29 de julho de 2019
POR: Breno Barros
Fonte: Rede do Esporte
Em: 28/07/2019 às 14h45

Jaqueline Mourão leva bronze e alimenta sonho de disputar a sétima Olimpíada


Atleta de 42 anos se tornou a primeira mulher brasileira a subir ao pódio na prova de mountain bike na história do Pan.


Jaqueline Mourão conquista primeira medalha feminina do país na história da prova (Foto: Abelardo Mendes Jr./ Rede do Esporte)

Jaqueline Mourão conquista primeira medalha feminina do país na história da prova (Foto: Abelardo Mendes Jr./ Rede do Esporte)


Um filme passou na cabeça de Jaqueline Mourão ao cruzar a linha de chegada na prova de mountain bike nos Jogos Pan-Americanos Lima 2019. Após 12 anos de ausência no evento depois de ficar em quarto diante da família na edição de 2007, no Rio de Janeiro, a ciclista de 42 anos aproveitou a segunda chance que a vida lhe deu, cruzou a linha de chegada em terceiro lugar e se tornou a primeira mulher brasileira a subir ao pódio na prova de mountain bike feminino no Pan.


Jaqueline não conteve a emoção quando desceu da bicicleta ao fim da prova deste domingo (28.07). As lágrimas caíram ao lembrar da falecida avó Aurora, que estava presente no Rio de Janeiro quando a ciclista quase subiu ao pódio. Em Lima, o choro veio misturado com esperança e motivação para buscar a sua sétima participação olímpica.


"Estou muito feliz em voltar depois de 12 anos fora do circuito para estar nos Jogos Pan-Americanos. Em 2007 perdi a medalha. Foi uma luta segurar essa onda. Eu falei que finalmente tive uma segunda oportunidade e consegui a medalha. Dedico o pódio a minha avó, que morreu e que estava nos Jogos de 2007 e não me viu no pódio. Deus me deu uma nova oportunidade e estou contende por ter conquistado essa medalha", disse a atleta.


"Estou muito feliz em voltar depois de 12 anos fora do circuito para estar nos Jogos Pan-Americanos. Dedico o pódio a minha avó, que morreu e que estava nos Jogos de 2007 e não me viu no pódio"


Jaqueline Mourão


"O objetivo principal da minha volta ao mountain bike é garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Se Deus quiser vou conseguir, pois atualmente lidero o ranking nacional. Pela minha idade, o planejamento é ano a ano. Fisiologicamente estou bem, pois os esportes de inverno me fizeram mais fortes, moldaram o meu corpo por serem esportes duros. Voltei mais forte do que era", revela Mourão.


Jaqueline conta com seis participações olímpicas, sendo duas nos Jogos de Verão e quatro nos Jogos de Inverno, no esqui e no biatlo. Segundo a ciclista, as Olimpíadas de Tóquio serão a última no mountain bike. "Depois, o meu foco será no esporte de inverno para encerrar a carreira em Pequim 2022, no esqui cross-country, e tentar me tornar a única atleta a competir nas olímpicas de verão e de inverno no mesmo lugar. Meu desejo é fechar a carreira com oito participações olímpicas", projeta.


No ciclo de 12 anos sem competir em Jogos Pan-Americanos, ela dedicava a carreira ao esqui cross-country. "Precisava focar em um só esporte para entender até qual ponto poderia chegar. Foram mais de dez anos de dedicação para disputar as provas internacionais de forma competitiva. A gente não tem neve, mas temos uma atleta nos esportes de inverno", completou.


Prova
A mexicana Daniela Campuzano conquistou a medalha de ouro na prova, com o tempo de 1h30min45s. Durante todo o percurso, a brasileira duelou contra a argentina Sofia Gomez Villafañe. Na reta final, a adversária assumiu a dianteira e cruzou a linha de chegada em segundo, com o tempo de 1h31min06s. Jaqueline fez 1h31min12s.


"Foi um duelo forte. Quando vimos a mexicana Campuzano perto, aceleramos e tendei atacar a Sofia nas subidas. Porém, senti muita câimbra e batalhei até o final para conseguir terminar no terceiro lugar. Sabia que Sofia tinha uma arrancada forte, mas tentei até o fim e estou feliz com a minha prova", analisou.


Segundo Jaqueline, a última volta foi a mais difícil. Com dores e câimbras nas pernas, a brasileira teve que enfrentar as subidas no sítio arqueológico, no circuito montado no Morro Solar, aos pés do Cristo Redentor de Lima. "Sou uma atleta diferente, mais velha, passei aquele 'auge', mas me sinto forte ainda e tenho vontade de representar o país e querer outra medalha".


Jogos Pan-Americanos (Imagem: Divulgação)

Jogos Pan-Americanos (Imagem: Divulgação)

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