, fez uma maquete, mostrou as junções intercelulares com bolinhas de isopor pintadas de preto e apresentou como era que as junções intercelulares faziam com as células. Confesso que chorei de emoção por perceber a sua paixão pelo que fazia”, revela. 


Em um recente encontro virtual com os alunos do curso de Biomedicina da Unit, Afonso revelou que se lançou na primeira oportunidade de seleção para especialização na área de microbiologia no hospital Albert Einstein, inicialmente em ensino e depois para o hospital. “Fui sabatinado por uma equipe composta por médicos e patologistas. Falei da minha trajetória na academia e quando me questionaram sobre experiência, informei que estava saindo da graduação e que toda minha base foi na Universidade Tiradentes”, finaliza.

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