Aracaju (SE), 28 de setembro de 2020
POR: Marco Pinheiro
Fonte: Marco Pinheiro
Em: 27/07/2020 às 14h22
Pub.: 27 de julho de 2020

Pedalar com segurança: é preciso que todos façam sua parte :: Por Marco Pinheiro


Marco Pinheiro é Empresário e praticante do ciclismo (Foto: Arquivo Pessoal)

Marco Pinheiro é Empresário e praticante do ciclismo (Foto: Arquivo Pessoal)

*Por Marco Pinheiro


Na semana passada, tivemos a triste e trágica notícia do falecimento do amigo de pedal André Rodrigues Espínola, vítima de um acidente na Rodovia Inácio Barbosa, em Aracaju. Um motorista embriagado o atropelou enquanto ele pedalava à noite. Como adepto da bicicleta e criador de um grupo de ciclismo, o sentimento é devastador ao ver mais uma vida sendo ceifada desta maneira.


Infelizmente, não é o primeiro caso nem será o último, já que atualmente não existe uma atenção para esse público na capital sergipana. O que prevalece é a sensação de medo e insegurança para os praticantes deste esporte. Muitos já não pedalam sozinhos ou evitam sair à noite com sua “magrela” temendo se tornar mais uma vítima. O que é de se lamentar, pois a nossa cidade já chegou a apontar um cenário melhor para este segmento. 


Anos atrás, Aracaju vivenciou um “boom” na construção de ciclovias e ciclofaixas, no sentido de facilitar a utilização do modal ciclístico no deslocamento pela cidade. Era um novo e importante momento de valorização e despertar para este segmento, alinhado com as mais modernas práticas de trânsito e de conscientização ambiental – afinal, pedalar não polui. Pegar a bike e sair por aí estava em alta. 


Segundo levantamento da ONG Mobilize Brasil, feito em 2015, Aracaju era a 12ª capital com mais vias adequadas para a circulação de bicicletas, com 56 Km de estrutura cicloviária. Mas essa rede ainda é pequena diante da demanda atual. E, se lá atrás se construíram bastante ciclovias, hoje pouco se vê desse tipo de empreendimento no planejamento e nas ações do poder público.


O ciclista que está na rua não está disputando espaço com o motorista – ele tem o direito de estar ali na rua. O transporte de bicicleta contribui para a saúde, o meio ambiente e para a mobilidade urbana. É preciso enxergar isso. Temos excelentes exemplos na América do Sul, principalmente na Colômbia, nas cidades de Bogotá e Medelín, existem faixas divididas em três: uma para carro, uma para ônibus e uma para bicicleta.


Porém, somente a ciclovia não é o suficiente. Existe outro instrumento que pode ajudar a proteger as vidas daqueles que não estão dentro de um veículo automotor, mas em condições de fragilidade nas ruas: as lombadas eletrônicas ou radares. Infelizmente, esses aparelhos parecem não estar presentes na pauta da gestão municipal e na discussão sobre o trânsito da nossa cidade, o que é um grande descaso.


Em uma Rodovia como a Inácio Barbosa, que favorece a alta celeridade dos veículos, é urgente a instalação de uma lombada eletrônica, já existente em vários pontos da Capital. De imediato, pode-se fazer uma ação administrativa, uma vez que esses aparelhos são mais fáceis de serem instalados, pois a ciclovia demanda orçamento, obra e tudo mais.


Com as lombadas, os motoristas irão conduzir com velocidade moderada e, certamente, com mais consciência para evitar multas, garantindo assim, a segurança de ciclistas e pedestres que estejam circulando naquele trecho. Já passou da hora da Prefeitura se atentar para isso. É importante também que sejam feitas campanhas educativas por parte do DER, da SMTT e dos órgãos oficiais conscientizando o motorista sobre o código de trânsito, que fala que é obrigação do maior proteger o menor.


Obviamente que esse tipo de equipamento não impede que motoristas embriagados acabem cometendo acidentes, conforme aconteceu esta semana. Para estes, somente o rigor da Lei poderá ser a resposta, evitando a impunidade. É preciso entender que dirigir embriagado é um crime doloso. Precisamos também para fazer um movimento cobrando os deputados federais e senadores a criação de leis mais duras, para que quem dirigir e causar acidentes sob o efeito de álcool.


É sempre bom lembrar que os adeptos do ciclismo, tanto para o lazer quanto para o deslocamento na cidade, também precisam fazer a sua parte, utilizando os equipamentos de segurança como capacete, sinalização refletiva na bicicleta, espelhos retrovisores, entre outros. Cada um fazendo a sua parte, teremos menos episódios tristes como o desta semana. A segurança agradece.


*Marco Pinheiro é Empresário e praticante do ciclismo

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação