Aracaju (SE), 19 de janeiro de 2026
POR: Marcio Rocha
Fonte: Marcio Rocha
Em: 21/11/2019 às 14:04
Pub.: 27 de novembro de 2019

Acabar com o DPVAT pode ser uma conta cara para o consumidor

Marcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

Marcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

O triste fim anunciado do seguro DPVAT irá acabar com uma das poucas certezas que as pessoas vítimas de acidentes de trânsito, principalmente as mais pobres têm, a de receberem uma indenização por causa de danos decorrentes de acidentes. Em um país no qual milhares de acidentes anuais ceifam vidas e deixam pessoas mutiladas, acamadas por muito tempo, impedindo que elas continuem produzindo seu sustento e riqueza para nosso país, extinguir o seguro obrigatório irá elevar ainda mais o problema social da desigualdade, pois poucas pessoas terão como reaver seus investimentos no tratamento de recuperação do acidente sofrido, ou em caso das famílias de decessos, a indenização por morte. O seguro DPVAT é um mecanismo que ajuda as pessoas a terem o acesso a um recurso que pode ajudar a compensar o tempo que ficou em situação improdutiva, ou seja, é o único seguro que a pessoa pobre tem acesso de fato. Um trabalhador assalariado vítima de atropelamento depende desse recurso para poder se manter enquanto está sem conseguir trabalhar.

A taxa do DPVAT não é um valor alto. Carros pagam R$ 16,21 anualmente, o valor eleva quando se trata de caminhões, ônibus e de modo justo, o valor mais alto é pago pelos proprietários de motocicletas, donas da grande maioria dos acidentes de trânsito no Brasil. O DPVAT é um seguro que pode ser requisitado por qualquer brasileiro, independentemente de quem tenha provocado o acidente, dada a confirmação de invalidez (e estamos com um alto contingente de pessoas mutiladas por acidentes, principalmente com motos), ou morte da vítima.

O seguro cobre a morte de uma pessoa no valor de até R$ 13.500, invalidez com indenizações que podem chegar até o mesmo valor, e despesas médicas no limite de R$ 2.700. No Brasil, foram 328.142 pessoas indenizadas no ano passado.  O DPVAT arrecadou R$ 4.66 bilhões em 2018, sendo que R$ 2.4 bilhões foram destinados ao Sistema Único de Saúde para cobrir despesas do SUS e para o Denatran. R$ 2.33 bilhões foram direcionados para pagamento das indenizações das vítimas. Acabar com esse mecanismo que ajuda a manter nossa saúde pública é um ato completamente anacrônico e desproporcional com a população brasileira. 

A justificativa do Governo Federal é que existem muitas fraudes no seguro. Nisso eles estão certos. Existem fraudes pipocando por todos os estados do país, que sangram os recursos que poderiam ser utilizados na saúde pública e indenizar as vítimas. Somente no ano passado, 11.898 fraudes foram detectadas, algo grave e que deve ser coibido com rigor. É necessário maior ação do governo nesse aspecto, buscando as quadrilhas de fraudadores que arrancam o dinheiro que tem por obrigatoriedade ser devolvido a quem sofreu o acidente. Falta ação das autoridades constituídas acerca disso, pois se mexer mais a fundo, irão encontrar mais quadrilhas agindo para provocar fraudes. Até porque o brasileiro é um povo bom por natureza, mas também possui inteligência maldosa. Não é à toa que todos os dias golpes aplicados contra as pessoas são denunciados e pessoas vão em cana por roubarem inocentes enganando os cidadãos e os próprios agentes públicos. Deve-se ponderar que países mais liberais e desenvolvidos, como os Estados Unidos, o seguro obrigatório existe e é mais amplo, pois contempla não somente os danos físicos, como no Brasil, mas os materiais.

Entretanto há uma contramão que poderá elevar os custos para o contribuinte proprietário de veículos automotores. Os seguros dos veículos estão propensos a terem seu preço elevado, considerando que a conta sempre recai no bolso do consumidor. Podem esperar, o preço do seguro será elevado no aspecto da responsabilidade civil. Isso irá aumentar o número de processos na justiça contra condutores e seguradoras que terão que arcar com as indenizações para terceiros, vítimas de acidentes. O fim do barato DPVAT pode sair como uma conta cara para toda a população.


Notícias Indicadas

Prefeitura de Aracaju prorroga prazo da cota única do IPTU com desconto de 7,5% até 6 de fevereiro

Fusqueata em comemoração ao Dia Nacional do Fusca acontece domingo (25) em Aracaju

Propriá realizará a maior Romaria e Festa de Bom Jesus dos Navegantes do estado

The Beatles Reimagined retorna aos palcos com espetáculo imersivo no Teatro Tobias Barreto

Madereta de Lagarto apresenta programação da 12ª edição

Regras para ciclomotores, bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos começam a valer nesta quinta; saiba mais

Boleto do IPTU pode ser impresso no Portal do Contribuinte

Hapvida vai abrir novo hospital com 130 leitos, urgência, emergência e exames de alta complexidade

Prefeitura de Aracaju alerta pais e responsáveis sobre cuidados na escolha do transporte escolar

Maior exposição de tubarões do Brasil chega a Aracaju

Ana Carolina apresenta turnê "25 Anas” em abril, no Salles Multieventos

Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026

Fábricas de fertilizantes em Sergipe e Bahia voltam a operar em meio a riscos no suprimento internacional

Entenda mudanças na aposentadoria em 2026

Governo divulga o calendário de feriados e pontos facultativos de Sergipe em 2026

Conheça os melhores destinos em Sergipe - Pontos Turísticos

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação