27 de junho de 2019
POR: Assessoria SES/SE
Fonte: Assessoria SES/SE
Em: 26/06/2019 às 00h00

Doenças Cardiovasculares: SES Sergipe alerta sobre cuidados e prevenção


O Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS) indica que, em média, 30 pessoas morrem por hora e cerca de 820 por dia, de doenças cardiovasculares que compreende infarto, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e outras enfermidades. Um dos principais fatores de risco é a hipertensão arterial, popularmente conhecida como “pressão alta” que afeta, pelo menos, um a cada quatro adultos no país. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) traz orientações importantes sobre o tema e alerta a população sergipana para os cuidados com a saúde adotando hábitos alimentares mais saudáveis e a prática de atividades físicas.


Médica cardiologista do atendimento ambulatorial do CEMAR Siqueira Campos, Sheyla Ferro da Silva (Foto: SES/SE)

Médica cardiologista do atendimento ambulatorial do CEMAR Siqueira Campos, Sheyla Ferro da Silva (Foto: SES/SE)


De acordo com a médica cardiologista do atendimento ambulatorial do CEMAR Siqueira Campos, Sheyla Ferro da Silva, a 6ª mulher a assumir a presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia em Sergipe, a prevenção cardiológica começa intraútero, quando a idade ainda nem começou a contar. “Os cardiopediatras realizam um exame chamado ecocardiograma fetal, o primeiro exame para saber se o coraçãozinho do nosso cidadão aracajuano está perfeito. A prevenção começa aí. A gente sabe hoje que por conta de uma coisa muito nociva chamada de lazer passivo as nossas crianças estão ficando obesas. Hoje a criança não brinca mais de se esconder, não brinca mais de pega-pega, não joga uma queimada na rua, não tem nada disso, ela fica com um celular, com um tablete ou com o controle remoto de uma televisão ou num computador, fora a alimentação”, comenta Sheyla.


Sal e açúcar: dois grandes vilões
A alimentação é muito importante na prevenção das doenças cardiovasculares e precisa ser equilibrada e com uma base proteica. Os pais têm uma responsabilidade muito grande em relação à alimentação de suas crianças. Oferecer uma grande quantidade de açúcar, por exemplo, é extremamente prejudicial.  Os alimentos naturais são muito mais saudáveis e, na cardiologia, há um conceito chamado Comida de Verdade que é a comida feita em casa, e não aquela que vem em caixinhas e latas.


“Quanto mais industrializadas, maior o nível de preocupação que a gente deve ter. Nós temos na nossa Assembleia, na nossa Câmara de Vereadores, leis que regem, por exemplo, a alimentação das cantinas infantis, mas elas não são cumpridas, não há o que se cobrar ainda de maneira efetiva, por que uma criança em vez de estar comendo uma fruta, uma maçã, está comento salgadinhos, biscoitos recheados. Açúcar não é só aquilo que a gente vê dentro do açucareiro, ele é toda forma de carboidrato. Hoje a gente percebe que a nocividade do carboidrato é tão importante quanto a nocividade das gorduras. Açúcar é bom, é gostoso, mas faz mal”, disse a cardiologista.


O Cuscuz, comida típica nordestina, tem carboidrato. “As pessoas acham que a massa do cuscuz amarelo é mais nociva, aí falam que o cuscuz de arroz é melhor, mas é igualzinho. A batata inglesa, a farinha, todo carboidrato vira açúcar. Então tudo o que é açúcar tem um potencial inflamatório muito grande para as placas dentro dos vasos. É como se você tivesse uma feridinha e todo dia você passasse a unha e arranca-se a casca dentro do vaso, aquilo vai chegar um momento que vai romper e vai entupir. O chocolate também é açúcar puro. Quando quiser usar um chocolate precisa ser a 70% de cacau, é o que é menos agressivo”, aconselhou.


O consumo excessivo de sódio, o principal componente do sal, também aumenta o risco de hipertensão e as doenças do coração. “O fato de ter pais hipertensos é um fator para se desenvolver a hipertensão então, se o pai e a mãe são hipertensos, não coma sal, procure ter um peso controlado, faça atividades físicas, use o menos possível de açúcar, para que a gente não some esses aos fatores aos que não podemos mudar”.


