Aracaju (SE), 18 de abril de 2021
POR: Marcio Rocha
Fonte: Marcio Rocha
Em: 13/03/2021 às 08h00
Pub.: 12 de março de 2021

Irresponsáveis brincam com vidas e espalham a COVID-19 :: Por Marcio Rocha


Comparativo entre 11 de fevereiro e 11 de março em Sergipe.


Márcio Rocha (Foto: Arquivo Pessoal)

Márcio Rocha (Foto: Arquivo Pessoal)

Analisando o comportamento da pandemia da COVID-19 dos últimos 30 dias, correspondentes ao período de 11 de fevereiro a 11 de março (quinta-feira), uma coisa é certa. A irresponsabilidade das pessoas está provocando muito mais mortes que no mês anterior. Por que isso? Porque o que tenho visto em redes sociais, grupos de Whatsapp e assistido por lugares onde passo e até mesmo dentro do condomínio onde resido, é que as pessoas não estão nem aí. Os jovens, mais precisamente, não estão nem aí com nada a todo o tempo. São festas, aglomerações, mesmo que familiares, jogos de futebol, farras nas praias, em casas de amigos, onde tem uma cachacinha, tem uma galera junta para fazer a festa e espalhar a doença. Vamos aos números do período. Tratarei aqui especificamente com números gerais de ocupação, somando os leitos de modo que não separei por privado ou público, as duas modalidades já estão saturadas.


Em 11 de fevereiro, Sergipe tinha um total de 230 leitos de UTI adulto, 24 leitos de UTI pediátrica, e 294 leitos de enfermaria. A ocupação dos leitos estava distribuída em 70,8% das UTIs e 62,7% para as enfermarias. Perfazendo assim, uma ocupação geral dos leitos de 6,7%, sendo 317 pessoas internadas, com 548 leitos COVID à disposição nos hospitais de Sergipe. Nesse dia, foram constatadas três mortes, sendo o total de 2.849 vidas perdidas durante a pandemia.


Em 11 de março, o número de UTI adulto estava em 309 leitos, já a UTI para pediatria estava em 26 unidades, e os leitos de enfermaria totalizaram 395. A ocupação desses leitos era de 97,5% para as UTIs e 83.5% para as enfermarias, com um total de 604 pessoas em tratamento hospitalar combatendo o coronavírus, sendo um total de 730 leitos disponíveis para atendimento aos pacientes em toda a rede hospitalar sergipana, capital e interior. 14 mortes foram confirmadas no dia, totalizando 3.057 mortes desde o primeiro caso da doença aqui no estado. 


O que isso traduz na realidade do quadro pandêmico? Em 30 dias, o número de pessoas internadas aumentou 97.3%, o que neste sábado já deve ter dobrado de fato, caracterizando um crescimento avassalador da doença no estado. Já o número de leitos hospitalares em toda a rede do estado aumentou em 34%, o que pode parecer pouco, mas é necessário um esforço sobrenatural para que esses leitos estejam com condição de atendimento. O custo de uma UTI é altíssimo, além das dificuldades de encontrar equipes médicas que atendam os casos de COVID nos hospitais. Não se abre um leito de UTI de uma hora pra outra, num piscar de olhos. Isso é uma tarefa altamente complexa. O número de mortes cresceu 7,8% no período, com 223 pessoas a mais perdendo a vida, entre as 2.849 de fevereiro e as 3.072 de março. Entretanto, o que é mais assustador é a elevação no percentual de mortes. Saltando de 3 para 14 nos dias comparados, com a taxa chegando a inacreditáveis 500% de aumento.


Enquanto a doença aumenta seu crescimento de forma assustadora, as pessoas se mostram cada vez mais irresponsáveis com a pandemia e continuam se comportando como se nada estivesse acontecendo. Não adianta o governo tomar providências com os hospitais públicos, a rede particular com os hospitais privados, as empresas mantendo o controle de biossegurança para que as atividades econômicas continuem em funcionamento, se as pessoas continuam agindo como se estivessem numa festa do big brother e se aglomerando, farreando, curtindo, com sua sensação de invulnerabilidade. Depois levam a doença para casa, contaminando seus pais, filhos, parentes, levando algum deles a terminar morrendo ou passar maus bocados em internamento e tratamento.  Quem faz isso, está carregando o sangue de um parente ou amigo nas mãos. O próximo eliminado pode ser qualquer um. pois é humanamente impossível aumentar o número de leitos de acordo com o crescimento da doença.


É necessário ressaltar que a média de idade das pessoas que estão morrendo está caindo. E isso é notável porque temos mais pessoas jovens sendo internadas, consequentemente também perdendo a vida. É necessário acordar para a realidade, tentar cumprir os protocolos de segurança para evitar que a vida volte a ficar completamente fora de órbita, que não seja necessário prejudicar todo o contexto da vida social, correndo o risco de travar a economia novamente, provocando desde o desemprego até a morte das pessoas, por mera vontade de curtir ou a negação de usar uma máscara. A máscara de tecido pra cobrir o rosto é leve, macia e simples. A máscara de intubação é muito, mas muito pior e traumática. Urge que nossos jovens tenham bom-senso para que isso não custe sua vida ou a vida de alguém que se ama.

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