Aracaju (SE), 28 de novembro de 2020
POR: Carla Passos
Fonte: Carla Passos
Em: 26/10/2020 às 00h00
Pub.: 26 de outubro de 2020

Um passeio pela cultura marroquina :: Por Carla Passos


Dupla Marrakesh e Casablanca são destinos ideiais para quem quer conhecer o país.


Café da manhã típico no Terraço do Riad (Foto: Carla Passos)

Café da manhã típico no Terraço do Riad (Foto: Carla Passos)


Se você estiver disposto a fazer turismo em um lugar diferente, eu recomendo muitíssimo a cidade de Marrakesh. Lá você encontra outra arquitetura, outra cultura, outro idioma, outra moeda. A cidade impacta e encanta!


Então vamos começar pelo impacto. A chegada mais traumática que tive em todas as minhas viagens foi em Marrakesh. Depois de dois voos e uma viagem de trem, chegamos na cidade para pegar um táxi para o nosso Riad (hospedagem típica dentro da Medina). O valor do táxi era mais alto do que a quantidade de dirham marroquino que tínhamos e eles não aceitavam Euro. Para o nosso azar, não tinha casa de câmbio aberta. A negociação era em mímica porque os taxistas só falavam árabe. Acabamos entrando em um táxi e entreguei o papel da reserva do Riad que serviria de guia para nos deixar no destino final. Eram umas 11h da noite e ele começou a falar no telefone em árabe, olhava pra trás e parecia que estava bravo, gritando conosco.


Começamos a suspeitar que a raiva dele era porque o valor que pagamos não era suficiente. E cada vez mais ele entrava por vielas bem escuras e desertas. Começamos a ficar com medo. E se ele roubar nossas malas? E se na verdade estiver nos sequestrando para o tráfico internacional de mulheres? Quando o carro parou em uma rua muito escura, dois homens chegaram rapidamente e colocaram nossas malas em um carrinho. Eles conversavam em árabe e entramos em desespero dizendo que pagaríamos o resto que estava faltando, mas por favor, devolvam nossas malas! Vimos que um dos rapazes deu dinheiro para o taxista e começamos a correr atrás do carrinho por ruas cada vez mais estreitas para resgatar nossas malas e com medo de que aquilo fosse uma emboscada.


Gritávamos: “help, help” e ninguém aparecia… até que encontramos uma espécie de restaurante com uma pessoa na porta que falava inglês. Ele nos disse que a pessoa que carregava nossas malas era o dono do Riad Timel e que estávamos indo em direção a hospedaria. Chegamos morrendo de rir e ao encontrar a Beatrisse, esposa do “carregador” e também dona do Riad, que falava inglês, contamos nosso filme de terror e todos riram a noite inteira. Ah, o dinheiro que ele deu foi porque o taxista mentiu dizendo que a gente não tinha pagado nada da corrida e acabamos pagando duas vezes!


A Beatrisse havia me mandado um e-mail me perguntando a hora de chegada para enviar o transfer, mas como não conseguimos comprar a passagem de trem de Casablanca para Marrakesh pela internet eu não soube informar. Aprendemos na prática quem em Marrakesh vc tem que combinar o transfer antes de chegar. Os hotéis sempre oferecem esse serviço.


Do impacto para o encantamento
Quando entramos no Riad fomos recebidas com um delicioso chá de menta e surpreendidas por uma decoração belíssima.  Quem vê de fora não dá nada pelo lugar. É cultural. Os marroquinos gostam de decorar as suas casas somente por dentro para não ostentar. E os riads são antigas casas transformadas em hotéis. Elas têm sempre um lindo pátio interno e um terraço, de onde avistamos os terraços de outras casas. Depois de uma longa viagem, tomamos um banho e ficamos bebendo vinho, batendo papo e observando a arquitetura da cidade.


Chá de menta é sempre servido para receber (Foto: Carla Passos)

Chá de menta é sempre servido para receber (Foto: Carla Passos)


Quando entramos no Riad fomos recebidas com um delicioso chá de menta e surpreendidas por uma decoração belíssima.  Quem vê de fora não dá nada pelo lugar. É cultural. Os marroquinos gostam de decorar as suas casas somente por dentro para não ostentar. E os riads são antigas casas transformadas em hotéis. Elas têm sempre um lindo pátio interno e um terraço, de onde avistamos os terraços de outras casas. Depois de uma longa viagem, tomamos um banho e ficamos bebendo vinho, batendo papo e observando a arquitetura da cidade.


Os riads sempre tem uma decoração típica e ficam dentro da Medina (Foto: Carla Passos)

Os riads sempre tem uma decoração típica e ficam dentro da Medina (Foto: Carla Passos)


De manhã acordamos e a nossa mesa estava toda arrumada com ovos, pães marroquinos, café, diferentes geleias como a tradicional de damasco e um suco de laranja bem mais escuro do que o que a gente está acostumado. E muitíssimo saboroso!


Tomamos o nosso café calmamente se saímos para desbravar a cidade. Com quase mil anos de existência, a “cidade vermelha”, como é chamada, devido à cor predominante das construções é diferente de tudo que você já viu. Quem assistiu a novela “O Clone” vai lembrar daquelas imagens de ruas estreitas e lojinhas para todos os lados, que eles chamam de souks e onde você pode comprar de tudo: especiarias, artigos de couro, peças de cerâmica, prataria e até produtos chineses.


