Aracaju (SE), 28 de setembro de 2020
POR: Marcio Rocha
Fonte: Marcio Rocha
Em: 05/09/2020 às 08h00
Pub.: 04 de setembro de 2020

A Telemedicina e as suas possibilidades boas e ruins :: Por Marcio Rocha


Márcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

Márcio Rocha (Foto: Arquivo pessoal)

Com a pandemia, cada vez mais estão sendo utilizados recursos eletrônicos e digitais para poder promover o atendimento ao público em todas as atividades, entre elas, a medicina. Novas tecnologias surgem para promover facilidades às pessoas, incluindo aí as consultas e atendimentos médicos. Mas será que isso realmente é eficiente para o consumidor/paciente?


No conceito base, a telemedicina funciona como a prática do atendimento médico utilizando ferramentas de comunicação por internet, para ligar os médicos e pacientes. Tablets, smartphones e aplicativos são os novos caminhos da ciência médica para chegar mais perto do público. Contudo, isso é uma vantagem que pode custar vidas. Será que isso foi algo pensado para o outro lado da tela do consultório virtual? Bem, a facilidade de aproximação das pessoas com os médicos é importante e isso se dá por meio da tecnologia. Todavia, a realização de diagnósticos de médicos especialistas pode ser dificultada sem que haja o atendimento presencial.


Vamos ao mercado de cardiologia por exemplo. Nessa especialidade, são necessários muitos exames complementares que norteiam o médico a emitir seu diagnóstico com o paciente. Mas há a condição de prevenir um infarto apenas com a conversa por meio da tela? Não acredito nessa possibilidade, pois o simples ato de fazer a escuta do coração pode ajudar a entender rapidamente o que a pessoa está sofrendo, que não se manifesta nos sintomas. Portanto isso não permite que algumas patologias ocultas possam ser compreendidas. O atendimento presencial é importante para o entendimento da situação do paciente.


No caso de ortopedia, usando como mais um exemplo. Uma pessoa procura o médico via a ferramenta digital e alega ter uma dor na mão, apenas o sintoma não é suficiente para que o profissional possa identificar o que esteja acontecendo. Pode haver um osso quebrado, uma fratura que não tem a possibilidade de ser identificada à distância, sem que haja um exame corporal. São situações que a comodidade pode ser prejudicial para o atendimento adequado.


A telemedicina veio para ficar, isso é verdade e foi regulamentada durante a pandemia. Contudo, em tempos em que as pessoas têm mais necessidade de atendimentos especializados, essa vertente pode não ter eficácia para o paciente. Sinais e sintomas são muito parecidos em várias patologias, mas não podem ser considerados apenas por uma avaliação à distância. As especialidades médicas existem para poder haver minimizar os riscos para a saúde das pessoas e isso, com o atendimento à distância pode ser prejudicado. Além disso, o atendimento remoto também pode ser um causador da elevação de erros médicos. Não por ineficiência dos profissionais, mas por não haver a obtenção de informações suficientes para uma real compreensão da situação individual de cada um dos pacientes. Cada pessoa é um caso e isso não pode ser generalista.


Entretanto, a medicina diagnóstica sim tem uma larga vantagem com a modalidade. A análise de exames de imagem se torna muito mais acelerada com os adventos digitais, levando ao diagnóstico mais célere das doenças do paciente. Antes mesmo do recebimento do exame pela pessoa, pode haver o envio para o médico e assim estreitar o atendimento e facilitar a recuperação da pessoa. Isso mostra como a tecnologia pode ajudar a salvar vidas.


Para o atendimento primário, aquele da unidade básica de saúde, com casos menos complexos, certamente a telemedicina irá ajudar a reduzir as filas de atendimento e diminuir o tempo de espera das pessoas. Entretanto, não haverá ferramenta que substitua a presença do médico para entender os casos, suas particularidades e como combater as doenças. Ou seja, é importante que você procure sempre o seu médico para cuidar bem da sua saúde, e à distância nem sempre isso será tão eficiente. 

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