Sedentarismo
A falta de atividade física e a obesidade não afetam apenas o coração, estão associadas, ainda, a 60% dos cânceres. “Hoje nós sabemos que a atividade física consegue prevenir até câncer de mama, mas ninguém fala sobre isso. A atividade física é a base para que nós tenhamos uma vida saudável. Essa junção atividade física e boa alimentação é a base da prevenção. Quando e remédio entra, é o trio do tratamento. Prevenção é atividade física e uma boa alimentação”, reforça Sheyla.


Infarto: sintomas diferentes em homens e mulheres
Segundo a médica cardiologista o infarto é a resultante de uma série de fatores como a má alimentação, o tabagismo, a quantidade de gordura no sangue que se acumula nas placas dos vasos. O infarto é a via final e não acontece do dia para a noite e afeta mais quem tem mais fatores de risco, independentemente de ser homem ou mulher. Porém, em relação aos sintomas, há bastante diferença.


A mulher enfarta, muitas vezes, sem sentir dor, com sintomas completamente anômalos. “A imagem que a gente tem, aquela dor no peito que a gente chama de Sinal de Levine, a dor que aperta, que esmaga o peito, é uma dor que foi descrita por homens. No caso da mulher, ela pode ter como primeiro sintoma apenas a fadiga. A mulher responde de maneira inequívoca, completamente diferente, ela pode ter um enfarto até sem ter obstrução das placas, apenas por um espasmo”.


Em 1990 foi descrita pela primeira vez, a Síndrome do Broken Heart Disease, a chamada Síndrome do Coração Partido, descoberta por um grupo formado apenas por mulheres, causada por emoção, um espasmo grande que fecha a artéria e faz com que uma parte do coração pare de funcionar, como num enfarto. “Felizmente ela é temporária e reversível. Isso se deve também ao fato de que a mulher é uma tempestade hormonal, ela desde sempre vive a base de hormônios o que faz com que as diferenças de modulação, de resposta inflamatória dentro do vaso, sejam diferentes”, disse Sheyla.


No entanto, conforme explica a cardiologista, infelizmente a mortalidade em mulheres está maior do que em homens, porque a mulher é subvalorizada no diagnóstico. “De um modo geral quando o homem chega com dor no peito na urgência, pergunta-se se ele tem hipertensão, diabetes, colesterol. Quando é a mulher perguntam se brigou com o marido, se tem problema com os filhos, se está estressada. O componente emocional é muito associado ao feminino e o feminino já é diferente quando está com dor. Isso é um fator do aumento”.


Infarto infantil
“Infarto em criança existe, muito mais provavelmente por um defeito congênito chamado Coronária Anômala, quando a coronária, uma artéria que irriga o músculo cardíaco, nasce num lugar errado e, por nascer no lugar errado, em determinado momento ela pode fechar e causar um infarto. Mas isso é um caso excepcional, raro”, afirmou a médica.


Avanço nos métodos cirúrgicos
Atualmente as cirurgias e as intervenções cirúrgicas, segundo Sheyla, estão menos frequentes devido ao avanço e melhoria no diagnóstico, no tratamento e, consequentemente, as pessoas estão vivendo mais e com qualidade de vida maior.


“Hoje nós já colocamos, aqui no nosso Estado, válvulas dentro do coração sem precisar abrir o coração, tudo por via inguinal, que são procedimentos extremamente avançados. A cardiologia e a intervenção cardíaca, tanto aberta, quanto fechada, avançaram a passos largos, mas, infelizmente, os custos desse avanço não correm na mesma proporcionalidade e nem sempre existe uma acessibilidade ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o que temos de mais avançado. No estado de Sergipe o hospital habilitado para a realização de cirurgias cardíacas é o Hospital de Cirurgia”.


Suspeita de Ataque Cardíaco?
Se a pessoa perder a consciência, estiver desmaiada, sem respirar e sem pulso, a primeira coisa a se fazer é ligar para o SAMU 192.


“Primeiro você chama ajuda. Depois disso começar a fazer a compressão cardíaca para tentar manter o coração batendo até que o SAMU chegue. Se a pessoa estiver consciente, colocar ela deitada para que não se esforce perdendo energia, e seja transferida para uma unidade hospitalar”, concluiu a médica.

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