Aracaju (SE), 27 de novembro de 2020
POR: Carla Passos
Fonte: Carla Passos
Em: 13/10/2020 às 00h00
Pub.: 13 de outubro de 2020

Baviera: Rota Romântica e história do Nazismo :: Por Carla Passos


Visite o castelo de Neuschwanstein que inspirou Walt Disney a fazer o Castelo da Cinderela.


O castelo da Cinderela fica no final da Rota Romântica nos Alpes alemães (Foto: Carla Passos)

O castelo da Cinderela fica no final da Rota Romântica nos Alpes alemães (Foto: Carla Passos)


A Baviera é um estado ao sul da Alemanha e principal destino turístico do país. As cidades mais visitadas da região são Munique, Nuremberg, Rothenburg ob der Tauber e a pequena cidade de Füssen, onde fica o castelo que inspirou o da cinderela da Disney. Uma curiosidade desse estado alemão é que foi lá onde nasceu o movimento Nazista e também é onde encontramos a belíssima Rota Romântica.


Para quem quer conhecer melhor a Rota Romântica, o recomendável é visitar a região de carro, mas como eu estava viajando sozinha, tive que fazer uma estratégia de viagem com duas bases principais para tentar visitar roteiros interessantes. Então, me hospedei em Munique e Nuremberg. 


A Rota Romântica tem belas cidades, castelos medievais e personagens fabulosos que viveram felizes para sempre, afinal foi na Alemanha onde nasceram os Irmãos Grimm. De Branca de Neve a Chapeuzinho Vermelho, passando por Rapunzel, os irmãos compilaram um verdadeiro tesouro em contos e lendas que podem ser relembrados nas visitas a várias cidades, a exemplo de Rothenburg ob der Tauber, que inspirou Walt Disney para criar os cenários do filme Pinocchio, de 1940. 


O final da rota é Füssen, onde está o maravilhoso Castelo Neuschwanstein, nos pés dos Alpes alemães, bem ao sul, também inspiração do Walt Disney para fazer o Castelo da Cinderela, que visitei fazendo um bate e volta de Munique. Esse é um roteiro imperdível!


O castelo da Cinderela na verdade era o castelo do rei Luís II da Bavária, considerado o Rei Louco. É uma construção dos sonhos, rodeada pelos Alpes. Ele foi construído em 1869 numa época em que castelos e fortalezas não eram mais necessários. Mas ele só viveu no castelo durante duas semanas. Aos 40 anos de idade, foi encontrado morto em um lago. Ironicamente, o castelo que foi feito para o isolamento do rei que não gostava de receber visitas, virou o monumento que mais recebe turistas na Alemanha.


Além de conhecer a beleza e história do lugar, ida ao castelo foi uma das experiências mais legais da viagem. Ao chegar no trem, fiz amizade com uma enfermeira filipina chamada Rose que também viajava sozinha. E de repente, sentaram-se ao nosso lado dois rapazes falando português. É claro que eu entrei na conversa! Um era brasileiro, o Charles, e o outro era o famoso Axel, o Youtuber do Canal "O Alemão". Nós quatro passamos o dia juntos e ainda fizemos outras programações ao voltar pra Munique.


Os amigos de três nacionalidades que fiz no trem: o alemão Axel, um brasileiro Charles e a filipina Rose (Foto: Carla Passos)

Os amigos de três nacionalidades que fiz no trem: o alemão Axel, um brasileiro Charles e a filipina Rose (Foto: Carla Passos)


À noite na hora de voltar, enfrentamos uma grande nevasca. O trem foi cancelado e ficamos mais de uma 1h em pé a uma temperatura negativa congelante, aguardando um ônibus que nos levaria a outra cidade, de onde conseguiríamos pegar outro trem. Os avisos eram só em alemão, mas a nossa sorte é que estávamos acompanhados do “Alemão” que nos guiou nessa jornada de volta. 


Munique
O principal ponto turístico da capital da Baviera é a famosa Marienplatz (praça da Maria), que tem monumentos como o grandioso Neues Rathaus, uma construção com estilo neogótico onde funciona a câmara municipal da cidade. Na torre principal acontece o espetáculo do carrilhão de sinos, o Glockenspiel, diariamente às 11h e às 12h em memória acontecimentos marcantes na história do antigo império da Baviera.


