Aracaju (SE), 14 de agosto de 2020
POR: Agência Senado
Fonte: Agência Senado
Em: 10/07/2020 às 18h13
Pub.: 13 de julho de 2020

Verba para pandemia chega a R$ 500 bi, mas execução ainda está abaixo de 50%


Com três novas medidas provisórias (MPs) de créditos extraordinários editadas nas últimas duas semanas, o governo federal ultrapassou a marca de R$ 500 bilhões destinados a combater a pandemia de covid-19 no Brasil. O valor é próximo de 7% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2019.


Dos R$ 506 bilhões autorizados para gastos com a covid-19, apenas R$ 216 bilhões foram considerados executados (menos de 43%) (Foto ilustrativa: Clara Gouvêa/ Fotos Públicas)

Dos R$ 506 bilhões autorizados para gastos com a covid-19, apenas R$ 216 bilhões foram considerados executados (menos de 43%) (Foto ilustrativa: Clara Gouvêa/ Fotos Públicas)


Apesar da grande destinação de dinheiro, a aplicação das verbas contra a pandemia ainda se mantém abaixo de 50%. Dos R$ 506 bilhões autorizados, apenas R$ 216 bilhões — menos de 43% — foram considerados executados. E são apenas os recursos já executados que podem ser verificados e avaliados (quanto à entrega do bem ou serviço contratado pela administração pública). Os dados são do Siga Brasil, plataforma de transparência orçamentária do Senado.


Entre as medidas mais recentes está a MP 988/2020, que libera R$ 101 bilhões para prorrogação do auxílio emergencial para famílias de baixa renda. Originalmente previsto para durar três meses, o auxílio foi estendido para duas parcelas adicionais. O Ministério da Cidadania, gestor do auxílio, é o órgão que mais tem recebido recursos: foram R$ 260 bilhões desde o início da pandemia, dos quais R$ 124 bilhões — menos de 48% — foram executados.


Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, entraves burocráticos explicam o uso apenas parcial das verbas disponibilizadas — entraves relacionados a processos de compra, contratação de pessoal, elaboração de portarias ministeriais e adesão de municípios, por exemplo. Apesar de tudo, ele disse ao Senado, em audiência no fim de junho, que considerava “bom” o ritmo das despesas. De R$ 39,3 bilhões recebidos, a pasta executou até agora R$ 12,4 bilhões — cerca de 31%.


Mais recentemente, as MPs 989/2020 e 990/2020 disponibilizaram R$ 3,35 bilhões para os ministérios da Cidadania, da Educação e da Saúde e para estados e municípios. A primeira abastece os fundos nacionais de Saúde e de Assistência Social, entre outros destinos. Já a segunda atende à Lei Aldir Blanc, de auxílio aos trabalhadores do setor cultural (Lei 14.017, de 2020).


As duas MPs mais novas ainda não foram contabilizadas na plataforma Siga Brasil. Com elas, o total de verbas autorizadas para a covid-19 chegará a R$ 510 bilhões.


Quase todo o dinheiro aplicado pelo Brasil no combate à pandemia vem de créditos extraordinários, que são verbas que não fazem parte do orçamento regular previsto para o ano. Essas ferramentas são reservadas para eventos imprevisíveis e urgentes, e são abertas por medidas provisórias (que entram em vigor imediatamente, assim que são editadas). Menos de 0,01% do dinheiro para a covid-19 veio de remanejamentos orçamentários.


A eficácia instantânea das MPs permitiu que o Senado, em abril, parasse de votar propostas de créditos extraordinários. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, explicou que, como a disponibilização do dinheiro não depende da aprovação dos parlamentares, os repasses não são impactados pela eventual perda de vigência das MPs.


No seu relatório de junho, a Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI) atualizou suas estimativas para o impacto dos gastos com a pandemia sobre as contas públicas. Segundo as projeções, o déficit primário do setor público no ano de 2020 deverá atingir R$ 912 bilhões, valor dez vezes maior do que o déficit de 2019. Com isso, a dívida bruta poderá chegar a 96% do PIB ou, num cenário pessimista, ultrapassar 100% de toda a capacidade de produção nacional já neste ano.


CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS PARA A PANDEMIA – Autorizado vs. Executado (até 07/07)


Min. Cidadania


R$ 260,4 bi


R$ 124,1 bi


47,7%


Transf. estados e municípios


R$ 76,2 bi


R$ 24,9 bi


32,7%


Min. Economia


R$ 51,65 bi


R$ 15,15 bi


29,3%


Min. Saúde


R$ 39,3 bi


R$ 12 bi


30,6%


Operações de crédito


R$ 39 bi


R$ 17,4 bi


44,6%


Encargos da União


R$ 35,9 bi


R$ 20,9 bi


58,2%


Min. Minas e Energia


R$ 900 mi


R$ 900 mi


100,0%


Min. Educação


R$ 823 mi


R$ 205 mi


24,9%


Min. Justiça e Segurança Pública


R$ 641 mi


R$ 109 mi


17,0%


Min. Defesa


R$ 602 mi


R$ 104 mi


17,3%


Min. Ciência e Tecnologia


R$ 454 mi


R$ 91 mi


20,0%


Min. Relações Exteriores


R$ 128 mi


R$ 81 mi


63,3%


Secretarias da Presidência


R$ 55 mi


R$ 11 mi


20,0%


Min. Mulher, Família e Direitos Humanos


R$ 50 mi


R$ 36 mi


72,0%


Min. Infraestrutura


R$ 100 mil


R$ 1 mil


1,0%


Corregedoria-Geral da União


R$ 100 mil


R$ 3 mil


3,0%


Fonte: Siga Brasil

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