05 de agosto de 2019
POR: Cynthia Ribeiro
Fonte: Rede do Esporte
Em: 03/08/2019 às 23h37

Vaga olímpica e bronze marcam o desempenho do tênis brasileiro em Lima


Dupla feminina conquista o terceiro lugar com Carol Meligeni e Luisa Stefani. João Menezes se classifica para a final e terá pela frente na decisão o chileno Tomás Barrios.


João Menezes precisa se manter entre os 200 melhores do mundo em 2020 para confirmar a conquista da vaga olímpica (Foto: Washington Alves/ COB)

João Menezes precisa se manter entre os 200 melhores do mundo em 2020 para confirmar a conquista da vaga olímpica (Foto: Washington Alves/ COB)


O Brasil viveu um dia de virada dupla no tênis nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Os tenistas nacionais somaram uma vaga olímpica com a classificação para a final de simples masculina e uma medalha de bronze no torneio de duplas feminina, nas partidas disputadas no Clube Lawn Tennis de la Exposición.


Após um confronto de duas horas, João Menezes, de 22 anos, venceu o atual campeão pan-americano, o argentino Facundo Bagnis, na semifinal. No primeiro set, Menezes foi derrotado por 6/4. No segundo set, reagiu e venceu por 6/2. No terceiro set, o brasileiro continuou o bom momento e chegou a abrir 5/2. Bagnis conseguiu encostar em 5 /4 e o décimo game foi decisivo. João conseguiu se recuperar após estar perdendo por 0/40 e empatou para 40/40. Após dois match points perdidos, ele conseguiu decidir no terceiro após bola fora do argentino.


“Eu tinha uma confiança muito grande de que poderia fazer um bom resultado pela maneira que eu vinha jogando nos torneiros anteriores. Em todo momento eu acreditei que isso fosse possível”


João Menezes
“Eu tinha uma confiança muito grande de que poderia fazer um bom resultado pela maneira que eu vinha jogando nos torneiros anteriores. Em todo momento eu acreditei que isso fosse possível”, comemorou. 


O adversário de Menezes na final será o chileno Tomás Barrios, que venceu o argentino Guido Andreozzi por 2 sets a 1 (7/5, 4/6 e 6/2) na outra semifinal, também disputada neste sábado. A competição será neste domingo, a partir das 18h (de Brasília). “Não é porque cheguei na final que vou relaxar. Vamos com tudo amanhã e para cima”, avisou o atleta, que foi vice-campeão do US Open juvenil (duplas masculinas) em 2014 e campeão do Challenger do Uzbequistão (simples), neste ano.


Vaga olímpica
A vitória tem um sabor a mais porque garante uma vaga para os Jogos olímpicos de Tóquio. Para confirmar a vaga nas Olimpíadas, entretanto, o tenista terá que permanecer entre os 300 melhores do mundo na parcial do ranking da ATP do dia 8 de junho de 2020. Atualmente, ele é o 212 do mundo e número 2 do Brasil.


Natural de Uberaba, Menezes começou a jogar tênis por influência familiar. “Meu pai jogava, meu avô jogava, eles iam para o clube e eu ficava jogando com a raquetinha. A minha família sempre foi bem apegada ao esporte e para o futebol eu não levava tanto jeito”, recordou o tenista, que avalia o Pan como um divisor de águas na carreira.


“Com certeza os Jogos estão sendo fundamentais para mim. Antes, se você falasse quem é João Menezes, eu tenho certeza absoluta de que eles não tinham ideia de quem seria. Depois do jogo de amanhã, com pódio e bandeira, aí pode mudar um pouquinho o cenário”, brincou.


Bronze
As tenistas  também tiveram um confronto duro neste sábado na briga pelo bronze no torneio de duplas femininas. Numa partida de 1h32min, as brasileiras venceram no super tie-break as chilenas Alexa Chiguarachi e Daniela Chiseguel, num jogo que teve as parciais de (2/6, 7/5, 11/9).


“O começo foi complicado e a gente sentiu um pouco a pressão. A gente sabia que ia ser complicado, ainda mais mentalmente após a derrota da manhã”, disse Carol que perdeu a semifinal do simples feminino por 2 sets a zero (2/6 e 6/7) para a americana Caroline Dolehide.


Segundo ela, para conseguir focar na última partida do dia, a ajuda de toda a equipe foi fundamental. “Eu não consegui sozinha. Todo mundo do grupo me ajudou bastante. Não deu muito tempo para se lamentar. É claro que a gente fica triste, mas é bola para frente, têm outras coisas vindo, coisas legais para conquistar”, destacou.


O novo desafio da atleta será neste domingo, a partir das 13h (Brasília), na disputa pelo bronze do torneio do simples feminino contra a paraguaia Vêronica Cepede. “Vou lutar muito para conseguir trazer o bronze para o Brasil”, destacou a campeã do ITF da Tunísia (simples e duplas femininas) em 2016, e do ITF de São José dos Campos (duplas femininas), em 2018.


“A gente veio com um time forte. Estamos nos dando super bem dentro e fora de quadra e eu acho que isso reflete muito. Está sendo uma semana muito especial. É muito bom jogar com a Lú. Ela é minha amiga desde pequena. Ganhar uma medalha pelo Brasil é super gratificante. É uma emoção enorme”, completou.


Investimento
Dois dos quatro tenistas em Lima são apoiados pelo Programa Bolsa Atleta do Ministério da Cidadania. Thiago Wild e Carolina Meligeni são contemplados na categoria Internacional, o que soma um aporte de R$ 44,4 mil ao ano. O programa contempla, atualmente, 60 tenistas nacionais, num aporte de R$ 1,2 milhão ao ano. “É super importante ter essa segurança a mais, essa ajuda durante o ano. Com essa grana dá para viabilizar várias coisas, como treinamento, viagens. Então é super importante ter esse respaldo”, avaliou Carol.


Ao todo, 333 dos 485 atletas brasileiros inscritos no Pan de Lima fazem parte do Bolsa Atleta. O investimento do programa federal no grupo é de R$ 14,6 milhões ao ano. Há um equilíbrio quase perfeito de gênero, com 166 homens e 167 mulheres na lista.


Em termos percentuais, 70% dos atletas de modalidades que atualmente figuram no programa dos Jogos Olímpicos recebem o incentivo da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. Um contingente expressivo, de 68, faz parte da categoria mais alta do programa, a Bolsa Pódio, voltada para esportistas que figuram entre os 20 melhores do mundo em suas especialidades. Os outros estão nas categorias olímpica (83), internacional (95) e nacional (87).


Tradição
O tênis é um dos esportes com mais tradição na história dos Jogos Pan-Americanos. A modalidade faz parte do programa oficial da competição desde a primeira edição do evento, realizada em Buenos Aires 1951. Entre todos os tempos, a única ausência aconteceu em Cali 1971.


O Brasil faz parte do grupo de maiores vencedores do tênis nos Jogos Pan-Americanos e ocupa a quarta colocação no quadro geral de medalhas. Considerando todas as categorias que já marcaram presença no cronograma, são 14 ouros, sete pratas e 13 bronzes, já contabilizando o resultado deste sábado. Os Estados Unidos lideram com folga: 26 ouros, 13 pratas e 22 bronzes.

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