Aracaju (SE), 04 de dezembro de 2020
POR: Carla Passos
Fonte: Carla Passos
Em: 09/11/2020 às 11h03
Pub.: 09 de novembro de 2020

Um roteiro de trem pelo Norte da Itália e uma passadinha na Suíça :: Por Carla Passos


Saindo da França paramos em Turin, Florença, Verona, Veneza, Milão e Saint Moritz na Suíça.


Ponte Vechio, uma das vistas mais famosas de Florença (Foto: Carla Passos)

Ponte Vechio, uma das vistas mais famosas de Florença (Foto: Carla Passos)


Qual a melhor estratégia de conhecer várias cidades na Europa? A dica é tentar fazer o máximo possível de trem porque perde-se muito tempo com deslocamentos a aeroportos, que geralmente ficam muito longe do centro da cidade. Estações de trem sempre estão no centro e há diversas opções de hospedagem em hotéis nas proximidades. Antes de continuar o texto, segue um pequeno vídeo sobre a nossa rota pela Itália:


Sempre sonhei em conhecer Paris e o norte da Itália, então resolvi juntar os destinos em uma viagem só. De Paris, pegamos um tem para Lyon, no sul da França. Nos hospedamos em um hotel perto da estação de trem e passamos um dia na cidade, considerada a capital da gastronomia francesa. Seguimos para Turim, que entrou para a rota somente porque estava no meio do caminho entre Lyon e Florença, o destino que mais nos interessava na viagem.


Mas Turim foi uma grata surpresa! Capital de Piedmont, no norte de Itália, é conhecida pela sua arquitetura e gastronomia requintadas. Os Alpes elevam-se a noroeste da cidade. Imponentes edifícios de estilo barroco e cafés antigos estão em todos os lugares. Mas fique atento para que não deixe de ver o pináculo elevado da Mole Antonelliana, que é símbolo de Turim e que alberga o interativo Museu Nacional do Cinema.


Nâo esqueça de quando estiver caminhando pelo centro da cidade, de observar o pináculo da Mole Antonelliana (Foto: Carla Passos)

Nâo esqueça de quando estiver caminhando pelo centro da cidade, de observar o pináculo da Mole Antonelliana (Foto: Carla Passos)


Sob a chuva da Toscana
Desde que quando assisti ao filme Sob o sol da Toscana, fiquei com vontade de conhecer essa região italiana. Florença é a capital e que deve ser a base para quem quer visitar as cidades ao redor como Pisa, Siena, San Gimignano, que é possível fazer se você está viajando de carro ou também com transporte público. Mas nós ficamos concentradas em Florença porque estava chovendo muito. Outubro é um período chuvoso na região.


Vista de Florença do alto (Foto: Carla Passos)

Vista de Florença do alto (Foto: Carla Passos)


Perrengues de viagem
Depois de um dia de muita caminhada e um pouco de frio, fui a sauna do hostel. Enquanto isso, minha amiga Andreza Neiva ficou no quarto. Então ouvimos uma sirene estrondosa e avisos para sair imediatamente do hostel. Saí da sauna enrolada em uma toalha. Havia um princípio de incêndio no hostel. Procurei minha amiga e não encontrei. Depois que a situação estava controlada, voltei para o quarto e para a minha surpresa ela estava saindo do banho e não tinha ouvido nada. Se o incêndio tivesse prosseguido, teríamos a notícia no jornal: “brasileira morre em incêndio em hotel de Florença” rs.


Tour
O tour em Florença deve começar pela Catedral de Santa Maria del Fiore, a Duomo. Seu exterior é revestido de mármore rosa, branco e verde, enquanto o interior contém pinturas e vitrais criados por alguns dos maiores artistas da Itália. A vista da cúpula da catedral de Florença é o principal cartão postal da cidade


O passeio pode continuar visitando alguns museus da cidade. São 50 ao todo. Mas se você quiser escolher somente um, recomendo a Galleria dell’Accademia, onde podemos ver uma das principais obras do Michelangelo, o David.


O David orininal de Michelangelo pode ser visitado na Galeria dell?Accademia (Foto: Carla Passos)

O David orininal de Michelangelo pode ser visitado na Galeria dell?Accademia (Foto: Carla Passos)


Michelangelo, de Leonardo da Vinci, Botticelli e outros foram financiados pela família de banqueiros Médici que governou a cidade de 1434 a 1737. Os Médici usaram seu dinheiro para apoiar a arte local.


Por ter se tornado o berço cultural do país, Florença foi uma cidade decisiva quando se definiu o idioma oficial italiano. Até então o siciliano seria o idioma eleito, mas devido ao destaque cultural de artistas como Dante Alighieri, decretou-se como idioma oficial o dialeto falado na cidade de Florença.


Caminhando um pouco mais, chegamos à Ponte Vecchio (foto da abertura do texto), datada do século XIV. Ao longo dela estão instaladas lojas, sobretudo de ourives e joalheiros. Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas alemãs ocuparam a cidade. Quando os Aliados avançaram em 1944, os alemães se retiraram, destruindo todas as pontes, exceto a Ponte Vecchio.


