10 de maio de 2015
POR: José Lima Santana - jlsantana@bol.com.br
Fonte: José Lima Santana

Meu anjo da guarda: minha MÃE :: Por José Lima Santana


José Lima Santana(*)  jlsantana@bol.com.br


Foto: ClickSergipe

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Era noite. Lembro-me bem. Eu sofria com uma dor intensa. Cólica hepática. Eu nasci com um fígado frágil. E não ingeria bebidas alcoólicas. Afinal, eu só tinha 12 anos. Aquela noite foi terrível. O remédio que o médico receitou não fez efeito imediatamente. Demorou. A demora na melhora fez a dor persistir, martirizando-me. De repente, como se atendesse aos meus gemidos, que eram quase sussurros, um anjo adentrou ao meu quarto, que estava escuro. A luminosidade daquele anjo rompeu as trevas que imperavam no quarto. Não era a primeira vez que aquele anjo vinha me socorrer, naquela noite. Aquele anjo estava comigo todos os dias, todas as noites, a vida inteira. Era meu anjo da guarda mais próximo. Meu anjo da guarda de todos os momentos, na aflição ou no refrigério. Em qualquer situação. Sim, eu tinha aquele anjo da guarda que me socorria quando eu lhe chamava, ou ele vinha sem ser chamado. Anjo de amor e de bondade. Que tudo faria para frear a febre que me acossava, que tudo faria para dissipar a cólica que corroia o meu fígado adolescente, que tudo faria para aplacar aquela dor.
    
Era noite. Não me lembro de qual mês, nem de qual dia. Faz tanto tempo... Era mais uma noite em minha vida. Mais uma noite em que meu anjo da guarda velava por mim. O anjo sentou na beira da cama. Pôs minha cabeça em seu colo. Alisou meus cabelos. Acalentou-me. Como se eu ainda fosse um bebê, meu anjo cantarolou para mim. Aos poucos, a dor foi me deixando, como se meu fígado, pobrezinho, estivesse se regenerando. E aos poucos eu senti as comportas de meus olhos se fechando... Enfim, adormeci. E sonhei com meu anjo. Com meu anjo da guarda de carne e osso. Minha MÃE!
    
Obrigado, MAMÃE! Obrigado pela vida. Obrigado porque eu tenho-te comigo, após 60 anos, desde que tu me trouxeste ao mundo. Obrigado pelo suor que tu derramaste para que eu pudesse estudar. Obrigado por me proporcionares os meios para a educação que eu pude amealhar. Tu foste o esteio da casa, ao lado de PAPAI. Tu ainda és meu esteio. Hoje, eu me surpreendo de mãos vazias. Que absurdo! Não preparei sequer uma flor para te dar. Mesmo assim, tu sorris para mim, quando eu digo que não tenho nada para te dar nesta data tão especial, mas, ao mesmo tempo, tão comercialmente banalizada.
    
Eu não tenho nada. Eu não vou te dar um presente, como é praxe, como eu sempre fiz. Eu te digo isso, mas tu continuas sorrindo. E sorrindo, tu dizes: “Eu tenho o melhor dos presentes. Eu tenho os meus filhos”.
    
Sentindo lágrimas banhando meu rosto, eu respondo: “Eu é que tenho o maior dos presentes: a doçura de teu coração. Eu tenho a LUZ de teu coração, que dissipa toda a escuridão que me possa envolver, minha MÃE!”.
    
Deixa-me, MÃE, mais uma vez, repousar minha cabeça em teu colo octogenário. Dá-me, como sempre, o calor de teu coração. Afinal, coração de mãe não envelhece, nem desaquece. Coração de mãe é flor que não murcha jamais. É fogueira ardente que queima sem se consumir.
    
Hoje, como naquela noite de 48 anos atrás, tu, minha MÃE, continuas sendo  meu anjo da guarda. Que CRISTO, o Verbo Encarnado, continue velando por ti.


Por fim, tua bênção, minha MÃE, nesta data que é tua e, também, é minha, como teu filho! Em teu santo nome, eu saúdo todas as MÃES. Viva!


(*) Advogado, professor da UFS, membro da ASL e do IHGSE


Publicado no Jornal da Cidade, edição de 03 e 04 de maio de 2015. Publicação neste site autorizada pelo autor.


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