Já a medina que mencionei no início do texto são as muralhas. A maioria das cidades árabes são cercadas de muros, que foram construídos para sua proteção. Com o passar do tempo e o estabelecimento da paz, a área urbana se expandiu para fora. Então a Medina é a área antiga e mais tradicional, onde se concentram mercadinhos, mesquitas, jardins e restaurantes em torno de ruas bem estreitas, pelas quais não passam carros.


O ponto turístico principal dentro da Medina é a Praça Jemaa El Fna. De dia, a Praça reúne vendedores, encantadores de serpentes, adestradores de macacos, dentistas a céu aberto e entre outros personagens típicos da cidade. Eu fui abordada por uma mulher que faz tatuagem de hena nas mãos. Só pelo fato de eu ter sido educada, ela já aproveitou a oportunidade para começar a fazer sem me dizer o preço. O melhor é ignorar. Quando quiser realmente comprar algo, negocie. Faz parte da cultura marroquina. Com certeza vc conseguirá comprar pela metade do preço.


Com Letícia Barcelona caminhando dentro da medina, pelos souks (Foto: Carla Passos)

Com Letícia Barcelona caminhando dentro da medina, pelos souks (Foto: Carla Passos)


Outro ponto turístico é a mesquita da Koutoubia que faz os chamados para oração  5 vezes ao dia: antes do sol nascer, ao meio-dia, durante a tarde, depois do pôr do sol e à noite. Nesses momentos, você sentirá, ao menos um pouco, como é a vida cotidiana em Marrakech.


Mesquita da Koutoubia que faz os chamados para oração 5 vezes ao dia (Foto: Carla Passos)

Mesquita da Koutoubia que faz os chamados para oração 5 vezes ao dia (Foto: Carla Passos)


No dia seguinte resolvemos pegar um hop on hop off bus para conhecer os principais pontos turísticos mais afastados como o Jardim Majorelle, obra mais famosa do pintor francês Jacques Majorelle, que passou 40 anos trabalhando nas pinturas e na jardinagem. Reúne espécies de diversos lugares do mundo, mas a estética remete ao estilo tradicional dos jardins marroquinos.


Ardim Majorelle, onde Yves Saint Laurent passou os últimos anos da sua vida (Foto: Carla Passos)

Ardim Majorelle, onde Yves Saint Laurent passou os últimos anos da sua vida (Foto: Carla Passos)


Na década de 1980, o designer de moda Yves Saint Laurent adquiriu o jardim onde ele passou a morar. Hoje você encontra por lá o museu de Yves Saint Laurent, onde conhecerá um pouco da sua história. Ele é criador do smoking feminino, que permitiria que as mulheres passassem a trabalhar de calças compridas. Grande ícone da moda mundial, ele Marrakesh como cidade para passar os últimos anos da sua vida.


À noite foi hora de experimentar uma comida típica marroquina. A dona do Riad Beatrice reservou para a gente e jantamos no terraço de um restaurante típico. É claro que pedimos cuscuz marroquino, que estava delicioso. Na noite seguinte, resolvemos experimentar outro prato típico da cidade, o tajine.


Em Marrakesh é proibido beber álcool, mas nos hotéis e em apenas 5 restaurantes as bebidas são servidas. Resolvemos separar uma noite para ir a um deles com música e dança típica. Foi uma noite muito divertida, também indicação da dona do Riad. Recomendo sempre buscar sugestões no seu hotel.


Vídeo de uma noite típica marroquina com música e dança:


Casablanca
Muitas pessoas aproveitam a oportunidade para passar uma ou mais noites no deserto do Saara dormindo nas exóticas tendas , mas nós resolvemos retornar para Casablanca. Como uma apaixonada pelo filme Casablanca tinha que ir ao Rick’s Café, que no filme era lugar de encontro dos foragidos da guerra e que passavam uma temporada na cidade antes de irem para os Estados Unidos. No Rick´s fizemos amizade com uma brasileira chamada Ana, que mora no Marrocos, acompanhada do seu namorado holandês e seu amigo marroquino. Foi uma noite maravilhosa!


Noite maravilhosa no Rick?s Café, do filme Casablanca (Foto: Carla Passos)

Noite maravilhosa no Rick?s Café, do filme Casablanca (Foto: Carla Passos)


Para o dia seguinte, combinamos uma manhã de chá, salgados típicos marroquinos e entrevista com um jornalista da cidade. Na pauta, política brasileira. Em seguida, Ana nos levou para nos despedimos de Casablanca na belíssima mesquita Hassan II, a mais alta do mundo e a única a beira mar.


Mesquita Hassan II,, em Casablanca a mais alta do mundo e a única a beira mar (Foto: Carla Passos)

Mesquita Hassan II,, em Casablanca a mais alta do mundo e a única a beira mar (Foto: Carla Passos)


Um passeio pela cultura marroquina (Foto: Carla Passos)

Um passeio pela cultura marroquina (Foto: Carla Passos)


Com Letícia Barcelona  (Foto: Carla Passos)

Com Letícia Barcelona (Foto: Carla Passos)

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