18 de fevereiro de 2019
POR: Gilberto Costa
Fonte: Agência Brasil
Em: 17/02/2019 às 08h00

Após tragédia no Ninho do Urubu, CTs são fiscalizados e interditados


Ex-goleiro convoca atletas a mostrarem condições dos alojamentos.


Centro de Treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, é vistoriado por autoridades (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

Centro de Treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, é vistoriado por autoridades (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)


Após a tragédia no Ninho do Urubu, que matou dez atletas da base do Flamengo, as autoridades passaram a se preocupar com a situação dos centros de treinamento de outros clubes brasileiros. Na última sexta-feira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou a interdição do Ninho do Urubu, em Vargem Grande (Barra da Tijuca) na zona oeste do Rio.


A interdição foi inicialmente pedida em 2017, mas não foi cumprida. Segundo o Ministério Público, o local só deve voltar a funcionar após cumprimento de exigências do Corpo de Bombeiros. O MP ameaça entrar na Justiça para interromper o uso das instalações do CT Jorge Helal, como é oficialmente chamado o Ninho do Urubu.


Três dias após a tragédia, um princípio de incêndio atingiu o alojamento da Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA), na Universidade da Força Aérea (UNIFA), no bairro da Sulacap, também zona oeste da capital fluminense. No momento em que houve o incidente, atletas do time sub-20 do Bangu repousavam. Por terem inalado fumaça, sete jogadores e um membro da comissão técnica receberam atendimento médico.


Vasco da Gama
Um dia antes da manifestação do Ministério Público contra o Flamengo, a prefeitura do Rio de Janeiro pediu a interdição do CT do Vasco da Gama em Vargem Pequena, na mesma região da cidade. A ordem de interdição foi entregue pela 5ª Gerência Regional de Licenciamento e Fiscalização do município.


O clube transferiu os treinamentos para o Estádio São Januário e cobrou a definição de um prazo para "adequação às demandas do órgão, sem a necessidade de impedimento de uso do local". O clube informou que o CT das Vargens é usado apenas como local de treinamento e não há alojamento para os atletas.


Portuguesa
Na última quinta-feira (14), a prefeitura de São Paulo interditou parte do CT da Associação Portuguesa Desportos, por falta de segurança nas instalações. Foram interditados os blocos onde funcionam a lavanderia e os vestiários do CT, localizado na Rodovia Ayrton Senna. Os alojamentos do local estão desativados.


A prefeitura de São Paulo notificou os clubes sobre a obrigatoriedade de manter todos os alojamentos dentro das condições adequadas. Também recomendou que as agremiações suspendessem imediatamente a utilização dos alojamentos caso não estivessem regularizados. Devem ser vistoriados os CTs do Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Nacional, Juventus e da Federação Paulista de Futebol.


Campanha
O ex-goleiro Getúlio Vargas Freitas de Oliveira Jr. está convocando jogadores, parentes e amigos de atletas de futebol e outras modalidades de esporte a enviarem fotos e vídeos que mostrem as condições de alojamentos nos clubes. “De repente alguém resolve fazer alguma coisa”, disse o atleta que já jogou no Flamengo (2002-2006), na Alemanha, em Portugal e na África do Sul.


As imagens estão sendo enviadas via WhatsApp (21 9673 30593) e exibidas no Instagram


Até o fechamento dessa reportagem, havia fotos e vídeos de dormitórios superlotados (30 pessoas em três quartos com dois banheiros); com colchão estendido sobre o chão; aparelhos elétricos ligados em tomadas sobrecarregadas; chuveiros elétricos com água escorrendo nos fios; banheiros imundos; bebedouro enferrujado, além de cozinhas sujas.


“O que eu tenho a falar sobre [as divisões de] base é a experiência que eu passei”, disse antes de descrever situações “precárias, ridículas e bizarras”, até em clubes de alto nível. Para o ex-goleiro, há alojamentos “em condições horríveis, terríveis ou perigosas” que colocam em risco muitos atletas.


Segundo Getúlio Vargas, as situações retratadas são “muito mais comuns do que vocês pensam”, com arranjos clandestinos, gambiarras ou “gatilhos” assemelhados ao que existem em periferias e favelas das cidades. “É igual lugar que a gente vive”, lamentou.


Edição: Carolina Pimentel e Luiza Damé

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