Aracaju (SE), 28 de setembro de 2020
POR: Marcio Rocha
Fonte: Marcio Rocha
Pub.: 25 de julho de 2020

É hora de frear o desemprego :: Por Marcio Rocha


Márcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

Márcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

Mais de 20 mil pessoas... pra ser mais preciso 20.775 fizeram a requisição do seguro-desemprego desde o início do fechamento das atividades econômicas, há quatro meses. Esse número assusta, porque são pessoas. Pessoas que tinham seu emprego, que mantém suas famílias e que são lastro da sobrevivência de várias pessoas. Considerando uma família de quatro pessoas, são mais de 80 mil sergipanos impactados diretamente com o desemprego. Os dados do Ministério da Economia são claros no que tange ao número de pedidos. Foram 2.069 pessoas que pediram o seguro-desemprego na primeira quinzena de julho. 


A reabertura das atividades econômicas é mais que necessária, pois esse contingente poderá continuar aumentando se as portas das lojas do comércio continuarem fechadas. Numa conta rápida, estimo que mais de mil empresas na capital e interior do estado, comércio central, de bairros e shoppings, morreram e não voltarão a funcionar, mesmo com a retomada da economia. Não se pode permitir que esse número cresça mais, pois quanto mais pessoas desempregadas, mais empresas fechadas e isso dificultará a retomada, retomada não... o reinício do crescimento econômico, consequentemente, a reconquista de postos de trabalho para os sergipanos. 


O momento é difícil, há algumas semanas, publicamos aqui em nossa coluna relatos de trabalhadores que são autônomos e não contam no contingente direto de desempregados, pois não são contabilizados pelos órgãos oficiais, sendo a sua grande maioria Microempreendedores Individuais (MEI). Essa é a dura realidade de mais de 60 mil pessoas que vivem de seu próprio negócio e empregam até mais uma pessoa consigo. A realidade é de fome, de desespero, de dificuldades. Se bem lembram, os relatos que publicamos eram narrando esses dramas individuais que se tornam de uma grande coletividade ao somar um a um, perfazendo milhares de sergipanos que sofrem com a pandemia. 


As famílias estão sofrendo com a doença, perdendo entes queridos, como aconteceu com mais de mil residências. Também aconteceu comigo, perdi pessoas queridas e isso doeu muito na minha vida, tal qual dói severamente na vida de todos. São perdas irreparáveis que nunca conseguiremos suplantar. Entretanto, não conseguir sustentar suas casas é complexo e um drama que tem tirado o sono de milhares de pessoas. O número de pedintes nos semáforos de Aracaju cresceu assustadoramente e muitos levam cartazes com fotos da família com o dizer “fome mata”. Quantas famílias estão nessa situação? Incontáveis. Quantos podem ser recuperar? Os mesmos incontáveis. Todavia, para isso é necessário que sejam retomadas as atividades econômicas para que as pessoas possam viver. 


Já foram apresentados pelas empresas, após diversas discussões das entidades empresariais do setor de comércio, serviços, turismo, eventos, educação, construção civil, entre outras. Toda a cadeia produtiva está ciente dos protocolos necessários que foram indicados pelo Governo do Estado, além dos elaborados pelas entidades que sob a chancela da Fecomércio, desenvolveram, indo além do necessário. Precisamos preservar vidas, mas é necessário salvar a economia, para que as pessoas continuem podendo trabalhar, para que as vidas continuem a seguir, para que vivamos esse “novo normal” que está se aproximando cada vez mais. Cada emprego perdido é um consumidor a menos no mercado, cada vida perdida é irreparável, então salvemos vidas e salvemos os empregos, tomando as medidas necessárias para reabertura do comércio e as empresas seguindo as diretrizes para evitar a transmissão da doença.


Ninguém quer chorar mortos em suas casas, mas também não quer chorar a fome de seus filhos.


*Em memória de José Fernandes (um pai), Leonel Aquino (um grande amigo), Edgard do Acordeon (um grande ser humano) e Marco Antônio Campos (um herói).

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