O grandioso Neues Rathaus onde funciona a câmara municipal da cidade (Foto: Carla Passos)

O grandioso Neues Rathaus onde funciona a câmara municipal da cidade (Foto: Carla Passos)


Recomendo também uma visita ao palácio Residence, que foi a moradia oficial dos monarcas da Baviera entre 1385 e 1918. É o maior palácio urbano da Alemanha e considerado um dos mais bonitos da Europa. São 130 cômodos luxuosos e grande parte deles, infelizmente foram destruídos na guerra e reconstruídos e restaurados depois; A propósito, muita coisa na Baviera foi destruída com a guerra e reconstruída depois.


Nazismo
Munique também é uma das cidades principais do movimento nazista, a exemplo da alegre cervejaria Hofbräuhaus, onde Hitler fazia seus discursos para atrair novos adeptos à sua ideologia.


A praça conhecida como Königsplatz, ou "Praça do Rei" foi um dos palcos de grandes eventos públicos da era nazista. Ao redor da praça também estavam edifícios como o Führerbau (edifício do Führer). Esse foi o prédio onde Hitler tinha seus escritórios, assim como onde ele assinou o acordo de paz com Neville Chamberlin, que supostamente garantiu a "paz em nosso tempo" em 1938. Hoje, o prédio abriga a Universidade de Música e Artes Cênicas de Munique.


Tirei um dia de visita a Munique para pegar um trem para o Campo de Conscentração de Dahau, a 20 km da cidade. Os números são assustadores: em 20 anos de existência, mais de 200 mil pessoas vindas de todas as partes da Europa foram encarceradas e 41,5 mil foram mortas. Em 29 de abril de 1945, os sobreviventes das atrocidades cometidas no local foram libertados por tropas dos Estados Unidos. 


Já na entrada, a inscrição "O trabalho liberta". Originalmente, a frase era o título de um romance do pastor e escritor Lorenz Diefenbach (1806-1883), associado ao movimento nacionalista alemão do século XIX. A expressão foi adotada em 1928 pelo governo da República de Weimar como um slogan que exaltava um programa de grandes obras públicas que tinha como objetivo acabar com o desemprego. O uso da frase continuou depois que os nazistas tomaram o poder na Alemanha, em 1933.


No de campo de Dachau, os presos em trabalho forçado fabricavam munição de guerra (Foto: Carla Passos)

No de campo de Dachau, os presos em trabalho forçado fabricavam munição de guerra (Foto: Carla Passos)


Nos campos de concentração, a frase "O trabalho liberta" transformou-se em símbolo da estratégia nazista para enganar e zombar de suas vítimas. Os prisioneiros chegavam aos campos com a falsa sensação de que eram levados apenas para fazerem trabalhos forçados, mas muitos acabavam executados. Auschwitz e outros campos de concentração copiaram o slogan.


Conhecer um campo de concentração nos traz um sentimento de indignação e tristeza. No de Dachau, os presos em trabalho forçado fabricavam munição de guerra. O local hoje mostra como eram as instalações dos prisioneiros em barracões, as câmaras de gás e os fornos do crematório. 


Nuremberg
Mas para a rota do nazismo ficar completa, é preciso conhecer o Dokumentationszentrum Reichsparteitagsgelände (Centro de Documentação Nazista), em Nuremberg, a 150 km de Munique. Localizado na antiga área de desfiles do partido nazista, é uma obra grandiosa de Hitler. A Cidade também tem um belíssimo centro histórico que merece uma visita.


Quem gosta desse tema, deve reservar algumas horas do dia para conhecer a exposição permanente “Fascinação e Violência” que trata das origens e consequências do domínio. Por todo esse contexto, a cidade foi escolhida para marcar o fim do Nazismo com o julgamento de Nuremberg.


Centro de Documentação Nazista, em Nuremberg (Foto: Carla Passos)

Centro de Documentação Nazista, em Nuremberg (Foto: Carla Passos)


Apesar de certos lugares serem incômodos, o governo alemão os deixa de pé justamente para que a memória do Terceiro Reich não seja apagada e nós possamos sempre nos lembrar que a história pode se repetir - e como podemos impedir que movimentos similares se fortaleçam.


Instagram: @passospelomundo_

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