03 de maio de 2019
POR: SES/SE
Fonte: SES/SE
Em: 03/05/2019 às 00h00

Psicóloga alerta para sinais dados pelas crianças que sofrem violência sexual


Psicóloga alerta para sinais dados pelas crianças que sofrem violência sexual (Foto: SES/SE)

Psicóloga alerta para sinais dados pelas crianças que sofrem violência sexual (Foto: SES/SE)

Porta aberta por 24h, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) também  vítimas de violência sexual de ambos os sexos e idade. Mas quando o assunto é o abuso contra crianças, como os pais, familiares ou pessoas próximas podem identificar os sinais não verbais delas?


De acordo com a psicóloga do atendimento as vítimas de violência sexual da MNSL, Camila Sousa de Almeida, A criança quando está sendo abusada sexualmente, muda o comportamento. “Ela  apresenta o medo de dormir sozinha, fato que antes do provável abuso não ocorria. Esse é um dos sinais a ser observado, além de querer voltar a usar fraldas e passar a fazer xixi na cama. A criança pede para dormir com os pais ou com alguém que seja referência para ela e pode ainda ficar agressiva. Essa criança que antes pode começar a ter dificuldade na escola, falta de concentração, mudança no sono, no apetite, começar a ter pesadelos e etc”, alertou Camila.


Para atender as vístimas, a MNSL disponibiliza uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem e psiquiatras, preparados para realizar o atendimento com qualidade. A psicóloga disse, ainda, que algumas coisas diferentes começam a acontecer e os pais que estão atentos aos seus filhos vão perceber que há algo estranho ocorrendo.


“É muito importante os pais observarem seus filhos, eles apresentam sinais de que algo não vai bem nas suas vidas. A criança que gostava de ir para algum lugar que sempre frequentava, passa a ter medo de uma pessoa específica, ou por exemplo crianças que são abusadas por um homem, passa a ter medo de todos os homens, isso é um sinal forte que algo traumático aconteceu”, ressaltou a psicóloga. Camila atentou que o índice de violência se acentua contra a faixa etária de 2 a 10 anos de idade, sendo que, na maior parte dos casos a agressão é praticada por familiares.


“Em alguns casos a criança chega a relatar para alguém que pode ser  uma mãe, tia, professora, mas pode ser que  ela não consiga relatar para ninguém, já que existe um sentimento de medo muito grande que toma as crianças, seja porque o agressor ameaçou, caso ela contasse para alguém que iria matar ela ou a família dela ou às vezes o agressor não precisa fazer uma ameaça verbal, mas a criança se sente intimidada somente no olhar ou na presença dessa pessoa”, observou Camila. Ela disse ainda que quando se trata de alguém da família, como ocorre na maioria dos casos, gera na criança um medo ainda maior e o silêncio toma conta do agredido.


ECA
A psicóloga atentou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que todo cidadão que tiver conhecimento sobre alguma criança que esteja sendo vítima de violência sexual, deve denunciar.  “Quando se trata da criança ou do adolescente  sofrendo abuso, o adulto tem obrigação de denunciar. Caso a comunicação não seja realizada e as investigações apontarem que a pessoa omitiu os fatos, essa, por sua vez, será também incriminada. “Há casos de violências crônicas e agudas. As ocorrências que mais atendemos aqui é de pacientes que foram abordados por desconhecidos na rua. Quando isso ocorre, o primeiro fato que a pessoa tem que fazer é ir, de imediato, para a maternidade para tomar as medicações”, deixou claro Camila..


Dados
A maior incidência dos casos de abuso sexual do trimestre de 2019 (de janeiro a março) foram contabilizados no atendimento a vítimas de violência e ocorreu entre jovens menores de 18 anos, em sua maioria do sexo feminino. Ainda no mesmo período, foram contabilizados no atendimento às vítimas de violência da unidade 70 novos casos, sendo: 54 casos de vítimas menores de idade e 16 atendimentos a maiores de idade. Durante o trimestre, foi registrado ainda, 191 consultas com psicólogos, 52 atendimentos com assistente social, 32 atendimentos na enfermagem, 201 retornos de consultas médicas, 45 administração de medicamentos para as vítimas e 150 coletas de material. “Não podemos esquecer que violência sexual é toda relação em que a pessoa é obrigada a se submeter à prática sexual por meio de força física, coação, sedução, ameaça ou influência psicológica”, concluiu Camila.

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