10 de setembro de 2019
POR: Elton Coelho
Fonte: Elton Coelho
Em: 09/09/2019 às 00h00

Meu mestre quadrilheiro Gilberto, vá na paz, na brincadeira do Céu :: Por Elton Coelho


Mestre quadrilheiro Gilberto Lima Barreto (Foto: Reprodução/ TV Sergipe)

Mestre quadrilheiro Gilberto Lima Barreto (Foto: Reprodução/ TV Sergipe)

Chega ao final de mais de 30 anos de convivência, cumplicidade e amizade, a minha história de vida com Gilberto Lima Barreto, ou simplesmente Gilberto, como eu o chamava.


Desde 1990, quando assumiu os destinos da Quadrilha Maracangaia, que aprendemos a conviver, compartilhar, dividir idéias, fazer, desfazer, opinar, discordar e aprender. Tivemos vários embates na tentativa vã e sempre oportuna de o Mestre nos mostrar que o “caminha da Maraca é e sempre foi o da tradição”. Fomos vencidos pela sua insistência cultural, de não se dobrar aos modismos, de preservar a essência da Quadrilha Junina, tal qual sempre fora dançada no Nordeste, atenta à dinâmica cultural.


Lembro-me que às vezes, por dançar tão tradicional assim e vermos os “modismos” se tornarem “praxe” em determinados concursos de quadrilhas, uma parte achava que estávamos na “monotomia”, portanto tendo que reinventar a roda.


O Mestre disse ‘Não’, e embora aceitasse algumas modificações em caráter de estudo das danças, coreografia e ritmos, era dele o tom em conduzir o grupo aos grandes lugares do pódio. E quando todos achavam que deveríamos copiar as freneticis do envelope global que se acenava lá pras bandas da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, eis que a Maracangaia, em 2014, desbanca todas elas tornando-se campeã do Brasil, pela Rede Globo Nordeste, ganhando como melhor Trio, melhor Figurino, melhor Marcador e Animação.


Foi com meu mestre quadrilheiro que aprendi a dar mais valor ao trato com as relações interpessoais, que me ajudou a liderar a quadrilha junto aos bravos companheiros que nos apoiaram nesta jornada. A Maracangaia é o que é hoje pelo trato e lapidação cultural de Gilberto que, como líder nato, chamou para si a responsabilidade de conduzir o Trio Coelho dos 8 Baixos, Edmilson e outros tantos que fizeram parte da nossa família no triângulo e percussão, mostrando ao país um grupo eminentemente tradicional, cultural e enraizado.


Vá em paz, meu mestre, guerreiro, professor, maestro da cultura junina sergipana. Aqui ficamos protelando a vida para um dia nos encontramos na Quadrilha do Céu. Ao me dispersar de você, amigo Gilberto, sei que as coisas aí vão pegar fogo nas animadas festas de São José, São João, Santo Antonio e São Pedro, pra continuarmos cantarolando: “Maracangaia espalha brasa no terreiro, levanta cheiro que nem chuva no verão, quer ver quer ver ninguém vai ficara parado, nessa pisada a gente balança até o chão. Maracangaia, Maracangaia, pisa bonito quadrilhá de tradição”.   

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