04 de junho de 2018
POR: Almeida Lima
Fonte: Almeida Lima
Em: 04/06/2018 às 10h56

Profissão de fé :: Por Almeida Lima


Almeida Lima*


Almeida Lima - Foto de arquivo: Jadilson Simões/Alese

Almeida Lima - Foto de arquivo: Jadilson Simões/Alese

Gerenciar a saúde pública foi um desejo meu. Um desafio a que me impus. Vivo bem quando estou a carregar pedras.Afinal, a saúde estava tão ruim que era comum se dizer:“não tem doutor que dê jeito”.Enfrentá-la me agradava.Eu sabia que as dificuldades eram gigantescas. E isso me empolgava. Resolver o problema seria uma realização pessoal epolítica enquanto homem público.


Jackson Barreto me nomeou em 27/01/2017. Agradeci e lhe disse: não serei candidato a nada e não farei uso político da secretaria; farei gestão em saúde pública; preciso que você repasse os mesmos recursos de 2016, nenhum centavo a mais; tenha certeza que faremos muito mais, com bem menos.


Fui à luta. Procurei o Ministério Público Federal, o Estadual e o Tribunal de Contas do Estado. Pedi apoio e assumi a profissão de féde gerenciar a saúde dentro de princípios morais e constitucionais, cumprindo e fazendo cumprir as decisões e recomendações de todas essas instâncias e do Poder Judiciário. Assim foi feito. Nenhuma surpresa. Nenhum arranhão.


Do mesmo modo, nenhuma surpresa para com os embates e os achincalhes diários que sofri, dos mais idiotas eimbecilizados. Tudo era previsível e foi suportado.Encontrava-me emocionalmente preparado. Interesses funcionais, políticos e empresariais de natureza espúria não iriam me abalar nem demover os propósitos delineados. A saúde pública era o que importava. Vencer o caos era o ideário.


Enfim, aos poucos e de forma continuada o caos ia sendo domado. Mostrava-se que a saúde tinha jeito. Os problemas começavam a ser resolvidos, um a um. Mas de repente eis que surge um elemento perigoso: a inveja, o ciúme de homem. E esse era muito mais grave porque se tratava de ninguém menos que o vice-governador, o primeiro da linha sucessória ao governo do estado, o candidato indicado à sucessão. A pequenez desse moço foi a grande surpresa para mim. Um pigmeu, tamanha a sua mesquinharia.


A Secretaria de Saúde vinha se destacandona agenda positiva do governo, e a tendência era aumentar de forma considerável. Mas isso o incomodava. Ele se sentia diminuído. É que o moço não tem luz própria. Ele sempre foi um estorvo dentro do governo. Nada produzia.Às solenidades da saúde ele não comparecia, e quando chegava era atrasado e ficava pelos cantos, talqual agarrafa de gás, mas sempre a resmungar e demonstrar insatisfação. Certa vez na Praça Fausto Cardoso foi preciso Benedito de Figueiredo repreendê-lo para não causar um vexame, um escândalo no palanque.


A partir de setembro de 2017, não sei por que “cargas d’água”, Jackson Barreto transferiu para ele a tarefa de gerenciar os repasses financeiros para as secretarias. Foi aí que se sentiu em condições de frear as ações positivas da secretaria de saúde.E assim foi feito. Os repasses financeiros foram diminuídos ao ponto de, em 2017, as contas serem fechadas tendo a secretaria da saúde recebidomenos R$ 36.400.000,00que o ano de 2016.Este ano de 2018,o déficit já chega a mais de R$ 40.000.000,00 até o mês de maio, sem que se cumpra o mínimo de 12% como determina a lei.


Assim, eu honrei o compromisso de fazer mais com menos. Fiz prevalecer a minha profissão de fé, embora o governo não tenha cumprido a sua parte: repassar os mesmosrecursos do ano anterior.


Não sem razão eu reafirmo: Deus nos livre de mais quatro anos de governo desse moço.
 


*É advogado, ex-deputado estadual e federal, ex-prefeito de Aracaju, ex-senador e ex-secretário de Estado da Saúde de Sergipe.


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