12 de abril de 2019
POR: Habacuque Villacorte
Fonte: Rede Alese
Em: 11/04/2019 às 00h00

Sérgio Lucas: "artista local sobe no palco e não sabe se vai receber"


Um dos palestrantes a audiência pública para debater as dificuldades dos artistas sergipanos, no plenário da Assembleia Legislativa, na tarde dessa quinta-feira (11), promovida pelo deputado estadual Georgeo Passos (REDE), foi o juiz de Direito e músico, Sérgio Lucas, que defendeu o fortalecimento da sergipanidade.


Juiz de Direito e músico, Sérgio Lucas (Foto: Daniel Soares)

Juiz de Direito e músico, Sérgio Lucas (Foto: Daniel Soares)


“Junto com Paulo Correa buscamos transformar o forró de raiz em um patrimônio imaterial da Nação Brasileira. O Forró não pertence a Sergipe e nem ao Nordeste, ele pertence ao Brasil. Temos que promover a sergipanidade! O gênio Rogério, que nos deixou antes da hora, despontou em a briga de Campina Grande e Caruaru, sobre quem seria a capital do forró, e disse que o nosso Sergipe está acima dessa disputa porque éramos o País do Forró”, desabafa o artista e magristrado.


Sérgio Lucas pontuou que Sergipe transformou-se no “País do Forró” porque todos os 75 municípios promoviam festejos juninos e o Estado era um “grande arraial”. “Naquela veio o forró eletrônico, que na verdade é um vaneirão. Era interessante porque uma banda contratada já tocava por umas cinco horas. Depois veio uma invasão muito maior com o sertanejo. Gosto desse ritmo e não tenho nada contra, mas quem vai falar do nosso barco de fogo? Da Praia de Atalaia, da Colina do Santo Antônio, da Serra de Itabaiana ou da Maniçoba de Lagarto?”, questionou.


Por fim, Sérgio Lucas disse que enquanto um artista sertanejo vem ganhando uns R$ 400 mil para tocar, como atração principal da noite, os artistas sergipanos ganham minguados R$ 2 ou R$ 3 mil. “Isso ainda recebendo tapinhas nas costas, com o prefeito ou empresário se vangloriando, passando a sensação que está prestando um favor”, disse, pontuando ainda que enquanto o artista nacional sobe no palco com o dinheiro na conta, o artista local toca e não sabe nem se vai receber. “Isso é desrespeitar o artista! Como vou pagar os ensaios? E os instrumentos e músicos? Como vamos produzir algo bom?”.


Mingo Santana
Também palestrante, o cantor e compositor sergipano Mingo Santana, disse que a discussão vai muito além de pagar os cachês em dia, mas que é necessário “pagar bem” aos artistas sergipanos. “Deixamos de ‘plantar’ e hoje estamos colhendo esse prejuízo de identidade. As pessoas aqui torcem mais pelos times do Sul do País do que pelos nossos”.


“Precisamos de mais leis que nos obriguem a tocar mais, para que gente seja mais conhecido. É preciso que o artista sergipano se una mais, se valorize mais. O que semeamos na Cultura hoje, vamos colher no amanhã!”, completou Mingo Santana, lamentando que a Cultura esteja privatizada e focada apenas em shows milionários. “Hoje a moda sobrepõe a cultura e o forrozeiro é discriminado”.


Paulo Correia
Outro palestrante no evento foi o jornalista e pesquisador Paulo Correia. Ele agradeceu a oportunidade de falar para os artistas sergipanos e destacou a iniciativa do deputado Georgeo Passos. “Temos que valorizar o ritmo forró! Estão confundindo as cosias e nossos artistas ficam discriminados, são esquecidos nos eventos. Este tipo de evento é fundamental para que essa categoria possa se unir e buscar o respeito por suas obras, por seus trabalhos”.

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