19 de outubro de 2018
POR: Thiago Davis
Fonte: Thiago Davis
Em: 18/10/2018 às 21h41

O que faz de você um bolsonarista-raiz ou um petista de carteirinha? :: Por Thiago Davis


Thiago Davis*


Thiago Davis (Foto: Arquivo pessoal)

Thiago Davis (Foto: Arquivo pessoal)

Você descobre que está ficando velho quando teve a OdontoFantasy no final de semana e você nem ficou sabendo. Sem falar que foram dois dias de festa.


Você descobre que está gordo quando calçar um sapato virou um desafio diário. Na verdade, você já dorme na noite anterior com essa meta a ser superada no dia seguinte.


Você descobre que está careca quando alguém te chama de careca no meio da rua. E o pior, na primeira vez, você fica até sem entender o porquê.


Você descobre que virou um chato quando fica pensando se pode chamar aquele seu velho amigo-irmão de negão. É o politicamente correto te destruindo por dentro.


E quando você descobre que é um petista de carteirinha ou um bolsonarista-raiz? Aqui não se trata de rotular um eleitor que tenha votado em Haddad ou em Bolsonaro, mas de perquirir aqueles que simbolizariam as candidaturas.


Um critério inicial para um petista de carteirinha poderia ser o seu baixíssimo grau de aceitação/assimilação a quaisquer críticas contra o partido ou, pelo menos, a extrema dificuldade de um mínimo de autocrítica dos erros cometidos.


Por seu turno, um bolsonarista-raiz contesta por quê aprendeu na escola que o período 1964-1985 no Brasil foi uma ditadura militar, quando teria sido apenas um regime, conforme teria sido revelado neste ano de 2018.


Um petista de carteirinha acredita até hoje que tivemos golpe em 2016, embora ele não tenha uma explicação minimamente plausível para as alianças eleitorais com legítimos representantes da direita brasileira. 


Já o bolsonarista-raiz tem a certeza absoluta de que o inimigo do povo brasileiro é o comunismo. Se D. Quixote teve seus inimigos imaginários, porque não posso ter os meus?


A inabalável convicção de que o PT é diferente dos demais partidos encontra-se patenteada no exercício da democracia interna desse partido que deliberou pela candidatura de Lula à Presidência.


Um bolsonarista-raiz tem como verdade absoluta que o problema do Brasil é o legado do PT de ineficiência e corrupção. Logo, teremos um Brasil antes e um depois do Messias Bolsonaro.


Um petista de carteirinha não sabe como uma mulher vota em Bolsonaro, mesmo após a campanha do #eleNão. Para ele, o PT é tido como único tutor e defensor dos brasileiros, por isso que tem que ganhar as eleições 2018 e todas as vindouras.


Um bolsonarista-raiz é revoltado com os números da violência no país e a impunidade dos criminosos. O despertar da letargia em 2013 (“não é só pelos 20 centavos que estamos lutando”), encontrou voz em um candidato que pregava no deserto há bastante tempo.


Um petista de carteirinha já profetizou que se Bolsonaro ganhar teremos um governo fascista, porque a população foi manipulada pela elite golpista através da Rede Globo - ufa! Ou seja: democracia, apenas se o PT ganhar.


Um bolsonarista-raiz não tem medo da mudança (no fundo, no fundo, até tem, vai que uma ditadura seja instaurada), mas já não aceita a covardia de não tentar mudar.


E, lógico, não tem o que discutir: Lula é inocente. Sou petista de carteirinha com estrela no peito e 13 na cabeça.


Sou bolsonarista-raiz, defendo o resgate da autoridade e da ordem. O meu partido é o Brasil.


As razões que definiriam um petista de carteirinha ou um bolsonarista-raiz não são essas? Nenhumas dessas? Não são apenas essas? Tem muito mais? Não tem problema, o termo não tem qualquer conteúdo pejorativo. 


A questão crucial é que no segundo turno só tem essas duas opções: Bolsonaro ou Haddad, sendo irrelevante se é um bolsonarista-raiz ou um petista de carteirinha. 


O 2º turno convoca para a escolha os 65 milhões de eleitores que não votaram em nenhum dos dois, anularam, votaram em branco ou se abstiveram da votação no 1º turno. Mas, enfim e por fim, quem se consagrar vitorioso governará para 208 milhões de brasileiros.


*Bacharel em Direito pela PUC/SP

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