18 de janeiro de 2019
POR: Prefeitura de São Cristóvão
Fonte: Prefeitura de São Cristóvão
Em: 17/01/2019 às 10h57

São Cristóvão inicia cadastramento de terreiros, quilombos e aldeias indígenas


A Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fundact) iniciou esta semana o cadastramento de todos os terreiros, quilombos e aldeias indígenas do município, através do projeto (RE)Conhecendo. A coordenadoria de Inclusão e Promoção de Igualdade Racial será a responsável pelo trabalho.


São Cristóvão inicia cadastramento de terreiros, quilombos e aldeias indígenas (Foto: Márcio Garcez)

São Cristóvão inicia cadastramento de terreiros, quilombos e aldeias indígenas (Foto: Márcio Garcez)


Segundo a coordenadora de Inclusão e Promoção de Igualdade Racial, Acácia Maria Santos, o (RE)Conhecendo: Terreiros, Quilombos e Aldeias Indígenas de São Cristóvão nasceu da necessidade de se identificar o quantitativo relacionado a estes setores para que no futuro, a Prefeitura de São Cristóvão possa realizar ações sociais específicas e também inserir estes terreiros, quilombos e aldeias indígenas nos projetos federais e estaduais de fomento à cultura, por exemplo.


“Nosso foco é levar políticas públicas a esses locais, pois sabemos que existem vários benefícios para terreiros, aldeias indígenas e povos quilombolas, mas que sem a documentação necessária esse público não tem acesso. Assim, a nossa equipe da Fundact vem percorrendo a cidade para que o cadastro possa ser feito, e na sequência possamos dar mais voz a essas populações”, informou Acácia Maria Santos.


De acordo com o diretor de cultura e arte da Fundact, Thiago Fragata, o trabalho deve se manter durante todo este ano, visto a extensão geográfica de São Cristóvão, e a quantidade de lugares com características para entrar no cadastramento. “Sabemos que ao longo dos anos, fruto da perseguição social do passado, muitos terreiros, por exemplo, se mantém até hoje de forma discreta, o que acaba refletindo em não termos políticas públicas para estas pessoas. É preciso criarmos essa ponte e o (RE)Conhecendo tem foco também em oportunizar personalidade jurídica a estes locais. Será um trabalho longo, feito com cautela, onde estamos também registrando fotograficamente as visitas”, explicou Fragata.


No cadastro do (RE)Conhecendo é possível saber detalhes que vão da simples localização geográfica até questões relacionadas ao preconceito racial. Ao final, a Prefeitura de São Cristóvão terá um catálogo com dados geográficos e pontuações sociais que serão refletidas em ações diretamente voltadas para cada público cadastrado. O (RE)Conhecendo: Terreiros, Quilombos e Aldeias Indígenas de São Cristóvão começou o cadastramento visitando terreiros de Umbanda e do Candomblé localizados no Grande Rosa Elze. Ao todo, a cidade foi dividida em 11 regiões para melhor demarcar o território cadastral.


Para Arvanley Augusto Santos Wanderley (Pai Obáfanidê), o (RE)Conhecendo servirá para clarear a visão da sociedade perante o ser de religião de matriz africana. “Participamos do cadastramento para desmistificarmos os assuntos sobre o candomblé, enquanto religião. Precisamos de integração comunitária para manter os terreiros, e que este projeto possa ser convertido em ação”, disse.


Segundo Helena Denise dos Santos (Mãe Denise de Oxum), a visita dos técnicos da Fundact mostrou a preocupação para com todos os adeptos das religiões de raízes africanas. “Creio ser muito importante este projeto para que venha amenizar o sofrimento causado pelo preconceito. Em meu terreiro nunca passamos por situações de abuso ou preconceito, mas em nossa religião temos relatos de situações desses tipos e isso precisa acabar. As pessoas precisam conhecer mais e nós precisamos de mais visibilidade e apoio”, pontuou.


Contextualizando o negro em São Cristóvão
São Cristóvão, primeira capital de Sergipe, recebeu contingente de africanos escravizados entre os séculos XVII e XIX. Os escravos trabalharam nos engenhos do Vaza-Barris, estuário do Rio Paramopama e Mosqueiro, bem como, no centro burocrático da cidade, desenvolvendo atividades domésticas. Sobre a origem destes escravos, Luis Mott (um dos mais esclarecidos pesquisadores da formação étnica sergipana), explicou que a procedência dos negros que chegaram à antiga capitania, no final do século XVIII, tem origem de: Angola, Congo, Benguela, Costa do Ouro, Nagô, Golfo do Benin e Gêgê.

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