Aracaju (SE), 13 de janeiro de 2026
POR: PF/SE
Fonte: PF/SE
Em: 04/07/2019 às 08:59
Pub.: 04 de julho de 2019

Polícia Federal apura a invasão e venda de terrenos pertencentes à União

Operação Nova Canaã investiga a venda de casas e lotes destinados a programas sociais.

Polícia Federal apura a invasão e venda de terrenos pertencentes à União (Imagem: PF/SE)

Polícia Federal apura a invasão e venda de terrenos pertencentes à União (Imagem: PF/SE)

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (4/7) a Operação Nova Canaã, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que faz uso de uma associação sem fins lucrativos para fomentar a invasão e a venda de terrenospúblicos pertencentes à União, localizados no assentamento Nova Canaã, no município de Pirambu/SE.

Estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, expedidos pela 1ª. Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Sergipe.

Durante a investigação, identificou-se que a associação, que deveria intermediar o acesso à moradia popular entre o Poder Público e particulares necessitados, estava sendo utilizada por esse grupo criminoso para vender casas e lotes destinados a programas sociais.

A líder e os coordenadores dessa agregação exigiam que as pessoas que desejavam participar dos programas habitacionais se filiassem à associação, mediante o pagamento de uma taxa e de mensalidades retroativas aos últimos três anos. Além disso, cobravam valores entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, a título de contrapartida pelos imóveis.

Os possíveis beneficiários, iludidos com a possibilidade de ter a casa própria, não questionavam as exigências que lhes eram feitas e efetuavam os pagamentos. Houve casos em que, após o pagamento, a líder da associação exigiu que os interessados assinassem documentos declarando que nunca haviam repassado valores para os representantes da associação.

A líder do movimento e os coordenadores também ordenavam que os possíveis beneficiários participassem de atos políticos (de apoio, protesto, etc.), sob pena de serem retirados dos programas habitacionais. Ameaças de exclusão do programa social também eram utilizadas pelos investigados para coagir os filiados da associação a pagar as mensalidades e a assinar documentos.

Há indícios de que a associação teria comercializado terrenos litorâneos com pessoas que não se enquadram nos requisitos dos programas habitacionais, pois no local que deveria ser destinado para habitação popular foram construídas casas que não condizem com o padrão financeiro dos beneficiários do programa. Ademais, identificou-se que muitos familiares dos representantes da associação foram contemplados com moradias em programas habitacionais.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de associação criminosa, invasão de terras públicas, venda de lotes em loteamento não registrado, ameaças, estelionato e extorsão.


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