25 de setembro de 2018
POR: Almeida Lima
Fonte: Almeida Lima
Em: 25/09/2018 às 16h36

Insensatez :: Por Almeida Lima


Só a misericórdia Divina


Almeida Lima*


Almeida Lima (Foto: Jadilson Simões/ Arquivo Rede Alese)

Almeida Lima (Foto: Jadilson Simões/ Arquivo Rede Alese)

Não pretendo “fazer a cabeça” de eleitor acerca de candidato A ou B a presidente da República. Quero, apenas, manifestar e deixar registrada a minha compreensão de como poderá ser o dia seguinte (o Day After) à posse do presidente eleito, caso a disputa de segundo turno se dê entre Bolsonaro e Haddad, como as pesquisas estão a indicar.


Bolsonaro é a menina dos olhos das Forças Armadas. As mesmas que, ao longo das últimas três décadas, estão fora do poder político sentindo o revés da sociedade pelo que de ruim cometeram, tanto à luz do dia, como nos subterrâneos do terror, durante a ditadura militar. Contudo, justiça se faça, os militares recolheram-se à caserna, salvo escassas manifestações e esperneio de alguns poucos, além do Bolsonaro, um misto de militar e deputado, sempre a serviço e de plantão para vociferar contra todos os que contestam a ditadura, chamada por ele de “revolução gloriosa”, e pronto para homenagear os torturadores, ao tempo em que critica os feitos dos governos civis.


Caso Bolsonaro seja o eleito, não tenham dúvida que será a volta da caserna ao poder político. Dessa vez, não um poder arrebatado pela força, mas legitimado pelas urnas, o que impede a qualquer insano negar a legitimidade popular e a plena autoridade para o exercício do mandato nos termos de sua pregação que é conhecida de todos. Portanto, empossado Bolsonaro, como serão vistos e tratados os movimentos sociais e de trabalhadores que ele declara abusivos e ilegais? E qual será o comportamento das forças de segurança quanto às contestações e movimentos de ruas e estradas, com ou sem motivação, que, segundo ele, devem ser reprimidos com toda violência?  Qual será a leitura da ocupação de terras e de outras propriedades diante do que expressa o direito brasileiro? Tratando-se de dois extremos ideológicos, já esgarçados agora durante a campanha eleitoral, a nação ficará harmonizada ou dividida entre “Nós e Eles/Eles e Nós”? Como ficarão as relações do Brasil e a América Latina, especialmente Cuba, Panamá, Equador, Peru, Venezuela, Bolívia, Argentina, Nicarágua ... – e tantos outros países que receberam vultosos empréstimos do BNDES para a construção de sua infraestrutura, a exemplo de portos, hidroelétricas, metrôs, autopistas, aquedutos, pontes, barragens, aeroportos ...? Enfim, como se comportarão as Forças Armadas na ocasião em que o seu pupilo estiver acuado, enfrentando movimentos idênticos aos que acontecem na Venezuela, além de ingerências externas, por conta do que é propalado no Foro de São Paulo?


Mas, e se eleito for o Lula, ops!!! quer dizer, Haddad, o poste, o ajudante de ordens, como será? O governo do PT vai deixar que continuem roubando o Brasil, arruinando o país e o povo? Vão permitir que a Bolívia ou qualquer país continue a tomar do Brasil outras refinarias ou ativos imobilizados de suas empresas no exterior? Cumprindo a palavra de Lula no Foro de São Paulo, - a de que o Brasil tem o dever de ajudar os países da América Latina governados pela esquerda, ou ajudar os partidos de esquerda a se manterem no poder ou conquistá-lo em países onde, ainda, não tenham chegado, fazendo uso do dinheiro do Brasil gerenciado pelo BNDES, - como a sociedade e as Forças Armadas, doravante, se comportarão, já que esses recursos faltam à construção da infraestrutura do Brasil? Sim...!!! E Lula vai continuar preso? E o que farão para soltá-lo? E o STF vai soltar? E as Forças Armadas como se comportarão, diante, inclusive, dos recados que já mandaram ao judiciário? E a eleição de Haddad não é a legitimação de tudo quanto o PT fez de certo ou de errado em quase dezesseis anos de poder? Então, o PT terá, por conta das urnas, o alvará para a prática do que sempre fizeram? Os movimentos sociais não estarão liberados para agirem do mesmo jeito que antes? E desta vez, já que voltam ao poder, como é que vão se organizar para não mais deixá-lo, nem por “golpe”, nem pelas urnas? Existe alguma dúvida, a partir do retrato desta campanha eleitoral, que a sociedade brasileira será o espelho da divisão da sociedade venezuelana? Em sendo assim, como ficarão as ruas do país com a derrocada da economia, com o aumento ainda maior do desemprego, da criminalidade, e do caos na saúde?


Eis a fotografia da insensatez: dois trens de passageiros, em alta velocidade, percorrendo os mesmos trilhos, no mesmo horário e em sentido contrário. Só mesmo a misericórdia Divina.


*É advogado, ex-deputado estadual e federal, ex-prefeito de Aracaju, ex-senador e ex-secretário de Estado da Saúde de Sergipe.


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