Verona de Romeu e Julieta
A linda e romântica cidade de Verona é onde se passa a história de amor mais dramática de todos os tempos: Romeu e Julieta. Até hoje ninguém sabe dizer se o romance de Shakespeare é uma história fictícia ou real.


O cenário principal escolhido por Hollywood para ser a casa de Julieta virou umas das principais atrações turísticas da cidade. Lá, os visitantes colocam cadeados em forma de coração e escrevem cartinhas para Julieta. Assim como no filme, as pessoas escrevem pedindo conselhos amorosos e as cartas são respondidas por um time de voluntárias que trabalham no andar de cima da casa.


Programa imperdível : tomar um vinho em frente a Arena de Verona (Foto: Carla Passos)

Programa imperdível : tomar um vinho em frente a Arena de Verona (Foto: Carla Passos)


Cidade Milenar
A cidade histórica de Verona foi fundada pelos romanos no século I a.C. Dessa época, no centro encontramos o anfiteatro Arena, o terceiro maior anfiteatro na Itália, depois do Coliseu e do anfiteatro de Capua. Mas ele é o mais bem preservado de todos. Durante o Império Romano, foi palco para as lutas entre gladiadores. Na Idade Média serviu para queimar 200 hereges e também foi habitação de prostitutas de 1276 a 1310. Depois de visitar, o anfiteatro, a dica é se sentar no final da tarde em um restaurante em frente ao local para comer uma massa e tomar um vinho.No dia seguinte, seguimos para Veneza, que por ter tantas atrações mereceu ter um texto específico sobre a cidade. Leia aqui:Dicas para três dias em Veneza


Milão
Milão entrou no roteiro porque era de onde saía meu voo para retornar para o Brasil. Mas, estando na cidade, não poderia deixar de visitar o Duomo, uma das mais belas catedrais góticas do mundo! A sua construção começou em 1386 e durou mais de 400 anos. A fachada do Duomo foi finalizada “às pressas” em 8 anos por ordem de Napoleão que queria coroar-se ali rei da Itália em 1813.


Continue caminhando até a Galeria Vittorio Emanuele. Pensada para ser um corredor entre a Praça Duomo e Praça Scala, era usada pela burguesia milanesa para passear antes ou depois dos espetáculos do Teatro Scala. Ainda hoje é chamado “Il Salotto di Milano”, no sentido de sala de estar.


Galeria Vittorio Emanuele. Pensada para ser um corredor entre a Praça Duomo e Praça Scala (Foto: Carla Passos)

Galeria Vittorio Emanuele. Pensada para ser um corredor entre a Praça Duomo e Praça Scala (Foto: Carla Passos)


Uma das grandes vantagens de estar em Milão é a proximidade de diversos destinos turísticos interessantes, que dá para fazer em bate e volta. Um deles é o lago Como, que é considerado um dos lugares mais bonitos da Lombardia. Trata-se de um lago cristalino, com muitos tons de azul, rodeado por montanhas e florestas, que abriga dezenas de cidadezinhas, vilas históricas, igrejas centenárias, castelos medievais e casas coloridas.


Um dia na Suíça
Mas eu preferi ir passar um dia nos Alpes Suíços. Reservei um dia antes um bate-volta a bordo do trem parorâmico Bernina. O trajeto é a grande atração da viagem que começa primeiro de ônibus até a estação do Bernina em Tirano, onde embarcamos em uma viagem de tirar o fôlego até o resort de luxo de Saint Moritz. Ainda nos pés dos Alpes, a vegetação é verdinha e a cada vez que subimos o chão vai ficando cada vez mais coberto de neve. E olha que ainda era outono! Passamos o dia em Saint Moritz.


Subir os Alpes com o Bernina Express é diferente de tudo que você já viu (Foto: Carla Passos)

Subir os Alpes com o Bernina Express é diferente de tudo que você já viu (Foto: Carla Passos)


Culinária
Não poderia encerrar esse texto sem falar sobre a culinária italiana, que dispensa apresentações. Sempre nas nossas andanças pelas cidades observávamos os cardápios que ficam sempre na porta dos restaurantes. A escolha era sempre feita de acordo com as avaliações do tripadivisor. Não preciso nem dizer que as massas e os vinhos são imperdíveis. Mas vale lembrar que a comida italiana não se resume à iguaria. Cada região tem seus pratos típicos, a exemplo da bistecca alla fiorentina e o Bife à Milanesa ou os frutos do mar nas osterias de Veneza. Não deixe de provar a estrela da mesa que é o tiramissù. Se você já provou no Brasil e não gostou, saiba que lá o doce é bem mais saboroso porque eles usam mascarpone na receita. Mas o meu vício na Itália foram os gelatos de pistashe. Ainda bem que caminhávamos muitos quilômetros todos os dias porque definitivamente não dá para fazer dieta na Itália!

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